Com Qira AI, Lenovo planeja ‘IA pessoal’ para cada usuário de seus aparelhos

Gigante chinesa apresenta super agente de IA que funcionará em todos os seus dispositivos e promete experiência personalizada; monetização não é prioridade no curto prazo, dizem executivos

Yuanqing Yang, CEO e chairman da Lenovo:  A Qira procura personalizar o conceito de AI para cada um dos consumidores e indivíduos
08 de Janeiro, 2026 | 03:26 PM

Bloomberg Línea — Quando os executivos da Lenovo subiram ao palco da Sphere, em Las Vegas, para apresentar o Lenovo TechWorld na CES, a grande atração da noite não foram os novos notebooks ou smartphones da Motorola, e, sim, a Qira, uma plataforma de IA com o qual a companhia chinesa pretende unificar a personalizar a experiência dos clientes.

Prevista para chegar ao mercado para os próximos meses, a ferramenta embarcada promete integrar todo o ecossistema de produtos da companhia, incluindo PCs, smartphones, tablets e acessórios inteligentes.

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“A Qira procura personalizar o conceito de AI para cada um dos consumidores e indivíduos. Eu acredito que no futuro todos terão a sua própria IA, que usará os dados gerados de todos os tipos de dispositivos pessoais”, afirmou Yuanqing Yang, CEO e chairman da Lenovo, em evento com a imprensa.

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Ao longo do tempo, a Qira será mais um componente na estratégia da companhia para avançar em serviços, uma vertical em expansão na Lenovo nos últimos anos.

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A frente é hoje a menor entre as três divisões de negócio - as outras são a de dispositivos e a de infraestrutura - e fechou os seis primeiros meses do ano fiscal de 2025-2026 com receitas de US$ 4,8 bilhões, uma alta de 18,9% na comparação com igual período no ano fiscal anterior.

A receita total da Lenovo no período foi de US$ 41,7 bilhões.

Segundo os executivos da companhia, o modelo de negócio ainda está sendo desenhado. “Monetização não é a prioridade no curto espaço de tempo. Isso não significa que não tenhamos um plano”, disse Luca Rossi, presidente de dispositivos inteligentes da Lenovo.

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O executivo italiano afirmou que o foco está na experiência dos usuários no momento. E, para além disso, a definição desses modelos depende do ganho de escala do produto no mercado.

“Hoje, temos escala em aparelhos e queremos também para a Qira. Quando conseguirmos, podemos começar a pensar em serviços de valor agregado que os consumidores estarão dispostos a pagar”, complementou.

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A nova plataforma surge com um passo além de modelos como o Moto IA e o Tianxi e foi desenvolvida para entender os usuários e executar ações entre diferentes dispositivos, aplicativos e serviços.

Utilizando entradas multimodais e uma base de conhecimento pessoal, a Qira AI aprende com as informações que os usuários escolhem compartilhar, oferecendo assistência contextualizada que acompanha o usuário independentemente do dispositivo que esteja utilizando.

No palco da Lenovo TechWorld, a Qira revisou mensagens de familiares, e-mails de trabalho, vídeos criados no PC e sugeriu atividades para tempo livre com base na agenda dos usuários.

Também redigiu posts para redes sociais incorporando fotos tiradas pelo smartphone e formatou documentos profissionais com dados atualizados.

Na prática, a solução transforma insights em ação ao coordenar tarefas entre dispositivos e fluxos de trabalho diferentes. Ou seja, para além do universo pessoal, a Lenovo aposta em um modelo híbrido, incluindo o ambiente profissional.

A Qira nasce como uma plataforma aberta para funcionar em sistemas diversos, como Windows e Android, e também com a possibilidade de ser plugada em dispositivos de outras marcas.

“Mas a ideia é que as pessoas que tenham um produto Motorola ou Lenovo vejam um valor de contar com esses equipamentos integrados”, disse Ricardo Bloj, General Manager da Lenovo para o Brasil. “A experiência de trabalhar dentro dessa “mente’ Lenovo e Motorola vai ser bem diferente.”

A nova plataforma surge com um passo além de modelos como o Moto IA e o Tianxi e foi desenvolvida para entender os usuários e executar ações entre diferentes dispositivos, aplicativos e serviços.

Para os aparelhos tradicionais como notebooks e smartphones, o sistema estará embarcado em dispositivos como smartwatches e outras ainda em prova de conceito, caso dos óculos inteligentes e um pingente de IA perceptivo da Motorola.

Com mais de 25% de participação no mercado de PCs, a Lenovo acredita que a nova investida tem um potencial de causar ruídos. Isso porque representa a entrada de uma das maiores fabricantes de dispositivos em um mercado disputado por companhias como Google, com Gemini, OpenAI e Anthropic.

“Não acho que o princípio de ‘winner takes all’ [o vencedor leva tudo] se aplica aqui. Na nossa indústria, neste era, nós precisamos de cooperação e parcerias. Ninguém pode fazer tudo”, afirmou o CEO Yang sobre a integração da Qira com outras plataformas.

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