Rodadas da semana: Humand e Comp, startups de gestão de RH, recebem os maiores aportes

Na semana, a argentina Humand levantou US$ 66 milhões em uma rodada Série A, e a brasileira Comp captou R$ 100 milhões

O pano de fundo das operações é a corrida das companhias para ganhar produtividade
28 de Fevereiro, 2026 | 06:00 AM

Bloomberg Línea — A área de recursos humanos continua a ser uma operação crítica para as empresas, e startups com produtos para o setor têm atraído mais recursos de venture capital.

Na última semana, a argentina Humand levantou uma rodada Série A de US$ 66 milhões, com um modelo estruturado na criação de canais comunicação interna para trabalhadores operacionais. E a brasileira Comp captou R$ 100 milhões para acelerar um modelo híbrido entre software e consultoria que leva especialistas e engenheiros de IA para dentro dos clientes.

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O pano de fundo das operações é a corrida das companhias para ganhar produtividade e padronizar de processos em um momento em que a IA começa a entrar no dia a dia.

Se antes o debate em RH era sobre digitalizar fluxos e centralizar sistemas, a conversa atual é sobre os agentes de IA e os seus papéis na automação de onboarding, suporte a colaboradores e rotinas que exigem menos fricção e mais personalização.

Veja as principais rodadas da semana:

Humand

A HR tech de origem argentina Humand captou US$ 66 milhões em Série A liderada por Kaszek e Goodwater, com participação de Newtopia e Y Combinator, além de anjos como Arash Ferdowsi (Dropbox), Sebastián Mejía (Rappi) e Rajat Suri (Lyft) e a entrada de Marcos Galperin, fundador do Mercado Livre.

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A startup oferece uma plataforma de RH e comunicação interna para trabalhadores operacionais, com experiência de “rede social privada” e cerca de 20 módulos (chats, licenças, OKRs e controle de presença). Conta com mais de 1,6 milhão de usuários em 51 países, sendo 150.000 no Brasil, onde atende contas como Dia, Oxxo, MRV e Magazine Luiza.

Com o aporte, o mercado brasileiro se torna uma prioridade para o negócio, que pretende mais do que dobrar o time atual e avançar no segmento enterprise, empresas com mais de 20.000 funcionários.

Comp

A Comp anunciou uma Série A de R$ 100 milhões liderada pelo Khosla Ventures, em seu primeiro investimento no Brasil. A rodada recebeu novos investidores como Abstract Ventures e a Endeavor Catalyst, além da participação dos investidores existentes como a Kaszek.

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A Comp se posiciona como um modelo híbrido entre uma consultoria e empresas de software. Quando fecha os contratos, aloca especialistas de RH e engenheiros de IA para desenharem políticas, processos e ferramentas de IA, com a tese de construir uma função de RH nativa em IA.

A startup atende nomes como Nubank, iFood, Stone, Celcoin, Conta Simples, Creditas e QuintoAndar. Com o capital, o foco é acelerar o desenvolvimento do produto de IA e expandir o time em São Paulo e Nova York.

O negócio foi fundado pelo brasileiro Pedro Bobrow e pelo americano Christophe Gerlach. Juntos, eles fundaram também uma startup de entrega de comida, adquirida quando ainda estudavam na Cornell University. A nova empreitada nasceu em solo brasileiro.

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Antarka

A Natura investiu na Antarka, uma startup uruguaia de biotecnologia que explora novos bioativos da Antártida e foca em soluções para longevidade da pele a partir de pesquisas no continente gelado. Por meio do Natura Ventures, seu fundo de corporate venture capital (CVC), a companhia co-liderou uma rodada de investimento Seed de US$ 3,5 milhões (aproximadamente R$ 18 milhões).

A startup de biotecnologia tem um projeto que busca explorar o potencial cosmético das fotoliases antárticas, enzimas capazes de reparar o DNA danificado pela radiação ultravioleta (UV), responsável por cerca de 80% dos danos visíveis causados à pele humana.

Para a startup, o capital ajuda a evoluir P&D, estruturar parcerias e encurtar a ponte entre laboratório e aplicação comercial, mirando um mercado global de beleza e cuidados pessoais.

Lançado em 2024 com capital inicial de R$ 50 milhões, o Natura Ventures aportou recursos na brasileira Abbiamo e na chilena WareClouds, voltadas à logística inteligente, e na norte-americana Mango Materials, que aposta em soluções para substituição de plástico com biopolímeros renováveis.

Tools for the Commons

A brasileira Tools for the Commons levantou R$ 10 milhões em pré-Seed para acelerar a criação de zonas econômicas digitais e físicas com base em blockchain e governança própria. Participaram 468 Capital, Sthorm, além de players como Tanssi, Coins, Grupo OSPA.

Fundada em 2024 por Hugo Mathecowitsch, a startup se posiciona como um marketplace de jurisdições e um “estado em rede”, no qual diferentes zonas compartilham regras e infraestrutura digital para reduzir burocracia e atrair empresas, talentos e capital.

A Tools opera zonas em Zanzibar e Honduras e quer expandir para América Latina, África e Ásia. O aporte vai para estruturar a rede e atrair residentes e empresas.

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