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Internacional

Cartilha de Covid de Tóquio ensina lição para Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim

Ao contrário do que se imaginava, as Olimpíadas de 2020 causaram pouco impacto nas infecções de Covid no Japão

Modelo sem torcida usado em Tóquio deve ser adotado para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim em 2022
Por Michelle Fay Cortez, Isabel Reynolds e Grace Huang
23 de Agosto, 2021 | 05:02 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Os casos de Covid no Japão aumentaram enquanto o país recebeu os Jogos Olímpicos em julho e agosto, gerando a óbvia pergunta: O evento global, que levou milhares de atletas e outras pessoas até a cidade, foi responsável?

Ainda é necessário pesquisar mais, mas indicações preliminares sugerem que o fluxo de pessoas gerado pelos Jogos Olímpicos teve pouco impacto direto sobre as infecções no Japão. Os participantes faziam testes assim que chegavam e todos os dias depois disso. Eles foram proibidos de fazer compras, passear e utilizar o transporte público e foram incentivados a deixar o país logo após suas respectivas competições. No fim, os organizadores do jogos relataram taxa de positividade de 0,03% em seus testes, muito menos que a média geral atual de 23,6% em Tóquio.

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As medidas de contenção utilizadas no evento, que foi adiado por um ano e realizado em ginásios vazios como precaução, se tornaram modelo para as Paraolimpíadas, que começam nesta semana. E também abrem um precedente para as Olimpíadas de Inverno de Pequim em 2022, que começam em seis meses.

“Como cientistas, não temos as estatísticas, mas está claro que as infecções na maratona, nos estádios e ginásios – sim, houveram alguns casos – não estão relacionadas ao aumento atual dos casos”, disse Shigeru Omi, chefe do painel consultivo do coronavírus do governo japonês, a repórteres em 12 agosto.

No fim, a bolha pode ter até protegido os atletas olímpicos contra a cepa delta, altamente contagiosa e que se espalha por Tóquio. Embora a cidade estivesse em estado de emergência durante os Jogos, uma análise de dados de GPS da X-Locations constatou que os níveis de atividade em alguns dos distritos mais populares em comércio e entretenimento não apresentou muitas mudanças comparado com o mesmo período de 2020, quando o Japão não estava em estado de emergência.

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Esse é um sinal de que o estado de emergência não teve o efeito desejado, embora os níveis de atividade tenham caído durante os Jogos em comparação ao período imediatamente anterior. Realizar os jogos em Tóquio pode ter enfraquecido a mensagem “fique em casa” e feito com que as pessoas baixassem a guarda, possivelmente contribuindo para a disseminação na população.

“O governo cancelou os Jogos Olímpicos no ano passado porque não era seguro”, disse Holley Wilkin, professora adjunta de comunicação para a área da saúde da Georgia State University. “Ao realizá-los neste ano, o comitê manda a mensagem de que agora é seguro. Isso pode ter influenciado as pessoas quanto à gravidade e a ameaça do Covid-19”, acrescentou.

Essa mensagem confusa veio no momento em que a cepa delta, altamente infecciosa, que está impulsionando a onda atual em todo o mundo, começou a se estabelecer no Japão. Ao mesmo tempo, recursos de governos locais e nacionais focaram nas Olimpíadas e na contenção da possível ameaça de viajantes internacionais vindos de outros países.

“Quando se trata da movimentação de pessoas, há um debate sobre a possibilidade de as Olimpíadas terem afetado a percepção”, disse o conselheiro do governo Omi. “Nós acreditamos que seja o caso”.

Muitos negócios continuam desrespeitando as regras do atual estado de emergência do Japão, que essencialmente obriga bares e restaurantes em Tóquio e em algumas outras áreas a parar de servir bebidas alcoólicas e fechar por volta das 20h. Sem restringir o comportamento de indivíduos, o poder de persuasão do governo para que as pessoas fiquem em casa fica cada vez menos eficaz.

Embora a situação possa ser muito diferente até a abertura dos Jogos em Pequim, dados preliminares parecem validar a decisão do Japão de banir os espectadores do evento. Seja para esportes, shows ou outros eventos, aglomerações são conhecidas por fazerem explodir a disseminação do vírus. No início do ano, uma líder em saúde pública da Organização Mundial da Saúde criticou a União das Associações Europeias de Futebol por permitir torcedores no Campeonato Europeu, que culminou em uma final lotada no Estádio de Wembley.

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Eu deveria apreciar a transmissão na frente dos meus olhos? A pandemia de #COVID19 não acabou só por esta noite, #SARSCoV2 #DeltaVariant vai aproveitar as pessoas não vacinadas em aglomerações, sem máscaras e gritando/cantando. É devastador.

Os organizadores de Pequim não tomaram uma decisão quanto à torcida. Os ingressos ainda não estão à venda. É uma atitude prudente, segundo S.V. Mahadevan, diretor do Polo do Sul da Ásia do Centro de Pesquisa e Educação em Saúde Asiática do Centro Médico da Universidade de Stanford.

“É muito difícil saber o que vai acontecer em seis meses”, disse. “Se o vírus vai continuar mutando e causando outras ondas ou se finalmente atingiremos a imunidade de rebanho porque a cepa delta é onipresente e infectou todo mundo”.

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Também é possível que os Jogos Olímpicos tenham um efeito paliativo no Japão, oferecendo uma dose necessária de animação para um público preocupado com a pandemia, de acordo com Nobuhiko Okabe, chefe de um centro de pesquisa em saúde em Kawasaki e que atuou como conselheiro sobre a pandemia para os organizadores dos Jogos Olímpicos.

“Não digo que o evento merece uma medalha de ouro, mas acho que constituiu uma referência para o futuro”, disse. “Acho que podemos chamar isso de sucesso”.

O diretor da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus elogiou o Japão e o COI por fazerem o melhor para minimizar o perigo. “Ninguém deve esperar um risco zero”, disse ele no último mês. “Sempre vai existir algum risco, não existe risco zero na vida”.

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