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Como supermercados estão se adaptando à perda do poder de compra do brasileiro

Comum no tempo da hiperinflação, o “cestão” ressurge nas gôndolas para lidar com escalada no preço dos alimentos e mais de 14 milhões de desempregados

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São Paulo — Com 14,4 milhões de desempregados e uma inflação em 12 meses próxima a 10%, longe da meta estabelecida pelo Banco Central e muito acima do teto, os supermercados têm buscado se adaptar à perda do poder de compra dos brasileiros. Entre as medidas adotadas pelo varejo está uma que foi muito usada durante a crise da hiperinflação do Brasil nas décadas de 80 e 90.

Quem viveu aquele período conhece bem a expressão: “remarcação de preços”. Para lidar com a instabilidade econômica da época, os supermercados remarcavam os preços dos alimentos e dos itens de higiene e limpeza diariamente, muitas vezes, mais de uma vez ao dia.

Para lidar com o derretimento do poder de compra das pessoas imposto por taxas de inflação mensal que giravam na casa das centenas, muitos varejistas passaram a criar combos de produtos, uma espécie de cesta básica reforçada, que incluíam uma série de itens e possuíam um preço fixo.

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O “cestão da crise” voltou a ser comum em vários supermercados do país, diante da alta dos preços dos alimentos e de toda instabilidade gerada pela pandemia. Em grandes hipermercados e nas cidades do interior dos Estados, está cada vez mais comum encontrar kits preparados com 10 a 15 ítens, que incluem arroz, feijão, café, açúcar, macarrão, entre outros, a preços que vão de R$ 65,99 a R$ 89,99, dependendo da quantidade e das marcas presentes.

“A pandemia trouxe uma reflexão ao setor sobre a necessidade de oferecer ao consumidor alternativas que caibam no bolso dele. Os supermercados estão reprogramando sua forma de vender e tentando ajudar o consumidor”, afirma Márcio Milan, vice-presidente institucional e administrativo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Outra medida identificada no varejo foi o aumento do número de marcas de um mesmo produto disponível nas prateleiras. Uma recente pesquisa realizada pela Abras identificou que, no caso do arroz, as lojas passaram a disponibilizar de nove a 12 marcas, muitas delas recém criadas, todas com a mesma qualidade (tipo 1), com uma diferença de preços de quase 50%. Historicamente, a média de marcas disponíveis em uma mesma loja não supera quatro.

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O mesmo ocorreu com outros produtos. Foram observadas até oito diferentes marcas de feijão em uma mesma loja, com variação de preços de quase 35%. O número de marcas de açúcar mais do que dobrou. As de café disponíveis passaram da média de quatro para até 10, com uma diferença de preços superior a 70%. Leite longa vida, frango e carne bovina foram outros produtos que também estão passando por essa tendência.

“Estamos falando de um setor altamente competitivo. Nesse momento, o recado ao consumidor é pesquisar preços e ficar atento a promoções. O consumidor tem encontrado opções de produtos a preços mais baixos, por isso a inflação ainda não foi totalmente percebida”, afirma Milan, sem descartar a possibilidade de novas altas de preços nos próximos meses, com alguns produtos sendo mais impactados do que outros.

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Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.