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Negócios

Jeff Bezos e Star Wars inspiram corrida por unicórnio de US$ 1 tri do setor espacial

ETFs e fundos norte-americanos abrem as portas para investimentos em empresas líderes da corrida espacial

Tempo de leitura: 6 minutos

Bloomberg — Os investidores do espaço são como Jeff Bezos: adoram obras de ficção científica dos anos 1970 e estão convencidos de que o futuro da humanidade está no espaço sideral.

A única diferença é que eles não possuem um patrimônio líquido de mais de US$ 200 bilhões e um foguete que levará a pessoa mais rica do mundo para além da linha de Karmán na terça-feira. Em vez disso, possuem contas no aplicativo de investimentos Robinhood, que proporciona a chegada da fronteira final por meio da aquisição de ações e outros valores mobiliários relacionados ao setor espacial.

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Agora mais do que nunca ETFs e startups do setor espacial e novas tecnologias de investimentos estão facilitando a vida de quem quer apostar no futuro da economia extraterrestre. O Bank of America estima que o setor espacial está avaliado em cerca de US$ 415 bilhões, com potencial de chegar em US$ 1,4 trilhão até 2030.

Os espectadores vão ficar muito atentos à viagem de Bezos e no voo do bilionário Richard Branson no início do mês. Porém, o escopo e a escala do setor são muito mais amplos que suas viagens. Em março, a famosa gerente de investimento Cathie Wood lançou o ETF ARK Space Exploration (ARKX), primeiro novo fundo negociados em bolsa de valores de sua empresa em dois anos. O veículo gerido ativamente monitora empresas de exploração espacial e inovação e já atraiu mais de US$ 600 milhões em ativos – uma das melhores estreias do ano.

Nas últimas semanas, a empresa de serviços de lançamento de satélites Astra Space Inc. começou a negociar na Nasdaq, após fusão com a empresa de aquisição de propósito específico (SPAC, na sigla em inglês) Holicity Inc. Outras empresas como a Rocket Lab USA Inc., de lançamentos de foguetes, e a empresa de infraestrutura espacial Redwire também anunciaram seus planos de se tornarem públicas. Todas essas notícias são um deleite para investidores de varejo com convicções interestelares.

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“Eu provavelmente estou velho demais para um dia ir para o espaço”, afirmou Alex Greenfield, roteirista de 48 anos e novo investidor espacial de Mount Snow, em Vermont. “Mas eu com certeza posso ajudar o setor que pode tornar reais Star Wars e Star Trek e esses outros materiais de cultura pop que consumimos durante a vida. E, para mim, isso é empolgante”.

Assim como muitos norte-americanos, Greenfield começou a investir ativamente utilizando a plataforma Robinhood no ano passado, durante a pandemia de Covid-19. Ao contrário de muitos outros norte-americanos, ele alega que seu primeiro contato com o mercado foi enquanto assistia a série de ficção científica da HBO Westworld e pensava o que era necessário para construir um robô.

Em algum momento, isso o levou ao setor espacial. Em janeiro, ele adquiriu US$ 500 do ETF Procure Space (UFO). O fundo negociado em bolsa de valores de US$ 120 milhões inclui empresas com receita proveniente majoritariamente de setores relacionados ao espaço.

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Durante uma queda do mercado, o roteirista investiu mais US$ 150, então, adquiriu US$ 500 do ARKX, de Wood, após seu lançamento e atualmente acumula investimentos de US$ 1 mil.

Greenfield sabe que investir no espaço é uma aposta arriscada, mas alega estar ter esperança de que as novas tecnologias que não pareçam ser úteis ao setor espacial no começo podem evolui-lo no futuro. Ele está especialmente otimista quanto à impressão 3D no setor, que pode reduzir drasticamente o custo de envio de produtos necessários para construir ambientes para humanos em outros planetas.

“Algumas pessoas investirão corretamente na empresa que encontrar o unicórnio de US$ 1 trilhão, e seus descendentes colherão os frutos”, afirma.Esse horizonte ultralongo está em linha com a abordagem de alguns assessores financeiros quanto ao espaço: o setor tem potencial.

