Bloomberg Línea — O Nubank anuncia nesta quinta-feira (15) mais um passo para ampliar a rentabilização por cliente e fincar pé em um dos territórios mais disputados por grandes bancos e corretoras no Brasil: a gestão e a consolidação de investimentos.
O neobanco apresentou o Nu Smart Invest, funcionalidade baseada em inteligência artificial e análise de dados que avalia a saúde da carteira do cliente, atribui uma nota de até mil pontos e sugere ajustes de alocação de forma personalizada.
A iniciativa coloca o Nubank numa corrida tecnológica que ganha tração entre as principais instituições financeiras do país.
Nos últimos meses, concorrentes de peso como Itaú Unibanco, BTG Pactual e XP Investimentos, além de fintechs como a Decade e a CloudWalk, com o Pierre, também intensificaram a integração de algoritmos generativos e diagnósticos automatizados de carteira para orientar o investidor de varejo e de média renda.
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O Nu Smart Invest analisa cinco pilares (diversificação, retorno, liquidez, proteção e eficiência) para identificar lacunas na carteira mantida no próprio aplicativo.
O cliente que se declara conservador e concentra 100% do patrimônio em CDBs que pagam 100% do CDI, por exemplo, recebe uma nota que expõe o desequilíbrio e a indicação de ativos capazes de tornar a carteira mais saudável diante do objetivo declarado.
“As indicações não significam garantia de retorno. Significa que ativos em que você pode trabalhar diversificação, retorno, liquidez, proteção e eficiência deixam uma carteira mais saudável”, afirmou Patricia Whitaker, diretora de Investimentos do Nubank. A decisão de investir, ressalta, permanece com o cliente: o produto não executa nenhuma compra de forma automática.
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O produto começa a ser oferecido gradualmente e, por ora, apenas no mercado local, apesar da ambição global. O recurso é aberto a todos os clientes, sem distinção de segmento, e sem cobrança. “Não tem custo agora, nem discutimos essa parte ”, disse, complementando que o foco está em gerar “experiência” para os clientes. A única exigência é ter ao menos R$ 1 investido, já que o diagnóstico parte da carteira existente.
A evolução para uma visão consolidada, que reúna os investimentos do cliente em outras instituições, a partir de dados do Open Finance, também está no radar.
Neutralidade como argumento
O ecossistema de investimentos brasileiro convive historicamente com o debate sobre o modelo de comissionamento de assessores e corretoras, no qual a recomendação de um produto pode gerar conflito de interesse entre o intermediador e o cliente final. É nesse ponto que o Nubank constrói o discurso do novo produto.
“A ideia é usar inteligência de dados e inteligência artificial para fazer um diagnóstico imparcial da carteira e, com isso, apresentar sugestões personalizadas. Não existe uma corrida por um ativo comercial que vá render comissão”, disse Whitaker.
Segundo a executiva, cada recomendação parte da carteira que o cliente já tem, do perfil de risco e do objetivo, e vem acompanhada de uma explicação, ativo por ativo, sobre como ela afeta a composição do patrimônio.
Esse componente explicativo, na avaliação da diretora, cumpre também uma função educacional dentro da experiência do aplicativo. “O cliente não precisa saber o que é uma LCA, mas vai entender por que uma LCA está sendo recomendada para a carteira dele”, afirmou.
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Ela citou como exemplo o investidor que, por receio de prazos longos, aplica sempre em papéis de seis meses e acaba pagando alíquota maior de Imposto de Renda, ou o caso de um fundo e um ETF com o mesmo objetivo, mas custos distintos.
A estratégia do Nubank com o produto se insere no movimento de ir além de produtos como conta de pagamentos e do cartão de crédito para capturar uma fatia maior do share of wallet de seus mais de 118 milhões de clientes no Brasil.
A tecnologia do Nu Smart Invest foi desenvolvida internamente ao longo deste ano, com ciclos de pequenos testes e pesquisas com clientes para definir as dimensões de análise. Entre os usuários que já testaram a ferramenta, a executiva diz ter observado aportes em ativos que eles dificilmente comprariam por conta própria, a partir do momento em que entendem a lógica da recomendação.