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Plano ambiental dos EUA penaliza petrolífera, mas ajuda borboleta e ‘peixe do deserto’

A indústria de petróleo e gás arcaria com boa parte desses gastos, segundo plano elaborado pela Comissão de Recursos Naturais da Câmara

Câmara discute plano ambiental dos EUA
Por Jennifer A. Dlouhy e Billy House e Ari Natter
26 de Agosto, 2021 | 08:30 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Borboletas ameaçadas de extinção e peixes do deserto podem receber milhões de dólares em recursos do governo americano, enquanto as petrolíferas devem enfrentar novas taxas e a proibição da maioria das perfurações offshore. Estes são alguns itens da proposta de uma comissão da Câmara de Deputados para cumprir os pontos principais da agenda econômica do presidente Joe Biden.

Os detalhes foram resumidos em um documento elaborado pela Comissão de Recursos Naturais ao qual a Bloomberg News teve acesso. A comissão representa um dos painéis internos que estão redigindo trechos de um projeto de lei de US$ 3,5 trilhões, responsável pela maior parte do plano econômico de Biden. O documento foi distribuído a parlamentares antes da reunião de 2 de setembro, na qual a parte associada a esse painel será votada.

O texto esboça as ambições dos democratas integrantes da Comissão de Recursos Naturais para gastar cerca de US$ 31,5 bilhões em programas de preservação, análises ambientais e limpeza de minas abandonadas, entre outras prioridades. A proposta — que poderá ser revisada até a semana que vem — prevê aproximadamente US$ 550 milhões para esforços de recuperação da fauna selvagem, incluindo desembolsos de US$ 25 milhões cada para borboletas ameaçadas de extinção, mexilhões de água doce e peixes de regiões inóspitas como desertos.

A indústria de petróleo e gás arcaria com boa parte desses gastos.

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A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, informou durante uma entrevista coletiva na quarta-feira que os trabalhos já estavam em andamento, com os líderes da comissão apresentando propostas aos seus painéis sobre o que incluir no projeto de lei de reconciliação do orçamento.

Contatados pela reportagem após o expediente, porta-vozes e vários integrantes da comissão se recusaram a comentar sobre o documento. Um integrante ligado ao Partido Democrata pediu para não ser identificado, mas confirmou a autenticidade do texto. Assessores de deputados republicanos da comissão disseram ter ouvido que o documento existe, mas que não havia sido compartilhado com eles.

Os democratas da comissão pretendem gastar cerca de US$ 3 bilhões em uma agência para o clima, chamada Corpo Climático Civil. Segundo o documento, o programa seria elaborado nos moldes do Corpo de Conservação Civil, criado na época do New Deal, e geraria empregos em obras de infraestrutura de energia limpa, fechamento de poços inativos e preservação de terras.

Sob o plano, os democratas da comissão querem impor ou aumentar mais de uma dúzia de taxas, penalidades e cobranças de royalties a empresas de petróleo, gás e oleodutos, levantando até US$ 5,6 bilhões.

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As propostas incluem novas taxas para poços de petróleo ociosos, proprietários de oleodutos e inspeção de instalações de petróleo e gás. Também haveria aumento de royalties para alguns minerais, petróleo e gás extraídos de terras públicas.

Os republicanos criticaram o plano como um “ataque ao setor americano de energia”.

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