Bloomberg — O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, voltou a criticar os planos pós-Brexit da União Europeia para as câmaras de compensação e alertou que qualquer turbulência representa uma “ameaça real” à estabilidade financeira.
Em entrevista gravada para uma conferência da Bloomberg sobre o futuro de Londres como centro financeiro, Bailey instou a UE a decidir o quanto antes se as chamadas clearing houses dominantes da cidade podem fazer negócios com clientes dentro do bloco, antes de uma renúncia temporária expirar em junho de 2022.
“Devo dizer à UE: fazemos funcionar com os EUA, vocês fazem funcionar com os EUA, o mesmo princípio e prática são aplicados”, disse Bailey. “Simplesmente não estou preparado e não entendo o argumento de que de alguma forma a relação Reino Unido-UE deveria ser diferente.”
A decisão cabe à UE, de acordo com Bailey, segundo o qual “o Reino Unido deixou muito claro que somos a favor” de garantir o acesso permanente. O presidente do banco central britânico disse anteriormente que 25% das operações de compensação de derivativos em euros precisarão ser transferidas para a UE se o bloco não renovar a permissão temporária, conhecida como equivalência.
Veja mais: Mensagem do BCE e esforços dos EUA para imunizar a população aliviam mercados internacionais
O ministro das Finanças do Reino Unido, Rishi Sunak, ecoou os comentários de Bailey na terça-feira durante a conferência Treasury Connect, em Londres.
“A UE optou por não nos conceder equivalência em muitas áreas diferentes, por razões que são conhecidas por eles”, disse Sunak. “É difícil para mim entender o porquê, porque deixamos a UE com exatamente as mesmas regulamentações e as coisas que dissemos que queremos fazer, na verdade, fortalecer nossa abordagem regulamentar.”
Londres em queda
A saída do Reino Unido da UE no início do ano causou turbulência nos mercados financeiros globais, com trilhões de dólares em negociações já fora de Londres diante de obstáculos regulatórios. Um relatório publicado este mês pela empresa de dados OSTTRA revelou que bolsas do Reino Unido concentravam apenas 8% das negociações de swaps de taxas de juros denominadas em euros em junho em relação a 11% no início do ano e mais de 30% nos meses anteriores à entrada em vigor do Brexit.
Embora os volumes de compensação ainda não tenham feito essa transição, os dados mostram que as mudanças nas regras pós-Brexit podem remodelar os fluxos comerciais.
Bailey disse que é “atípico” que a UE esteja tentando forçar que a atividade de compensação cruze fronteiras. “Acho que se eles querem tomar a decisão de fragmentar o sistema, então é importante considerar os riscos para a estabilidade financeira trazidos pela fragmentação”, disse.
Bailey também alertou sobre o desenvolvimento de moedas digitais, dizendo que o sistema monetário mundial enfrenta potencialmente o maior abalo em um século. “Se algumas das grandes empresas de tecnologia querem ter suas próprias moedas, isso é um grande desafio para este sistema e temos que pensar como podemos responder a isso.”
Veja mais: Ex-BCE recomenda que bancos centrais acelerem moedas digitais
Ele acrescentou que é “cético” sobre a possibilidade de grandes empresas de tecnologia permitirem ser regulamentadas da mesma forma que os bancos.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Por que membros do grupo de K-pop BTS receberam passaportes diplomáticos?
Trabalho remoto: Os 10 países da AL que dão visto para nômades digitais