Apple acerta parceria com OpenAI e terá IA em todos os seus aparelhos

Inteligência artificial da empresa se chamará Apple Intelligence; empresa fará mudanças na Siri, que inclui uma parceria com a OpenAI para usar o ChatGPT

Tim Cook, chief executive officer of Apple Inc., during the Apple Worldwide Developers Conference at Apple Park campus in Cupertino, California, US, on Monday, June 10, 2024. The conference will show whether Apple Inc. can become a major player in the burgeoning field of artificial intelligence, marking a critical moment for a company forced to adapt to a new era. Photographer: David Paul Morris/Bloomberg
10 de Junho, 2024 | 04:07 PM

Bloomberg Línea — A novela acabou: a Apple (AAPL) confirmou nesta segunda-feira (10) que vai integrar a tecnologia da Inteligência Artificial em todos os seus aparelhos que rodam com sistemas operacionais, por meio de uma parceria com a OpenAI. Os detalhes foram apresentados durante sua conferência anual para desenvolvedores, o Worldwide Developers Conference (WWDC).

A partir de agora, modelos de inteligência artificial generativa serão usados em todos os sistemas operacionais da companhia, do iOS 18 ao MacOS Sequoia. A IA da Apple é chamada de “Apple Intelligence”.

Outra novidade é a parceria com a OpenAI, que permitirá o uso do ChatGPT 4.0 na Siri, assistente pessoal da Apple, conforme antecipado pela Bloomberg News na última semana.

O acordo representará à OpenAI o acesso a centenas de milhões de usuários da Apple, incluindo aqueles que talvez estivessem hesitantes em experimentar o ChatGPT de outra forma. Para a Apple, o arranjo traz a tecnologia mais “quente” da era da IA que pode ser combinado com seus próprios serviços.

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A Siri permitirá que os usuários se comuniquem com ela por texto - quase como se ela fosse promovida para um chatbot, como o ChatGPT. A assistente pessoal poderá encontrar uma foto da carteira de motorista do usuário, extrair o número do RG, por exemplo, e preencher formulários na web automaticamente.

Será possível também editar e-mails de forma profissional ou amigável e até mesmo editá-los usando a Apple Intelligence nos dispositivos da empresa. Outra novidade é o Genmoji, uma função na qual os usuários poderão criar um emoji de IA baseado em uma descrição por texto.

Ooutra função, chamada de “Image Playground”, permitirá a criação de imagens de inteligência artificial nos dispositivos.

Segundo a empresa, a IA também ajudará os dispositivos a entenderem linguagem, imagem e preferências pessoais, com as notificações do iPhone sendo priorizadas e a possibilidade de criar imagens com base em inteligência artificial para enviar para seus contatos. Mensagens de texto também poderão ser editadas e condensadas com as novas ferramentas.

Leia também: Como a Apple chegou a um acordo antes improvável com a OpenAI para abraçar a IA

“Nós usamos IA e machine learning por anos para nos ajudar a alcançar nossos objetivos [...] Isso vai além da inteligência artificial - é inteligência pessoal, e é o próximo grande passo para a Apple”, afirmou Tim Cook, CEO da empresa, durante o evento.

Depois da apresentação no primeiro dia do WWDC, as ações da Apple caíram perto de 2%, em uma reação considerada morna por parte dos investidores, mas não incomum quando a Apple lança novos recursos há muito tempo esperado.

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Além disso, foram anunciadas mudanças nos sistemas operacionais que têm como base, principalmente, o machine learning. Entre as principais alterações, estão as maiores possibilidades de customização das telas dos iPhones e o aceno de cabeça para atender ou não uma ligação recebida enquanto o usuário está com o fone AirPod Pro.

As atualizações estarão disponíveis oficialmente por volta de setembro.

Confira as atualizações previstas:

iPhone:

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O iOS 18, a nova atualização do sistema operacional do iPhone, aumentará a possibilidade de personalização de ícones de aplicativos, o que vai permitir que o usuário deixe um espaço na tela de início, bem como selecionar as cores de destaque dos apps - com um novo modo escuro e cores escolhidas pelo próprio usuário.

A central de controle do iPhone também mudou. Com a atualização, o usuário poderá descer a tela para ver mais controles disponíveis, como tamanho de texto e controles de casa. Aplicativos de terceiros também poderão ser adicionados na central de controle.

Em relação à segurança, agora será possível bloquear alguns aplicativos pelo Face ID para que outras pessoas não consigam utilizá-los e também escondê-los em uma pasta secreta.

Será possível agendar mensagens de texto para outros usuários, além de permitir a formatação de texto com o uso do bold e itálico, por exemplo. O envio de mensagens via satélite se tornará possível para iPhones a partir do 14.

Outros apps fixos da Apple também serão atualizados, como o Maps, a Wallet, o Gaming e a galeria de fotos. No caso da Wallet, será adicionado uma opção de “tap-to-cash”, um jeito mais rápido de transferir dinheiro.

