Brasil

Em meio à crise política, Centrão volta a cobiçar comando do Banco do Nordeste, dono de orçamento de R$ 24,1 bi

Romildo Rolim conclui terceiro mandato à frente do banco de fomento do Nordeste, sediado no berço político de Ciro Gomes (PDT)

Banco do Nordeste tem influência política na região devido à destinação de recursos para projetos industriais e agrícolas
08 de Setembro, 2021 | 05:29 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — Responsável por operacionalizar um orçamento de R$ 24,1 bilhões neste ano, por meio do FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste), o Banco do Nordeste voltou a ser cobiçado por partidos do Centrão, alinhados ao Palácio do Planalto, e poderá sofrer uma mudança de comando, em meio às pressões políticas para evitar o início de um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

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No fim de agosto, o atual presidente da instituição de fomento, Romildo Rolim, concluiu o terceiro mandato à frente do BNB, o que seria o limite previsto no estatuto do banco e na Lei das Estatais (Nº 13.303/2016), mas continua no cargo. Ele, que entrou no banco nos anos 1980 ocupando cargos técnicos, foi indicado pelo ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE), hoje sem mandato. Rolim assumiu a presidência da instituição no fim de 2017, nomeado pelo então presidente Michel Temer (MDB-SP).

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O ministro Ciro Nogueira (Casa Civil), do Progressistas do Piauí, e o deputado federal Wellington Roberto, do Partido Liberal da Paraíba, teriam interesse em indicar o novo presidente do BNB, segundo duas fontes em Fortaleza, onde fica a sede da instituição, ouvidas pela Bloomberg Línea. Internamente, funcionários contam que Rolim tenta ser reconduzido ao cargo, segundo essas fontes.

Rolim assumiu o comando do BNB no fim de 2017 após a exoneração de Marcos Costa Holanda, que teria recusado a atender um pedido do Planalto para nomear um superintendente do BNB da Paraíba para o cargo de superintendente de Logística, segundo relatos da imprensa na época.

O comando do orçamento do BNB é historicamente ligado ao poder político e econômico na região Nordeste, onde oligarquias ainda possuem influência relevante na destinação de recursos e na eleição de governantes e parlamentares em diferentes níveis da administração pública. Um dos carros-chefes do BNB na região é o Crediamigo, operacionalizado pelo Instituto Nordeste Cidadania (Inec), uma OSC (Organização da Sociedade Civil), um programa de microcrédito para empreendedores formais e informais.

Como está localizado no Ceará, berço político do presidenciável Ciro Gomes, do PDT, e adversário do presidente Jair Bolsonaro, o BNB é visto como um agente estratégico pelos poderes locais na evolução dos indicadores de renda da região, principalmente em projetos industriais, de infraestrutura, saneamento, transportes e também voltados para a agricultura familiar e custeio de safras. Atualmente, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT) é identificado mais como um aliado de Ciro Gomes em 2022 do que do ex-presidente Lula, do seu próprio partido. Os aliados de Bolsonaro no estado comandam municípios menores.

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Não é a primeira vez que a saída de Rolim do comando do BNB é aventada. Em maio do ano passado, o jornal Estado de S. Paulo publicou uma reportagem, sem identificar suas fontes, de que Bolsonaro entregaria a presidência do BNB ao Partido Liberal, em mais um gesto de aproximação do Palácio do Planalto com o Centrão. O rumor não se confirmou, e Rolim seguiu no cargo.

Questionada sobre o fim do mandato de Rolim, a assessoria de imprensa do BNB enviou a seguinte resposta: “Não temos informações sobre o assunto até o momento. De acordo com o §7º (Art. 30) do Estatuto Social do Banco do Nordeste, o prazo de gestão dos membros da Diretoria Executiva se prorrogará até a efetiva investidura dos novos membros”.

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Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.

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