Mercados

Mercados internacionais voltam às compras de ações depois da tormenta

Prêmios dos Treasuries ficam mais comedidos e investidores retomam posições em ativos de maior risco; bolsas na Europa e futuros de ações nos EUA sobem

bolsas na Europa e futuros nos EUA valorizam-se, embora investidores sigam vigilando riscos inflacionários
29 de Setembro, 2021 | 07:22 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Barcelona, Espanha — Depois da tormenta de ontem, com fortes pontos de tensão levando os investidores a se desfazerem de suas posições, as bolsas na Europa e nos Estados Unidos parecem se dirigir a um dia mais tranquilo. Os mercados europeus voltavam a subir, movimento seguido pelos futuros de índices em Nova York.

A aversão ao risco incentivou a procura por títulos soberanos, em detrimento das ações de tecnologia. Ontem, os prêmios para os Treasuries americanos fecharam no maior nível em três meses. O rendimento dos títulos de 10 anos avançou para 1,55%, enquanto os bônus de 30 anos chegaram a subir 11 pontos base. Na manhã de hoje, os prêmios estão mais comedidos e muitos investidores voltam ao mercado de ações.

Ainda que os mercados mostrem alguma recuperação frente à sangria de ontem, persistem muitos focos de tensão. Um deles é que o mercado aguarda um acordo no Senado sobre o teto da dívida dos Estados Unidos.

Tanto o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, quanto a secretária do Tesouro, Janet Yellen, advertiram que uma inadimplência dos EUA devido a um fracasso no aumento do teto da dívida teria consequências catastróficas para o dólar. Eles testemunharam ontem perante o Senado dos EUA. Yellen alertou que o Departamento do Tesouro pode ficar sem dinheiro em cash por volta de 18 de outubro.

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Ler mais: Tesouro americano pode ficar sem dinheiro até 18 de outubro, diz Yellen

Os Treasuries apertaram o passo depois que Powell confirmou a intenção de começar o tapering já neste ano, a redução na compra de ativos posta em andamento para ajudar a economia. Ao mesmo tempo, ele alertou que a inflação poderia permanecer alta mais tempo do que o esperado, dadas as restrições na produção.

Também entraram na mira dos investidores o rali nos preços do petróleo e a preocupante situação da safra no Brasil. Depois de superar a barreira dos US$ 80 por barril, o petróleo caiu quando um relatório apontou um aumento de mais de 4 milhões de barris nos estoques na semana passada, de acordo com o Instituto Americano do Petróleo, financiado pela indústria. Esse seria o primeiro aumento nos estoques nacionais em oito semanas, se confirmado por dados do governo nesta quarta-feira.

  • Com relação ao Brasil, o duro golpe climático sobre a safra pode acelerar o avanço dos preços mundiais de alimentos. O país produz 80% das exportações mundiais de suco de laranja, metade das vendas globais de açúcar, 30% do café exportado e um terço da soja e milho usados para alimentar galinhas e outros animais.

Ler mais: Safras arruinadas no Brasil alimentam inflação global

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Os mercados acionários na Europa se comportam desta maneira na manhã de hoje:

Os investidores aproveitam para ir às compras depois da forte queda de ontem, mas continuam atentos aos índices macroeconômicos, que podem dar pistas sobre como o Banco Central Europeu (BCE) articulará sua política monetária.

Hoje, a Espanha divulgou seus dados de inflação. A alta dos preços acelerou ao ritmo mais rápido em 13 anos, reflexo dos custos crescentes de energia. Os preços ao consumidor subiram 4% em setembro em relação ao ano anterior, mais do que a mediana das projeções de 3,6% de economistas consultados pela Bloomberg. O número é um indicativo do salto da inflação na região este mês, com a Alemanha, a França e a Itália programados para relatar seus próprios dados nos próximos dias. Na sexta-feira, será a vez de Zona do Euro recompilar os seus dados.

Em tempo: hoje termina o evento sobre bancos centrais do qual participa a presidente do Banco Central Europeu Christine Lagarde.

