ByteDance, proprietária do TikTok, avalia expansão de data center no Brasil

A iniciativa seria ainda maior do que o projeto de US$ 10 bilhões atualmente em construção no Ceará, afirmam fontes

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Bloomberg — A ByteDance, proprietária do TikTok, considera expandir um projeto de data center no nordeste do Brasil, uma iniciativa que reforçaria sua posição como principal player de infraestrutura de dados da América Latina.

A empresa sediada em Pequim está buscando uma incorporadora para supervisionar a segunda fase de um projeto em um porto industrial no estado do Ceará, onde se beneficia de incentivos fiscais para a exportação de dados, segundo pessoas a par do processo que pediram para não ser identificadas ao discutir informações confidenciais.

Está em jogo o esforço do Brasil para se manter como um player competitivo de data centers, em um momento em que países, incluindo o Chile e a Argentina, estão oferecendo incentivos e criando infraestrutura para atrair os mesmos tipos de investimentos.

A expansão seria ainda maior do que o projeto de US$ 10 bilhões e 300 megawatts atualmente em construção, também no Ceará, afirmaram as fontes. A ByteDance também está em negociações iniciais com desenvolvedores para um data center de tamanho semelhante fora do porto de Pecém, acrescentaram algumas das fontes. O projeto atenderia clientes no Brasil, enquanto os data centers em Pecém são obrigados a exportar os dados para se qualificarem para isenções fiscais.

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A ByteDance não respondeu a um e-mail solicitando comentários.

Para apoiar sua aposta na IA como seu próximo motor de crescimento, a ByteDance está focada em aumentar os gastos com hardware para equipar melhor suas instalações.

No entanto, a reação negativa dos eleitores contra os data centers nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos ameaça desacelerar a expansão em andamento e levar os desenvolvedores a considerar outros locais, como o Brasil.

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A capacidade dos data centers do Brasil mais que dobrou desde 2022, ultrapassando um gigawatt, de acordo com o grupo setorial Brasscom. A entidade prevê que a capacidade instalada cresça cerca de 20% ao ano até 2031, quase triplicando em relação aos níveis de 2025. Pecém está localizada em uma das regiões mais atraentes do Brasil para geração eólica e solar, o que torna os data centers menos dependentes de linhas de transmissão do que outros projetos no sul do Brasil.

No ano passado, a ByteDance anunciou que investiria R$ 200 bilhões (US$ 36 bilhões) em um complexo de data centers em Pecém, a ser construído em fases. A construção da primeira etapa teve início no início de 2026.

A cidade de Fortaleza, próxima a Pecém, abriga o maior centro de cabos de fibra óptica da América do Sul, que pode ser utilizado para exportação de dados.

“A região em torno de Fortaleza, e o Nordeste em geral, se destacam porque os cabos submarinos do Brasil chegam exatamente ali”, afirmou o presidente da Brasscom, Affonso Nina. “Essa é uma localização privilegiada.”

Incentivo ao investimento

A construção de data centers no Brasil deve acelerar após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter assinado, em setembro, medidas de isenção fiscal para a importação de equipamentos. As medidas reduzem a carga tributária sobre servidores, processadores e equipamentos de rede importados em cerca de um terço, contribuindo para tornar a maior economia da América Latina um local mais competitivo para data centers.

O setor ainda aguarda que o governo publique regulamentações detalhando quais produtos se qualificarão para os incentivos fiscais.

Os data centers contam com apoio bipartidário no Brasil e, ao contrário dos Estados Unidos, a oposição local tem sido limitada. Lula prometeu trazer mais data centers para o Brasil em seu discurso de vitória após ser reeleito em outubro.

Embora o setor tenha comemorado a aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter no Brasil (Redata), ainda existem obstáculos para que o país alcance seu potencial, como a expansão das linhas de transmissão de energia elétrica para levar mais energia renovável aos centros populacionais no sul do Brasil.

“Ainda temos outros desafios”, afirma a sócia especializada em energia do escritório de advocacia BMA Advogados, Bruna de Barros Correia. “Temos uma rede de transmissão que não consegue acomodar todas as usinas que buscam se conectar ao sistema.”

-- Com a colaboração de Zheping Huang.

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