Rodadas da semana: startup de educação recebe aporte de fundações de Lemann e Vélez

Com o aporte de R$ 36 milhões na Letrus, Fundação Lemann e a VélezReyes+ realizam investimento direto e, pela primeira vez, se tornam sócias em um negócio privado

Thiago Rached, co-fundador da Letrus
09 de Dezembro, 2023 | 07:45 AM

Bloomberg Línea — A startup educacional brasileira Letrus recebeu um aporte de R$ 36 milhões em uma rodada que teve a participação da Fundação Lemann e da VélezReyes+, fundação criada por David Vélez (fundador e CEO do Nubank) e sua esposa Mariel Reyes (fundadora do Reprograma). Foi a primeira vez que essas fundações realizam investimento direto em um negócio privado.

A nova rodada de investimentos foi liderada pela Crescera Capital, gestora de venture capital e private equity que já investiu na Abril Educação, Ânima e Alura/FIAP. A Owl Ventures, empresa de venture capital focada em educação dos Estados Unidos, também coliderou o aporte.

O investimento na empresa foi um dos negócios envolvendo startups do Brasil e da América Latina nos últimos dias, incluindo também os aportes nas empresas Brinta, Prosas, Colab, Construex e Nonco.

Conheça as startups que captaram nos últimos dias:

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Letrus

A edtech Letrus recebeu R$ 36 milhões em uma nova rodada que envolve grupos focados em educação e tecnologia como Crescera Capital, Owl Ventures, BID Lab e Altitude (venture capital ancorado pela Península), além da Fundação Lemann e a VélezReyes+.

Em operação desde 2017, a startup foi fundada pelo professor Luis Junqueira e por Thiago Rached, ex-investidor da Monashees.

A Letrus é um programa escolar que faz uso da inteligência artificial para desenvolver a capacidade de escrita e leitura dos estudantes. O programa combina uma metodologia própria com uma plataforma digital centrada no engajamento e aprendizado dos estudantes e apoio aos professores. No ano passado, a plataforma foi implementada como política pública para desenvolvimento da escrita e leitura dos estudantes no Espírito Santo.

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A Letrus também atende escolas privadas, como as redes Pueri Domus, Bahema e SESI. Ao todo, são mais de 630 escolas utilizando a Letrus como programa para desenvolvimento da escrita e leitura de seus estudantes dos anos finais do fundamental e do ensino médio. As escolas pagam um valor por aluno por ano para acessar o programa, que ocorre em uma plataforma digital.

O novo dinheiro do aporte irá para as áreas de produto e a área de marketing. O objetivo é chegar a 1 milhão de estudantes utilizando a tecnologia Letrus nas redes pública e privada em dois anos.

Com uso de sua IA proprietária, a Letrus afirma ser capaz de reconhecer e orientar os estudantes para além de aspectos ortográficos e gramaticais.

Em entrevista à Bloomberg Línea, Rached conta que a iniciativa surgiu de seu sócio, Junqueira, professor de português que enfrentou desafios ao perceber a dificuldade de acompanhar individualmente os alunos, mesmo em uma escola privada de alta renda em São Paulo.

Rached tem um histórico como empreendedor social e investidor privado em educação. A convergência de suas trajetórias ocorreu quando Junqueira estava fazendo a transição de professor para empreendedor, e Rached de investidor para empreendedor.

A Letrus possui parcerias com universidades, como a USP, para fortalecer a base científica e acadêmica do programa. Além disso, busca impacto real na educação, com avaliações de impacto financiadas por instituições como o MIT.

Rached destaca a diversidade de investidores na rodada como simbólica para o ecossistema de investimento em educação, indicando oportunidades no setor. Ele enfatiza a importância de atrair investidores de peso para fortalecer o mercado de tecnologia educacional no Brasil.

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O financiamento conta também com o segundo aporte na Letrus da Altitude, fundo de venture capital ancorado pela Península, e BID Lab, braço do Banco Interamericano de Desenvolvimento dedicado a investimentos em inovação.

A rodada também contou com a entrada dos investidores-anjos Roberto Pedote (ex- CFO Natura e Unilever e Presidente do Conselho da WWF) e Eduardo Wurzmann (ex-CEO do Ibmec, filântropo e conselheiro de empresas). Potencia Ventures, Canary e Positive Ventures são os demais investidores institucionais com participação na empresa, que, desde sua fundação captou R$ 60 milhões.

