Bloomberg — A xAI, startup de inteligência artificial de Elon Musk, tem consomido caixa rapidamente, com prejuízos crescentes à medida que investe na construção de data centers, na contratação de talentos e no desenvolvimento de software que, no futuro, deverá alimentar robôs humanoides, segundo documentos internos.
A xAI registrou prejuízo líquido de US$ 1,46 bilhão no trimestre encerrado em setembro, acima do prejuízo de US$ 1 bilhão no primeiro trimestre, mostram documentos analisados pela Bloomberg News. Nos primeiros nove meses do ano, a empresa consumiu US$ 7,8 bilhões em caixa.
Assim como outras startups de IA em rápido crescimento, a xAI vem utilizando rapidamente os recursos captados nas rodadas recentes, segundo informou em seu relatório de resultados mais recente e em uma teleconferência com investidores realizada por executivos da companhia, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.
A empresa disse aos investidores que seu objetivo é construir uma IA autossuficiente, que no futuro dará suporte a robôs humanoides como o Optimus — robô da Tesla criado para substituir trabalho humano.
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Na teleconferência com investidores, a liderança da xAI — incluindo o diretor de receita (Chief Revenue Officer), Jon Shulkin — afirmou que o foco central da empresa agora é acelerar a construção de agentes de IA e outros softwares, disseram as pessoas, que pediram anonimato por se tratar de conversas privadas.
Esses produtos alimentarão o que é chamado de “Macrohard” — termo que Musk disse se referir a uma empresa de software exclusivamente de IA, em uma alusão ao nome “Microsoft” — até que, no futuro, possam dar suporte ao Optimus.

Executivos da empresa sinalizaram aos investidores que a xAI dispõe dos recursos necessários para continuar gastando de forma agressiva.
Os documentos se referem ao crescimento acelerado da IA como “velocidade de escape” — termo emprestado da astrodinâmica e frequentemente usado por Musk para descrever o ritmo de expansão de suas empresas, incluindo a Space X.
A receita da xAI quase dobrou na comparação trimestral, alcançando US$ 107 milhões no período de três meses encerrado em 30 de setembro de 2025, segundo documentos financeiros compartilhados com investidores e analisados pela Bloomberg News.
Um representante da xAI se recusou a comentar.
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Embora Musk comande diversos negócios e projetos distintos, ele frequentemente entrelaça seus propósitos e recursos. O Grok, chatbot da xAI, foi totalmente integrado ao X, a rede social anteriormente conhecida como Twitter, e também está disponível em veículos da Tesla.
A SpaceX, empresa de foguetes de Musk, já investiu na xAI, que por sua vez gastou centenas de milhões de dólares em baterias Megapack da Tesla.
Musk já falou sobre os potenciais benefícios de uma ligação formal entre xAI e Tesla, mas a montadora não é atualmente investidora da startup de IA.
Em novembro, acionistas da Tesla votaram sobre a possibilidade de a empresa investir na xAI — ideia apoiada por Musk —, mas a proposta, de caráter não vinculante, não obteve votos suficientes para ser aprovada.
O conselho da Tesla avalia os próximos passos, disse à época o diretor jurídico (General Counsel) Brandon Ehrhart.
A possibilidade de a xAI alimentar os robôs humanoides da Tesla pode ser vista como conflitante com declarações anteriores da liderança da montadora, que buscavam retratar o trabalho das duas empresas como em grande parte separado e sem relação direta.
“A xAI está trabalhando em inteligência artificial geral, ou superinteligência artificial. A Tesla está tentando desenvolver carros autônomos e robôs autônomos”, disse Musk em 2024. “São problemas diferentes.”
Por ora, a xAI Holdings, empresa-mãe da xAI e do X, concentra-se em levantar recursos para acompanhar suas elevadas despesas.
Recentemente, a companhia concluiu uma rodada de capital próprio de US$ 20 bilhões com investidores como Nvidia, Valor Equity Partners e a Qatar Investment Authority, que avaliou o grupo em US$ 230 bilhões.
Esse caixa deve sustentar a empresa por mais de um ano, já que ela ainda investe menos de US$ 1 bilhão por mês, segundo pessoas familiarizadas com suas finanças. A xAI utilizou quase US$ 8 bilhões em caixa em investimentos nos primeiros nove meses de 2025, mostram os documentos financeiros.
A xAI tem levantado recursos tanto via capital próprio quanto via dívida. A empresa trabalhou com a Valor Capital e a Apollo Global Management em um veículo de propósito específico para a compra de chips da Nvidia e espera fechar mais acordos em breve para continuar expandindo seu data center Colossus, em Memphis, no Tennessee.
A companhia já planeja ampliar o complexo de Memphis e adquiriu recentemente um terceiro prédio na região, o que elevará sua capacidade computacional para quase 2 gigawatts, disse Musk no fim do ano passado.
Essa expansão, que tecnicamente fica no Mississippi, do outro lado da divisa estadual, envolverá um investimento superior a US$ 20 bilhões, segundo o governador do Mississippi, Tate Reeves. “A xAI está crescendo a um ritmo incomensurável”, acrescentou Musk em um comunicado à imprensa.
A teleconferência da xAI com investidores também serviu para apresentar a nova liderança da empresa e seus planos para expandir as vendas e sustentar os investimentos massivos em IA.
Anthony Armstrong, ex-banqueiro do Morgan Stanley, ingressou na xAI e no X como diretor financeiro (Chief Financial Officer), enquanto Shulkin, sócio da Valor Equity, também assumiu uma nova função na xAI no fim do ano passado, segundo pessoas familiarizadas com a empresa.
Armstrong e Shulkin não responderam imediatamente a pedidos de comentário. Mike Liberatore, o CFO anterior da xAI, deixou a companhia no outono passado após apenas três meses no cargo.
Na teleconferência, executivos da xAI demonstraram otimismo em relação aos resultados, destacando o crescimento da receita. Ainda assim, a empresa pode não atingir sua meta anual.
Em junho, informou aos investidores que esperava alcançar US$ 500 milhões em receita no ano. Até setembro, a xAI havia reportado mais de US$ 200 milhões em vendas.
O lucro bruto, porém, aumentou, e a empresa registrou US$ 63 milhões de lucro bruto no terceiro trimestre, acima dos US$ 14 milhões do trimestre anterior, mostram os documentos.
Apesar disso, os prejuízos da xAI continuam a crescer. O Ebitda — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — permaneceu negativo.
A empresa reportou prejuízo de Ebitda de US$ 2,4 bilhões até setembro, indicando que os resultados ainda não compensam as despesas. Isso não é incomum para startups, que frequentemente exigem grandes volumes de capital para crescer e levam tempo até se tornarem lucrativas.
Ainda assim, as perdas da xAI superaram as expectativas iniciais; anteriormente, a empresa projetava um prejuízo de Ebitda de US$ 2,2 bilhões para o ano inteiro, segundo reportagem anterior da Bloomberg News.
A xAI ainda não divulgou aos investidores os resultados de fim de ano, que, segundo executivos, foram positivos.
Até agora, a xAI levantou pelo menos US$ 40 bilhões em capital próprio, incluindo a rodada mais recente de US$ 20 bilhões anunciada no início deste mês.
A empresa pagou quase US$ 160 milhões em remuneração baseada em ações até setembro, reflexo da intensificação da disputa por talentos em inteligência artificial.
-- Com a colaboração de Ed Ludlow e Denise Wee.
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