Bloomberg Línea — O sistema financeiro nacional voltou a ser alvo de um ataque de cibercriminosos, desta vez afetando a Sinqia, empresa de banking as a service, que oferece serviços de tecnologia para o setor.
A empresa informou que detectou atividade suspeita no ambiente Pix na sexta-feira (29), de acordo com um comunicado, e confirmou ter sido alvo do ataque.
A companhia não detalhou quantos clientes foram afetados, mas disse se tratar de “um número limitado de instituições financeiras”. A Sinqia não informou os valores desviados na ação.
O crime ocorre dois meses depois do maior ataque hacker da história do país, que afetou especialmente a C&M Software, que integra bancos de pagamento ao Banco Central. Nesse ataque anterior, a estimativa à época foi de um roubo acima de R$ 1 bilhão.
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A Sinqia reforçou que o incidente se limita apenas ao ambiente Pix. “Não há evidências de atividade suspeita em nenhum outro sistema da Sinqia além do Pix, e esse problema afeta apenas a Sinqia no Brasil. Além disso, neste momento, não temos indicação de que quaisquer dados pessoais tenham sido comprometidos”, informou a companhia.
A empresa diz que o ambiente Pix foi isolado de todos os outros sistemas da Sinqia e desconectado do Banco Central pela própria empresa enquanto o ataque é investigado.
“Em segundo lugar, por precaução, estamos trabalhando ativamente para reconstruir os sistemas afetados em um novo ambiente com monitoramento e controles aprimorados.”
A companhia disse que assim que o ambiente for reconstruído, o Banco Central irá revisá-lo e aprová-lo antes de colocá-lo novamente online.
O Banco Central não se manifestou sobre o caso da Sinqia até a publicação da reportagem.
Adquirida pela empresa porto-riquenha Evertec em 2023, a Sinqia tem cerca de mil clientes. Em 2022, último ano em que reportou todos os trimestres, a empresa registrou uma receita líquida de R$ 616,5 milhões.
Em entrevista à Bloomberg Línea em julho deste ano, o CEO Claudio Prado afirmou que a ambição da empresa era alcançar R$ 1 bilhão em receitas.
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