São Paulo — O consumo de alimentos e bebidas das famílias brasileiras recuou 1,15% em julho em comparação ao mesmo período do ano passado. Essa foi a segunda queda do Índice Nacional de Consumo das Famílias nos Lares Brasileiros, medido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em junho, o indicador já havia recuado 0,68% na comparação anual.
Apesar da segunda queda consecutiva, o índice de consumo dos supermercados registrou aumento de 4,84% em julho em comparação a junho. Segundo Marcio Milan, vice-presidente institucional da Abras, o crescimento mensal se deve a um conjunto de fatores, como o pagamento de R$ 5,5 bilhões da quarta parcela do auxílio emergencial.
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Além disso, a distribuição de R$ 1,23 bilhão pelo Bolsa Família para as famílias não elegíveis ao auxílio emergencial também ajudou a impulsionar o índice. No acumulado de janeiro a julho o consumo das famílias apresenta um crescimento de 3,24%.
O custo da cesta com os 35 produtos mais vendidos em supermercados manteve a tendência de alta, fechando o mês em R$ 668,55, acréscimo de 0,96% em relação a junho. Comparando com julho do ano passado, a alta foi de 23,14%. Estão incluídos nessa lista alimentos, cerveja, refrigerante e produtos de higiene.
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“O movimento de preços não está acontecendo somente no Brasil, mas no mundo. Nos últimos 12 meses, identificamos aumento em função da exportação de alguns produtos com maior procura e em função do câmbio que foi bastante favorável”, afirmou Milan.
No acumulado em 12 meses, o óleo de soja disparou com alta de 87,3%, seguido pelo arroz (39,8%), carne dianteiro (40,6%), carne traseiro (32,9%), pernil (24,8%), frango congelado (30,8%), açúcar (32,6%), café (17,8%), ovo (12,4%), leite longa vida (10,9%) e feijão (5%).
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