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“Existe uma oportunidade de crescimento enorme, e de formas que nem podemos imaginar”, afirma Noah Damsky, fundador da Marina Wealth Advisors em Los Angeles. “Assim como o Bitcoin há muitos anos, isso pode ser algo que ainda não podemos nem imaginar”.

Entrar precocemente em um setor emergente pode aumentar o rendimento em uma carteira, segundo Ryan Greiser, planejador financeiro da Opulus, empresa de consultoria de Doylestown, no estado da Pensilvânia.

Ele também enxerga uma oportunidade, pois as tecnologias parecem se fundir, acelerando as tendências que podem tornar as viagens ao espaço mais lucrativas. Isso inclui a convergência do espaço aéreo com a inteligência artificial, a robótica, a impressão 3D e os chips sensores.

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Os riscos existem e foguetes podem falhar. Em 13 de julho, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) processou a empresa de cargas espaciais Momentus Inc. e a Stable Road Acquisition Corp., uma SPAC. A agência reguladora alega que a Momentus mentiu sobre sua tecnologia, dando uma declaração falsa de que seu sistema de propulsão havia sido “testado com sucesso” no espaço. A Stable Road reproduziu as declarações enganosas da Momentus em documentos públicos e não realizou a auditoria adequada, segundo a SEC.

Os assessores financeiros também alertam que o setor espacial é emergente, com possibilidade de alta volatilidade e erros. Por exemplo, ações da Virgin Galactic Holdings Inc., de Branson, caíram todos os dias desde sua viagem ao espaço, anulando todos os ganhos desde o início de junho. Os ETFs do setor espacial perderam dinheiro nos últimos dois meses.

Os investidores também não têm um consenso quanto ao que realmente constitui um investimento no espaço. Alguns deles ficaram surpresos em ver que o fundo ARKX, de Wood, incluiu, por exemplo empresas como a Netflix Inc., Amazon Inc., Alphabet Inc. e até Deere & Co., fabricante de grandes tratores agrícolas.

“Já fizemos muitos memes e piadas com a John Deere”, afirmou Kyle Walton, estudante de engenharia industrial de 30 anos, de Wichita, no estado do Kansas, que administra um grupo de investimentos no setor espacial no Facebook e detém cerca de US$ 2 mil do ARKX.

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Mesmo disposto a dar o benefício da dúvida ao ARKX por cerca de um ano, Kyle afirma que sua preferência é o UFO, que ele considera ser um fundo com foco exclusivo no setor devido às exigências mais rigorosas e orientadas ao setor espacial. Walton detém cerca de US$ 3.700 do UFO.

“Existe mais de uma forma de ter uma estratégia relacionada ao espaço e à exploração do espaço”, afirmou Todd Rosenbluth, diretor de pesquisas de ETF da CFRA. “A estratégia do ARK assumiu um ponto de vista mais amplo quanto às formas que empresas podem possivelmente se beneficiar, o que inclui umas empresas menos óbvias”.

Vamos analisar a John Deere. Os tratores da empresa não serão lançados ao espaço em um futuro próximo. Porém a empresa já trabalhou com o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa para desenvolver uma tecnologia de tratores com piloto automático. A Deere também vem investindo de forma constante em GPS e drones, que obviamente possuem aplicações no setor espacial.

E assim como na Terra, empresas que lidam com o consumidor podem até chegar às manchetes, mas frequentemente serão as empresas que atendem no formato business-to-business que terão potencial para lucrar mais.

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“O turismo espacial recebe muita atenção”, afirma Tess Hatch, sócia da Bessemer Venture Partners, com foco em investimento no setor espacial. “Mas existe uma economia – o resto do mercado – com foguetes, satélites e infraestrutura para comunicar e fabricar os satélites.

Resumindo, são as coisas que tornarão a vida cotidiana possível no futuro Império Galáctico.

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