Guerra do delivery: iFood aciona 99Food por recrutar funcionários com non-compete

Notificação extrajudicial veio após relatos de que recrutadores da 99Food abordaram colaboradores do iFood com cláusulas de non-compete pelo LinkedIn; 99Food diz em nota à Bloomberg Línea que cumpre requerimentos da lei brasileira

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Bloomberg Línea — O campo de batalha comercial entre o iFood e a 99Food ganhou uma nova arena: a disputa por talentos.

A plataforma brasileira notificou extrajudicialmente sua recém-chegada rival com o pedido para que cesse a prática de recrutar funcionários que ocupam cargos estratégicos e possuem cláusulas de non-compete em seus contratos de trabalho - ou seja, que em geram fixam prazos para atuação em empresas do mesmo setor.

Procurada pela Bloomberg Línea, a 99Food enviou uma nota em que diz que representa “uma alternativa real que oferece perspectiva de crescimento com desafios que valorizam os talentos do mercado, e fazemos isso cumprindo todos os requerimentos da legislação brasileira” (veja a íntegra abaixo).

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A notificação, enviada em 30 de junho, ocorreu após relatos de que recrutadores da 99Food abordaram colaboradores do iFood pelo LinkedIn e afirmaram que cláusulas de non-compete “não seriam um problema” em eventual contratação.

O movimento acendeu alerta no iFood, controlada pela holding europeia Prosus, sobre a possibilidade de vazamento de informações estratégicas e confidenciais, dada a atuação dos profissionais assediados.

Em paralelo, o iFood já entrou com ações na Justiça do Trabalho de São Paulo contra ex-colaboradores foram contratados pela 99Food, controlada pela chinesa DiDi, em desacordo com os termos de non-compete.

Em algumas dessas ações, juízes concederam liminares que determinavam o desligamento imediato dos profissionais.

Segundo informações apuradas com fontes a par do assunto pela Bloomberg Línea, executivos foram contratados com valores, incluindo bônus de entrada, que chegam ao dobro dos valores recebidos no iFood.

As ações judiciais foram protocoladas em casos de profissionais em cargos de liderança.

A notificação extrajudicial busca abranger um público mais amplo - ou seja, todos os funcionários da plataforma brasileira com cláusulas de non-conpete.

Desde o início da nova onda de investimento no mercado de delivery, no primeiro semestre deste ano, profissionais do iFood têm sido constantemente procurados por equipes de recursos humanos das novas entrantes - algo de certa forma esperado dado o seu domínio e a sua experiência no mercado brasileiro.

Além da 99Food, que retorna ao mercado depois de anos de ausência, a Keeta, braço internacional da chinesa Meituan, e a DoorDash, que mantém um time de tecnologia no país, têm feito movimentos semelhantes.

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A 99Food, a única das entrantes já em funcionamento no país, com operações em Goiânia e em São Paulo, entrou na mira do iFood, que domina o mercado de delivery há muitos anos e detém 70% de market share, segundo dados da Euromonitor.

Recentemente, o iFood denunciou uma campanha publicitária em que o 99Food anunciou os benefícios de seus serviços para restaurantes parceiros, batizada de “taxa zero por 2 anos”.

O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação do Mercado Publicitário) julgou a denúncia procedente, em termos, e sugeriu alterações na peça veiculada.

Por unanimidade, o conselho avaliou que expressões como “com 100% dos seus ganhos” e “0% de taxas” ferem o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (CBAP).

Por outro lado, o órgão decidiu pelo arquivamento, por maioria dos votos, de uma segunda representação quanto ao uso do termo “maximização de lucros”.

O retorno da 99 ao delivery foi anunciado nos últimos meses e prevê R$ 1 bilhão em investimentos ao longo de 2025. O plano da empresa é levar o seu modelo de delivery para pelo menos cem municípios até meados do ano que vem.

O que diz a 99Food

Em nota enviada à Bloomberg Línea, a 99Food disse que “está promovendo mudanças profundas no mercado de entrega de comida no Brasil, criando uma nova opção não só para restaurantes, entregadores e consumidores mas também para os profissionais que atuam neste setor”.

“Hoje, representamos uma alternativa real que oferece perspectiva de crescimento com desafios que valorizam os talentos do mercado, e fazemos isso cumprindo todos os requerimentos da legislação brasileira.”

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