ESG

Dados apontam que empresas apoiadas por capital privado excluem diretores negros

Embora a representação ainda seja limitada, as mulheres ganharam mais espaço que negros e latinos

Representatividade entre diretores ainda é baixa e avança a passos lentos
Por Max Abelson
07 de Setembro, 2021 | 09:00 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Um novo relatório constatou que as empresas que abriram o capital nas últimas duas décadas tiveram poucas minorias em seus conselhos.

Diretores negros ocuparam apenas 49 dos cerca de 4,7 mil assentos de conselhos criados em empresas apoiadas pelas 18 maiores firmas de private equity e venture capital, segundo relatório divulgado na terça-feira pela Board Diversity Action Alliance. O grupo está trabalhando para aumentar a representação nos conselhos.

O relatório analisa a composição das empresas no momento em que abriram seu capital, compilando dados de empresas que fizeram ofertas públicas iniciais desde 2000. Diretores negros e latinos detinham cada um cerca de 1% dos assentos do conselho, e mulheres detinham cerca de 10%, de acordo com o relatório. E dos cerca de 3,8 mil cargos executivos dessas empresas, apenas 25 eram ocupados por negros.

O progresso para as minorias tem sido especialmente lento. Havia dois diretores negros em empresas apoiadas por capital de risco quando estas abriram o capital de 2000 a 2010, quatro no período de 2011 a 2015 e 17 de 2016 a 2020. Diretores negros tiveram poucos ganhos em empresas apoiadas por capital privado, embora o número de membros latinos em seus conselhos tenha chegado a 36 de 2016 a 2020 – depois de apenas atingir três no período entre 2000 a 2010.

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As mulheres ganharam mais. O número de diretoras em empresas apoiadas por capital de risco saltou para 189 nos últimos anos, em comparação com 19 na primeira década do século.

A aliança foi cofundada por Ursula Burns, primeira CEO negra de uma empresa Fortune 500 quando dirigiu a Xerox Corp. No ano passado, o Goldman Sachs Group Inc. anunciou que o maior subscritor de ofertas públicas iniciais de Wall Street nos EUA não abrirá mais o capital de uma empresa no país ou na Europa se seu conselho for totalmente desprovido de diversidade. A Nasdaq Inc. e alguns estados também penalizam empresas sem representação de minorias nos conselhos.

“Os setores de venture capital e private equity são os principais motores do crescimento econômico e empresarial dos EUA”, disse a aliança em seu relatório. “Embora haja um progresso recente, historicamente esses setores não são inclusivos nem transparentes sobre a diversidade em suas equipes e operações”.

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