Rodadas da semana: captação de startups no Brasil cai 13%, para US$ 4,5 bi em 2025

Rodadas com participação corporativa, como inovação aberta e CVCs (Corporate Venture Capital), responderam por US$ 2,06 bilhões em apenas 48 operações em 2025; nesta semana, a Magie levantou US$ 5 milhões em rodada liderada pela Lux Capital

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Bloomberg Línea — O mercado brasileiro de venture capital encerrou 2025 com retração de 13% no volume total de investimentos, somando US$ 4,5 bilhões em 459 rodadas. Em número de aportes, a queda foi de 22%.

A captação de recursos por meio de dívida contribuiu para que os números não fossem piores. Da soma total, US$ 2,4 bilhões foram levantados via FIDCs.

Equity contabilizou pouco mais de US$ 1,74 bilhão. O restante ficou com outras modalidades, como capital de crescimento não dilutivo.

As rodadas com participação corporativa - seja via inovação aberta, veículos como CVCs (Corporate Venture Capital) ou institucionais financeiras que coordenaram operações de FIDC - responderam por US$ 2,06 bilhões (46% do total) em apenas 48 operações (10% do total), de acordo com os dados levantados pela plataforma Sling Hub.

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O dado sinaliza um movimento de concentração em tíquetes maiores e maior seletividade estratégica.

O cenário brasileiro reflete a dinâmica global documentada pela CB Insights: enquanto o funding mundial para startups atingiu US$ 469 bilhões (alta de 47%), o número de rodadas caiu 17% para 29.501 — o menor patamar desde 2016.

Se globalmente as startups de inteligência artificial dominaram as captações, no Brasil o ano foi marcado por uma reorganização estratégica. Os investimentos foram direcionados para ganhos reais em escala e ROI (Return on Investment) claro.

Entre os top 10 aportes brasileiros em equity e dívida, fintechs com modelo B2B e operações de crédito concentraram as captações, com nomes como CloudWalk, iCred, Sol Fácil, Creditas e Credix. A CloudWalk liderou com duas mega-rodadas de US$ 788 milhões e US$ 549 milhões via FIDC.

Veja a rodada da semana:

Magie

A Magie captou US$ 5 milhões em rodada liderada pela Lux Capital. A startup brasileira é especializada em transações financeiras via WhatsApp e começa a direcionar os seus esforços para atuar como infraestrutura financeira para empresas que desejam operar pagamentos e serviços bancários dentro do aplicativo.

Fundada em 2024 por Luiz Ramalho (CEO), a startup foi uma das primeiras no uso de inteligência artificial aplicada a transações financeiras em ambientes conversacionais. A plataforma alcançou mais de 400 mil usuários e superou R$ 2 bilhões em volume transacionado.

A proposta é oferecer soluções white label, permitindo que empresas utilizem a tecnologia da Magie integrada à sua própria marca, sem a necessidade de desenvolver sistemas financeiros do zero.

Antes dessa rodada, a Magie havia levantado US$ 4 milhões em rodada seed liderada pela Lux Capital, com participação da Canary. A startup é a única investida da Lux Capital na América Latina.

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