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Brinta

A Brinta é uma plataforma uruguaia de compliance fiscal destinada ao cálculo de impostos em tempo real. A startup é especializada no cálculo de impostos usando uma única interface de programação de aplicativos para todos os países.

A Brinta recebeu US$ 5 milhões em financiamento early-stage em um acordo liderado pela Kaszek nos últimos dias. Gilgamesh Ventures, 17Sigma, DST Global, Latitud e Broadhaven Capital Partners também participaram da rodada, segundo dados do PitchBook.

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Prosas

A KPTL e a Cedro Capital investiram R$ 4 milhões na Prosas, uma govtech (startup que presta serviços governamentais) de Minas Gerais, que conecta organizações públicas e privadas que apoiam projetos sociais e culturais com empreendedores (operadores dos projetos), incluindo organizações da sociedade civil, negócios com impacto social e indivíduos.

A tecnologia da Prosas já foi utilizada para a gestão de mais de 1.500 editais. Com o investimento a empresa vai melhorar a infraestrutura da plataforma. A startup é a terceira investida do fundo de govtech da KPTL e Cedro Capital, e torna digital a gestão de parcerias entre governos e sociedade civil. A empresa tem como clientes a Funarte, Ambev, Eletrobrás, Centauro, B3 e Fiocruz.

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Colab

A Colab, startup brasileira de soluções para as relações entre cidadãos e serviços públicos, recebeu um novo aporte de investimentos de valor não revelado do Fundo Gov Tech, gerido pela KPTL e Cedro Capital.

Anteriormente, a companhia já recebeu mais de R$ 20 milhões de aportes da KPTL, e da EDP, além dos fundos estrangeiros MDIF - que tem investimento do Soros Economic Development Fund, de George Soros - e Luminate.

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A empresa atende prefeituras com um sistema que cria, edita e gerencia serviço público digital: de matrícula de creche a cadastro de assistência social.

A startup disse que ja impactou 20 milhões de pessoas, com mais de 1 milhão de usuários no Brasil. Além disso, mais de 10 mil servidores públicos utilizam a plataforma diariamente.

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Construex

A equatoriana Construex, um marketplace do setor de construção, recebeu US$ 4,6 milhões em uma rodada Seed liderada em conjunto pela Zacua Ventures e Fifth Wall, com a participação dos fundos brasileiros ABSeed e Terracotta.

Fundada em 2019, a plataforma Construex conecta fornecedores de produtos de construção com clientes que necessitam deles. A startup já possui mais de 80.000 fornecedores registrados abrangendo desde arquitetura e engenharia até construção e acabamento final.

Além de atuar no Equador, a Construex opera no México e conta também com clientes na Guatemala e no Chile. Entre seus conselheiros, a startup conta com Daniel Collins, co-fundador da Jasper Technologies e ex-CTO de IoT da Cisco.

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Com o investimento, a startup, que agora possui uma equipe de 48 pessoas distribuídas em dois escritórios, planeja expandir suas operações para outros países da região, inicialmente para países de língua espanhola e, posteriormente, para o Brasil.

Nonco

A Nonco, corretora de criptomoedas e ativos digitais para clientes institucionais, recebeu uma rodada Seed de R$ 50 milhões liderada pelo Valor Capital Group e Hack VC, além de outros participantes como Morgan Creek Digital, CMCC, Lvna Capital, Theta Capital, Bullish, Bastion Trading, Libra Capital Ventures e outros investidores.

Desde o seu lançamento em abril deste ano, a startup disse que já negociou US$ 6 bilhões em sua plataforma, representando um crescimento mensal médio de 65%. Seus produtos incluem negociações à vista, funding de operações, derivativos e produtos estruturados.

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A Nonco foi criada a partir de uma cisão da OSL Digital Limited, a divisão das Américas da plataforma de ativos digitais sediada em Hong Kong, OSL, corretora de balcão da Ásia. A empresa é composta pela mesma equipe que fazia parte da OSL e que mantém uma participação minoritária no novo empreendimento.

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Isabela  Fleischmann

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups