QuintoAndar dobra aposta em IA com investimento de R$ 2 bilhões e inaugura nova sede

Ao inaugurar sua nova sede em São Paulo, o QuintoAndar inicia uma nova fase de sua estratégia e busca colocar a inteligência artificial no centro de cada etapa da jornada de compra, venda e aluguel de imóveis, com investimentos em tecnologia nos próximos dois anos

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Bloomberg Línea Brasil — O QuintoAndar está de mudança. Cinco anos após sua última alteração de endereço — realizada às vésperas de uma pandemia —, a plataforma de locação e venda de imóveis inaugura a sua nova sede na Vila Leopoldina, em São Paulo.

O movimento coroa um período em que a companhia escalou sua operação em 15 vezes, expandiu-se pela América Latina por meio de aquisições e consolidou sua liderança nos segmentos de aluguel e compra e venda no Brasil.

Mais do que uma troca de endereço, o novo espaço, batizado de Vila QuintoAndar, materializa a transição da proptech para uma organização orientada por inteligência artificial (IA).

Ao abrir as portas da nova casa à imprensa, o Quinto Andar anunciou investimentos de R$ 2 bilhões em tecnologia para os próximos dois anos.

O montante, que a startup disse ser oriundo da própria geração de caixa, será usado para que a inteligência artificial deixe de ser um recurso periférico para se tornar a espinha dorsal da operação da proptech.

De acordo com Braga, o impacto mais profundo tem ocorrido da porta para dentro, na eficiência operacional do time de desenvolvimento.

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“O mundo mudou muito. Hoje, 80% do nosso código é feito com auxílio de IA. A velocidade com que a gente consegue lançar novas features, melhorar o produto existente e lançar novos produtos acelerou e vai acelerar ainda mais”, afirmou Gabriel Braga, CEO e cofundador do QuintoAndar, ao destacar que as ferramentas de automação geraram um ganho de produtividade de três a cinco vezes para o time de engenharia.

”Nós entendemos que cada real investido em tecnologia vai ter mais reforço com a AI e estamos dobrando a aposta”.

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Na ponta do cliente, a ambição da companhia é transformar a jornada tradicional de busca e transação imobiliária — historicamente analógica e baseada em interações humanas — em uma experiência conversacional fluida.

O QuintoAndar, que já utilizava modelos de IA para interpretar características subjetivas em fotos de imóveis e realizar buscas contextualizadas, agora avança com agentes virtuais e um concierge digital focado no suporte 24/7.

“Procurar, alugar, comprar ou vender uma casa sempre foi um negócio muito conversacional porque cada transação depende da região, do perfil da pessoa, das limitações financeiras e do objetivo”, disse Braga.

“O software tradicional exigia padronizar muitos processos para funcionar. A inteligência artificial refaz isso tudo. Você tem uma tecnologia que é super sofisticada nos bastidores, mas é super simples de usar”.

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Segundo o CEO, o objetivo é criar uma experiência, a partir da memória e do contexto dos agentes, que conecte todos os canais do cliente, seja no aplicativo, browser ou aplicativos como o WhatsApp.

O aplicativo, por exemplo, deve ser remodelado inteiramente nos próximos meses - hoje, apenas a IA aparece apenas em alguns recursos.

“Como a nossa jornada é muito longa, tanto o processo de aluguel quanto a procura de uma casa, a pessoa vai usar diferentes meios”, diz.

“Normalmente, é difícil lidar com WhatsApp e o aplicativo porque as conversas se perdem. E nós queremos fazer disso uma coisa só”.

Os próximos desafios da IA

Para além da experiência do usuário, a empresa enxerga na inteligência artificial uma alavanca para resolver um dos maiores gargalos do mercado imobiliário brasileiro: a liquidez.

Segundo o co-fundador da proptech, três fatores sustentam a dinâmica de um mercado imobiliário mais ágil — e a tecnologia atua em todos eles.

O primeiro é a consolidação de oferta e demanda em uma mesma plataforma. O mercado atual segue muito fragmentado e um imóvel adequado para determinado comprador pode existir sem que as partes jamais se encontrem.

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A ambição é conectar não apenas quem busca imóveis pelo aplicativo, mas também imobiliárias e corretores locais, que passam a operar dentro do mesmo ecossistema — inclusive via WhatsApp, integrado diretamente aos agentes de IA.

O acesso ao crédito também exerce uma pressão, logo que a maioria dos compradores depende de financiamento, e a burocracia envolvida ainda é um fator de exclusão. A IA, de acordo com Braga, permite personalizar as análises de crédito com muito mais precisão, guiando o cliente por um processo que, para a maioria das pessoas, ocorre apenas uma ou duas vezes na vida.

E - talvez o elemento mais complexo na equação - a precificação correta dos imóveis. No Brasil, o tempo médio para vender um imóvel é de 400 dias, em grande parte porque proprietários frequentemente precificam seus bens fora da realidade de mercado.

O Quinto Andar tem trabalhado em modelos capazes de cruzar dados de transações efetivas realizadas dentro e fora da plataforma com variáveis altamente específicas do imóvel — como o tipo de piso, o andar, a presença de trincas na fachada ou o que se vê pela janela. “A IA é melhor em convencer o proprietário disso, porque, às vezes, nós fazemos isso, e, às vezes, não temos dado velocidade suficiente ao processo”, afirmou Braga.

Apesar do avanço da automação, o QuintoAndar não aposta na substituição do corretor humano. A tese é oposta: a IA deve tornar o profissional mais produtivo, não obsoleto. Segundo Braga, a plataforma já multiplicou por dez a produtividade dos corretores parceiros em termos de transações fechadas.

“O corretor tem uma presença física, vai ao imóvel, conhece a região. A IA traz muita informação e complementa esse trabalho”, disse Braga. “No final, o cliente ainda quer trocar uma ideia com alguém que tem sua confiança, que entende aquele mercado local.”

O novo endereço

A nova sede reflete a reestruturação geográfica pela qual a proptech passou desde 2020, expandindo sua atuação para mercados como México, Argentina e Peru, além de estruturar um hub de tecnologia em Portugal.

O projeto do escritório em São Paulo, com 7 mil metros quadrados, foi concebido para preservar a premissa do modelo híbrido de trabalho.

A plataforma conta com um time de mais de 3.000 funcionários - 1.800 estão em São Paulo. A estrutura foca em espaços coletivos, incluindo um auditório para 300 pessoas e mais de 100 posições em salas de reunião.

“Não tem uma mudança drástica de política, mas muda o estilo, a infraestrutura que a gente tem para apoiar momentos de colaboração presencial. A política que temos hoje de modelo híbrido vai se manter porque ela permite expandir muito os lugares onde encontramos os nossos talento”, afirmou o CEO.

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