Viagens

CVC vê 2º semestre ‘forte’ com retomada de pacotes de turismo, apesar de reajuste de preço

Grupo de viagens já reporta aumento das vendas em julho e agosto, admite que reembolsos de cancelamentos afetaram resultado e espera que o verão de 2022 seja de atendimento à demanda reprimida

Turismo doméstico apresenta retomada "forte", segundo a CVC, que aposta em venda de pacotes para o verão, com destinos locais, como o Jalapão, em alta
16 de Agosto, 2021 | 05:44 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — A CVC, um dos maiores grupos de viagens da América Latina, informou, nesta segunda-feira (16), que o mercado doméstico começou o segundo semestre com um “forte” e “consistente” aumento das vendas. A companhia diz estar com cerca de 1.200 lojas funcionando e que não fechou mais unidades.

Em teleconferência com jornalistas para discutir o resultado financeiro do segundo trimeste (prejuízo de R$ 171 milhões, queda de 28% na comparação anual), o CEO da companhia, Leonel Andrade, disse que os “aeroportos estão cheios” e as companhias aéreas recriando suas malhas, sinalizando um segundo semestre “muito bom”.

“Houve um aumento de vendas de 42% em abril, de 86% em julho e agosto já está com mais de 90%. Estou 100% otimista com a retomada”, disse o executivo, em referência à recuperação gradativa de novas reservas no mercado doméstico.

Ele fez uma ressalva: os mercados corporativo e internacional ainda sofrem com as restrições por conta da segunda onda da pandemia da Covid-19. Companhias áreas, como a Gol, planejam iniciar as rotas internacionais a partir do mês de novembro.

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“Os preços vão subir por conta da procura, com a demanda reprimida, os preços tendem a subir sim no fim do ano, com muita ocupação dos aviões e da rede hoteleira. A gente vai recuperar muito preço no Brasil. Claro que tem um limite, sendo muito criativos, para facilitar a vida do cliente”, disse o CEO.

O fretamento de aviões cresceu muito em julho, segundo o CEO. “O ponto de atenção é até que ponto vai. A demanda reprimida é tão grande. Vamos ter um verão muito forte. As vendas sinalizam isso a cada dia”.

Melhor trimestre

A companhia fez uma previsão otimista para o resultado do terceiro trimestre, após a redução dos pagamentos de reembolsos com a maior oferta de pacotes. “Este vai ser o melhor trimestre da pandemia”, disse o CEO.

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Maurício Telles Montilha, CFO da CVC, que também participou da teleconferência, disse que as margens do segundo trimestre foram muito baixas devido aos descontos de até 20% ofertados em alguns produtos e com o impacto negativo da pandemia nas viagens para a temporada de férias ao Nordeste.

As solicitações de reembolsos pelos consumidores devido a cancelamentos ou remarcações de pacotes pesaram no resultado trimestral. Analistas de bancos que cobrem a companhia e participaram da teleconferência questionaram sobre o estoque de créditos e o impacto nas despesas operacionais.

Montilha disse que atualmente os clientes têm mais opções para evitar o cancelamento de seus pacotes com a retomada das operações do mercado e que a taxa de reversão de cancelamentos está na ordem dos 20%, reflexo do avanço da vacinação contra a Covid-19 e melhores expectativas de viagens de lazer.

Argentina

O CEO da CVC disse estar confiante com as atividades da companhia na Argentina, indicando um diferencial competitivo para a retomada dos voos para o país vizinho. Ele considera que o “take rate” (percentual da receita líquida sobre as reservas) das operações argentinas será “sempre mais alto”.

A pandemia trouxe uma aceleração das operações digitais, reconheceu a companhia, destacando suas vantagens e melhorias no comércio digital. “A transformação digital na companhia é fortíssimo. Nosso plano vai até 2022, seremos uma companhia 100% digital. Nas lojas físicas, tudo será digital. Em breve, o cliente poderá fazer check-in em hotel dentro do nosso aplicativo”, disse Andrade.

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O CEO disse que o aumento da taxa Selic, hoje em 5,25% após quatro elevações pelo Banco Central, ainda não trouxe mudanças na política comercial da companhia.

“Nossos produtos continuam firmes. Até este patamar (de juros), não vai trazer grandes diferenças para os valores. “O pior cenário possível é de inflação descontrolada. Um aumento de juros agora pode segurar a inflação, pior tormento para empresas e clientes”, disse Andrade.

O CFO da CVC disse que a Selic mais alta impacta sua dívida atrelada a juros. “Não vemos isso com um problema a curto prazo para a empresa. A companhia está capitalizada e estamos tranquilos com o gerenciamento da dívida até com juros mais altos”, afirmou Montilha.

Andrade comentou ainda sobre a aquisição de 100% das ações da VHC, anunciada nesta segunda-feira, dizendo que se trata de uma plataforma de casas de temporada, sediada na Flórida, que foi um dos únicos segmentos do mercado a lucrar.

Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.

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