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Viagens

Companhias aéreas têm novo impulso com flexibilização de regra de viagem

Ações da IAG SA, da British Airways, sobem 21% com reabertura; dados da Bloomberg sugerem que o setor pode ser lucrativo novamente em cerca de um ano

Ações de companhias aéreas e do setor de turismo sobem com expectativa de retomada das viagens
Por Joe Easton e Lisa Pham
26 de Setembro, 2021 | 10:29 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg — A flexibilização das restrições de viagens nos Estados Unidos e no Reino Unido está dando uma nova vida às ações das companhias aéreas europeias.

A IAG SA, controladora da British Airways, foi a estrela do show nas últimas duas semanas, com suas ações subindo 21% depois que a Casa Branca informou que os Estados Unidos vão abrir acesso para estrangeiros vacinados e o Reino Unido flexibilizou os requisitos de testes de coronavírus exigidos para entrar no país. As ações da Air France-KLM e da Deutsche Lufthansa AG também se recuperaram fortemente, assim como as de companhias aéreas de baixo custo, como a Ryanair Holdings Plc.

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Mas os investidores estão divididos sobre se os ganhos podem durar e se o setor conseguirá se recuperar. As ações de companhias aéreas europeias permanecem cerca de 25% abaixo dos níveis pré-pandêmicos, com desempenho insatisfatório em relação a setores como indústria e varejo, que estão até 30% acima daquela época. O catalisador da reabertura das viagens aéreas pode ser exatamente o que eles precisam para um renascimento mais sustentado, embora a possibilidade de novas restrições seja um risco constante.

Os investidores devem olhar “muito seriamente” para os chamados segmentos beneficiados pela reabertura das fronteiras, como o de viagens, disse Alan Custis, chefe de ações do Reino Unido na Lazard Asset Management. “As oportunidades agora, alguém poderia argumentar, são muito, muito melhores, do que provavelmente seriam se a pandemia não tivesse acontecido.”

Isso porque o excesso de capacidade nos aviões, quartos de hotel e restaurantes foi eliminado, disse Custis em uma entrevista. “Houve uma mudança radical.”

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Uma posição igualmente positiva é mantida por Mamta Valechha, analista da Quilter Cheviot, que administra cerca de 25 bilhões de libras (US$ 34 bilhões). “Continuamos a ver valor no setor de viagens, especialmente as companhias aéreas que foram mais afetadas e ainda estão longe de seus picos de 2020″, disse Valechha.

Notícias positivas estão começando a ganhar velocidade. O relaxamento das regras dos EUA levou a um aumento nas reservas da Europa para os EUA. A Air France-KLM relatou um aumento nas reservas de Natal, enquanto a Lufthansa teve recomendação de compra pelo Goldman Sachs.

América para o natal

E embora os analistas ainda demorem para melhorar suas previsões para as companhias aéreas, o consenso está em uma perspectiva ascendente. Dados compilados pela Bloomberg sugerem que o setor pode ser lucrativo novamente em cerca de um ano.

Outras áreas da indústria de viagens também estão mostrando melhores sinais. As ações da operadora de turismo TUI AG subiram 10% em três dias depois que a Grã-Bretanha disse em 17 de setembro que reduziria os requisitos de teste e simplificaria suas classificações de risco-país. O provedor de software de reservas Amadeus IT Group SA, o varejista de aeroporto WH Smith Plc e o grupo hoteleiro Accor SA estão entre uma série de outras ações que se recuperaram recentemente, embora todas permaneçam bem abaixo dos níveis pré-pandêmicos.

Ainda assim, os investidores podem precisar de paciência. “As ações do setor de viagens são uma história para o ano que vem”, disse Alasdair McKinnon, gerente-chefe da Scottish Investment Trust Plc. “Este ano já passou de uma perspectiva de viagens de lazer, pois a principal temporada de férias já passou”, disse ele.

A mudança para o home office, entretanto, ainda está tendo um efeito indireto para os ganhos com viagens, de acordo com Valechha de Quilter Cheviot, que estima que os passageiros corporativos representam de 30% a 60% da receita das companhias aéreas. “Ainda há muita incerteza sobre quando isso vai se recuperar, dados os avanços na tecnologia para fazer negócios remotamente”, disse ela.

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Risco da pandemia

O ressurgimento da Covid-19 nos principais destinos asiáticos também representa um risco para algumas empresas, como o InterContinental Hotels Group Plc, listado em Londres, de acordo com Hannah Gooch-Peters, analista de investimentos em ações da Sanlam U.K., que administra cerca de 4,9 bilhões de libras.

A Sanlam mantém ações de viagens como a IHG, mas reduziu sua exposição em fevereiro. “As avaliações dessas empresas não parecem tão atraentes”, disse Gooch-Peters em uma entrevista, “o que precisamos é de uma recuperação mais sincronizada, globalmente, para que essas ações realmente vejam um grande aumento a partir daqui”.

Para Gavin Launder, um gestor de fundos da Legal & General Investment Management, os investidores que procuram ações de companhias aéreas precisam ser capazes de confiar que a próxima onda de reabertura não será seguida por outro revés.

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“Acho que está muito claro que as pessoas querem viajar”, disse Launder. “Então, isso será uma boa troca em algum ponto, mas precisamos ter a confiança de que será um pouco mais do que um falso começo.”

--Com assistência de Andrea Felsted, Chiara Remondini, Michael Msika e Siddharth Philip.

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