A principal mudança está no aplicativo de fotos, definido pela Apple como o “maior redesign de todos” na galeria. Agora, em vez de ser separado por guias, o app mostrará todas as imagens em uma única página, com filtros disponíveis na parte inferior da tela — que permitirão visualizar as pastas de “favoritos” e “pessoas e pets”, por exemplo. As pastas mais importantes para os usuários também poderão ser fixadas.

MacBook:

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O OS Sequoia, nova atualização do sistema dos MacBooks, permitirá que os usuários possam espelhar a tela de seus iPhones no computador, o que permitirá o controle do celular mesmo que estejam distantes. O áudio e as notificações do iPhone também serão espelhados no MacBook.

Um novo aplicativo, chamado Passwords, vai facilitar o acesso às senhas salvas pelo usuário.

No Safari, o navegador de internet da Apple, foi adicionado um modo de leitura com resumos e índice, além de destaques que usam inteligência artificial para detectar assuntos que podem ser interessantes para os usuários e mostrá-las em apenas um clique.

iPad:

The iPad Pro on display at an Apple retail store. Photographer: Michael Nagle/Bloombergdfd

Para os iPadOS 18, o sistema operacional dos iPads, foram feitas mudanças parecidas com as do iOS 18, como maior customização da tela inicial.

A calculadora agora também estará disponível no iPad, mas com algumas funcionalidades adicionais em relação às do iPhone - isso vai permitir, por exemplo, a conversão de medidas e a visualização do histórico de cálculos.

Com o uso da Apple Pen, os usuários poderão fazer contas manualmente, como tabelas e somas com apenas um desenho de uma linha sob uma coluna. Escrever com a caneta da Apple no aplicativo de notas também se tornará mais simples, com a possibilidade de apagar algo apenas rabiscando o que já foi escrito manualmente.

Apple Watch

Para o Apple Watch, as novas mudanças vão permitir que o usuário dê uma nota para seus exercícios físicos, além de poder ajustar as metas de atividade física por dia da semana.

Uma atualização no aplicativo Vitals irá mostrar de forma mais detalhada o ritmo cardíaco do usuário, por exemplo.

Com a atualização, será possível traduzir a fala de alguém diretamente do Apple Watch, com o uso de um aplicativo baseado em machine learning. A tecnologia será utilizada também para encontrar as melhores fotos para serem utilizadas como “papel de parede” dos relógios.

AirPods

Os Airpods vão ganhar uma função que permite que os usuários apenas movimentem a cabeça para atender ou não uma ligação. O isolamento de voz também ficará disponível para os Airpods Pro.

Vision Pro

Lançado em fevereiro, o Vision Pro vai ganhar uma nova atualização de sistema, e 2.000 novos aplicativos ficarão disponíveis no visionOS 2. A atualização tornará possível “espacializar” as fotos com o uso de machine learning, o que dará profundidade às imagens já fotografadas.

Também será possível compartilhar fotos e vídeos da galeria com outros usuários. O dispositivo também se tornará disponível em mais oito países, como Canadá, Austrália, França, Alemanha e Singapura.

Rali na bolsa

A ação da big tech subiu quase 20% desde uma baixa em abril, o que a fez retornar a um valor de mercado de US$ 3 trilhões e a ficar a 1% do fechamento recorde alcançado no ano passado.

Embora parte do rali reflita um balanço considerado positivo no início de maio, no qual a Apple anunciou o maior programa de recompra de ações da história dos Estados Unidos, a melhoria do sentimento sobre a IA também tem sido central para a visão otimista.

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Apesar dos ganhos recentes, a alta acumulada no ano da Apple de 2,3% é modesta em comparação com o avanço de 13% do Nasdaq 100.

Ações com exposição mais concreta à IA - incluindo Microsoft (MSFT), Amazon (AMZN), Alphabet (GOOGL) e Meta Platforms (META) — apresentaram ganhos de dois dígitos. A fabricante de chips focada em IA, aNvidia (NVDA), subiu 144%, o que a fez superar a Apple em valor de mercado na semana passada.

O desempenho inferior reflete como o crescimento da Apple ficou atrás do de outras grandes empresas de tecnologia de alto valor de mercado. A receita caiu 4,3% no segundo trimestre fiscal, a quinta contração nos últimos seis trimestres. Apesar disso, a Apple é negociada a 28 vezes os lucros estimados, um prêmio considerável em relação à sua média de 19 vezes, considerando os últimos dez anos.

No evento desta segunda, a Apple também anunciou o lançamento de séries originais da Apple TV+, como a segunda temporada de “Severance”.

- Com informações de Bloomberg News.

Tamires Vitorio

Jornalista formada pela FAPCOM, com experiência em mercados, economia, negócios e tecnologia. Foi repórter da EXAME e CNN e editora no Money Times.