Agora há pouco saiu o dado sobre a confiança na economia da zona do euro, que aumentou inesperadamente em setembro, apesar dos temores relacionados à produção e aos gargalos no fornecimento. O indicador mensal de sentimento da Comissão Europeia subiu de 117,6 para 117,8.

  • o Stoxx 600 Europe Index subia 1,05%, para 457 pontos às 12h18 CEST (7h18 no horário de Brasília)
  • o alemão DAX ganhava 1,11%, para 15.418 pontos
  • em Paris, o CAC 40 avançava 1,21%, situando-se nos 6.585 pontos
  • o londrino FTSE 100 valorizava-se 0,95%, aos 7.094 pontos
  • o IBEX 35 subia 1,15%, para 8.870 pontos

Futuros de ações nos EUA

  • o S&P 500 futuro subia 0,75% às 12h18 CEST (7h18 no horário de Brasília) para os 4.376 pontos
  • os contratos indexados ao índice Dow Jones valorizavam-se 0,59%, somando 34.378 pontos
  • os contratos futuros indexados ao índice Nasdaq ganhavam 1,00%, para 14.911 pontos

Como fechou Wall Street ontem

Em um dia de forte turbulência, com grande preocupação com os efeitos da crise energética e a inflação global, o foco também recaiu sobre indicadores macroeconômicos. A confiança do consumidor americano caiu em setembro pelo terceiro mês consecutivo, sugerindo uma menor disposição em gastar ante um cenário de incertezas.

O S&P 500 fechou com 2,04% de baixa (4.352 pontos), a menor variação desde maio. O Dow Jones Industrial perdeu 1,63% (34.299 pontos). O Nasdaq 100 encerrou o dia com queda 2,83%, para os 14.546 pontos, uma perda que não se via desde março.

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Mercados asiáticos

O índice de Xangai recuou 1,83%, para os 3.536 pontos. No Japão, Nikkei 225 mostrou 2,12% de queda, aos 29.544 pontos. Em sentido contrário, o Hang Seng, de Hong Kong, terminou com alta de 0,70%, situando-se nos 24.672 pontos.

A crise de energia na China acende um novo sinal de alerta. Para aliviar a escassez, o governo considera aumentar os preços para o setor industrial, o que poderia gerar pressões inflacionárias de repercussão mundial.

Outra notícia de interesse é que o promotor imobiliário Evergrande estaria vendendo sua participação em um banco regional a 10 bilhões de yuans (US$ 1,55 bilhões) como um passo para resolver sua crise de dívida. A Fitch Ratings também reduziu o rating da Evergrande para apenas um nível acima da classificação de default, de “CC” para “C”. “O rebaixamento reflete que é provável que o grupo tenha perdido o pagamento de juros sobre notas seniores não garantidas”, disse a Fitch em um comunicado.

No Japão, a notícia mais quente, que saiu após o fechamento dos mercados, é a de que Fumio Kishida, 64 anos, está prestes a se tornar o primeiro-ministro do Japão. Ele será nomeado segunda-feira para suceder o primeiro-ministro Yoshihide Suga, colocando-o no comando da terceira maior economia do mundo. O ex-banqueiro de Hiroshima prometeu dezenas de trilhões de ienes em gastos e se comprometeu a se afastar das políticas econômicas “neoliberais”, numa tentativa de reforçar a classe média.

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Ver mais: Nota garantida por Evergrande vence domingo e preocupa credores

Confira o comportamento de outros mercados na manhã de hoje:

Petróleo

  • em Nova York, os contratos futuros de petróleo baixavam 0,52% às 12h18 CEST (7h18 no horário de Brasília), para US$ 74,90 por barril.

Moedas

  • o euro caía 0,21%, para US$ 1,1661
  • o iene se depreciava 0,14%, para US$ 111,34
  • a libra esterlina tinha 0,12% de queda, cotada a US$ 1,3521

Ouro

  • o ouro futuro subia 0,35%, para US$ 1.743 a onça troy

Cripto

  • o bitcoin valorizava-se 1,38%, para US$ 42,368 mil.

-- Com informações da Bloomberg News


Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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