PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Internacional

Por que membros do grupo de K-pop BTS receberam passaportes diplomáticos?

Escolha do grupo sul-coreano de música faz parte de estratégia de promover o país com representantes da cultura popular

Grupo de K-pop foi escolhido como enviado especial do país
14 de Setembro, 2021 | 01:41 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Os membros do grupo sul-coreano de K-pop BTS receberam nesta terça-feira (14) passaportes diplomáticos da Coreia do Sul, entregues pelo presidente do país, Moon Jae-in.

PUBLICIDADE

O documento será utilizado para que os integrantes possam viajar, na próxima semana, a Nova York para representar o país na Assembleia Geral das Nações Unidas, que começa hoje, como “enviados especiais para as gerações e cultura futuras da Coreia do Sul”.

O grupo, formado por Kim Namjoon, Kim Seokjin, Min Yoongi, Jung Hoseok, Park Jimin, Kim Taehyung e Jeon Jungkook, é um dos maiores fenômenos da indústria musical atual, responsável pelo maior número de álbuns vendidos na história por um artista coreano.

PUBLICIDADE

Já as ações da gravadora por trás do grupo, a Hybe, dispararam perto de 8% na madrugada desta terça. Os papéis acumulam alta de mais de 130% desde que a companhia abriu capital na bolsa de Seul, em outubro do ano passado.

Bang Si-hyuk, o fundador da agência, tem um patrimônio estimado de US$ 3,2 bilhões, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index, que dobrou em menos de um ano na esteira da aquisição, em abril, da gravadora americana que atende artistas como Ariana Grande e Justin Bieber.

Veja mais: Ocasio-Cortez pede ‘taxação dos ricos’ em baile de gala no Metropolitan

Agora, por que isso importa?

Além de um modelo de negócios de sucesso, os grupos de K-pop são vistos como uma ferramenta diplomática da Coreia do Sul, junto a outros representantes do movimento musical.

Em outubro de 2018, o presidente Moon já havia recrutado o BTS para uma recepção ao presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris. No mesmo ano, o líder Kim Namjoon discursou na cerimônia de lançamento de uma parceria do grupo com a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que, desde então, arrecadou US$ 2,98 milhões globalmente, impulsionado principalmente pela forte presença da banda nas redes sociais.

PUBLICIDADE

Para o analista do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional (NPII) da FGV, Leonardo Paz, a indicação de BTS não surpreende e faz parte de uma estratégia de Estado adotada pela Coreia do Sul há vários anos.

“Eles identificaram que isso gera dinheiro, bilhões de dólares por ano, sendo que é difícil ter uma geração de recursos tão grande, por tanto tempo. E tem ainda o elemento diplomático de soft power, que é de exportar elementos culturais para vender o país de maneira mais favorável.”

Leonardo Paz, Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional (NPII) da FGV

Ele lembra que o Brasil já teve uma abordagem semelhante de soft power no passado, enviando o cantor Gilberto Gil, então ministro da Cultura, para o encontro em 2003.

Agora, os sete sul-coreanos irão participar do evento ao lado de cerca de 100 chefes de Estado e de governo, como os presidentes brasileiro, Jair Bolsonaro, e o americano, Joe Biden, que devem discursar em 21 de setembro. Também participam o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, entre outros.

A pauta da 76ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas deve se concentrar na reconstrução do mundo após a pandemia, além da agenda climática.

Leia também

Apple deve lançar iPhone 13 nesta terça; veja o que esperar

Ana Siedschlag

Ana Carolina Siedschlag

Editora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero e especializada em finanças e investimentos. Passou pelas redações da Forbes Brasil, Bloomberg Brasil e Investing.com.