Bloomberg — A ByteDance está preparando um modelo de IA voltado para a geração de vídeos espaciais em tempo real, enfrentando a Meta Platforms e a Alphabet em um campo com aplicações em robótica e sistemas autônomos.
O fundador Zhang Yiming está supervisionando pessoalmente o desenvolvimento de um novo modelo, cujo lançamento está previsto para já no próximo mês, segundo pessoas a par do assunto que falaram com a Bloomberg News.
O bilionário vem coordenando os esforços das unidades de negócios em toda a empresa e alocando recursos de IA e capacidade computacional para o projeto, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas ao discutir informações confidenciais. A data do lançamento ainda não está definida e os planos podem sofrer alterações, afirmou uma das fontes.
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Baseado no Seedance — o modelo de IA existente da ByteDance para a geração de vídeos cinematográficos —, o modelo permitiria que os usuários criassem mundos virtuais interativos para transmissões ao vivo, minisséries e jogos, afirmaram as fontes. Um porta-voz da ByteDance não respondeu a um pedido de comentário.
Zhang espera que seu mais recente modelo de IA leve o criador do TikTok à arena em expansão dos modelos mundiais, munido de expertise de ponta em vídeo.
Ele se juntaria a nomes como Fei-Fei Li e Yann LeCun na exploração de uma abordagem visual à IA considerada crucial para a robótica, jogos e carros autônomos.
A iniciativa faz parte de uma mudança estratégica em andamento na ByteDance, à medida que a empresa sediada em Pequim redireciona grande parte de suas operações comerciais para a IA generativa.
Ela está tentando alcançar rivais nacionais de grande porte, como a Alibaba Group Holding e a Moonshot AI, no lançamento de modelos de linguagem de ponta, ao mesmo tempo em que compete com a Tencent Holdings Ltd. no mercado de software de IA empresarial.
Zhang vê o modelo de vídeo espacial — que colocaria o usuário em um mundo tridimensional muito semelhante ao Genie, do Google — como um impulsionador, conectando os modelos de IA e os recursos de computação em nuvem da ByteDance às suas plataformas de conteúdo e ao hardware da Pico, sua divisão de realidade estendida, afirmaram as fontes.
O que diz a Bloomberg Intelligence
A expansão simultânea da ByteDance nos setores de IA, computação em nuvem e comércio eletrônico da China é uma estratégia de alto risco que promete aumentar substancialmente seu mercado potencial, à custa das margens e do fluxo de caixa no curto prazo. Embora tenha um sólido histórico como disruptora do setor, o ambicioso plano depende fortemente de descontos agressivos nos preços para conquistar participação de mercado de empresas estabelecidas e bem posicionadas, como a Alibaba. É improvável que o plano gere retorno no curto prazo — conforme destacado pela queda não confirmada de 70% no lucro operacional em 2025, segundo a Bloomberg News — embora a ByteDance possua solidez financeira suficiente para uma ofensiva sustentada.
-Robert Lea e Jasmine Lyu, analistas.
Tanto os sistemas da ByteDance quanto os do Google fazem parte de uma iniciativa centrada em vídeo para construir modelos capazes de simular ambientes físicos para agentes de IA.
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O Genie foi lançado no início deste ano para permitir que os usuários interajam com um mundo renderizado em tempo real.
Se for bem-sucedido, o novo modelo poderá abrir uma nova frente na rivalidade da ByteDance com a Meta e a Apple, que têm investido fortemente em dispositivos de realidade virtual e mista.
A Meta tem buscado construir um ecossistema voltado para o mercado de massa em torno de seus headsets Quest, enquanto a Apple posicionou o Vision Pro como uma plataforma premium de computação espacial. Ambas têm enfrentado dificuldades para se tornarem populares.
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O mais recente modelo da ByteDance visa gerar mundos virtuais que respondam às vozes ou aos movimentos dos usuários dos headsets Pico. O modelo pode oferecer vídeos sob demanda com uma latência de cerca de 0,05 segundos a 20 quadros por segundo e fornecer ambientes e interfaces de computação espacial, afirmou uma das fontes.
O modelo chinês busca reduzir o custo inicial da adoção da RV, transferindo para a nuvem o processo computacionalmente intensivo de geração de conteúdo espacial.
Isso reduziria a capacidade de processamento exigida nos óculos de realidade virtual e abriria caminho para um hardware mais barato e menos sofisticado. A geração rápida de conteúdo também pode ajudar a deslocar o foco da disputa pelos usuários das especificações de hardware para modelos de IA, infraestrutura de computação e plataformas de distribuição de conteúdo.
O Seedance emergiu como o maior sucesso da ByteDance em IA, mesmo enquanto a empresa enfrenta um mercado doméstico altamente concorrido.
Ele sustenta uma série de produtos da ByteDance, incluindo o CapCut e o Doubao, o chatbot de IA mais popular da China. A ferramenta de vídeo também se tornou a escolha preferida de estúdios de cinema independentes, criadores de conteúdo e startups emergentes de IA.
A ByteDance, fundada por Zhang em parceria com Liang Rubo em 2012, garantiu um empréstimo de US$ 30 bilhões enquanto se apressa para expandir suas capacidades de IA e adquirir centros de dados e outros equipamentos, informou a Bloomberg na semana passada.
--Com a colaboração de Zheping Huang e Debby Wu.
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