Rodadas da semana: 47% dos investidores-anjo dizem não saber o retorno dos aportes

Pesquisa do Observatório Sebrae Startups, em parceria com a Anjos do Brasil, aponta que o segmento ainda enfrenta barreiras regulatórias e falta de incentivos fiscais para crescer no país

O Brasil tem pouco mais de 8.000 investidores-anjo, que aportam cerca de R$ 900 milhões por ano. (Foto: Maika Elan/Bloomberg)
30 de Agosto, 2025 | 06:00 AM

Bloomberg Línea — O investimento-anjo segue em fase de amadurecimento no Brasil e ainda esbarra em entraves estruturais. Um levantamento inédito do Observatório Sebrae Startups, em parceria com a Anjos do Brasil, mostra que o ecossistema é formado majoritariamente por investidores homens (81,5%), em sua maioria entre 41 e 50 anos e com experiência prévia como empreendedores ou executivos.

O estudo revela que o mercado ainda carece de incentivos fiscais, maior transparência das startups e menos barreiras regulatórias para ganhar escala.

PUBLICIDADE

O Brasil tem pouco mais de 8.000 investidores-anjo, que aportam cerca de R$ 900 milhões por ano. Nos Estados Unidos, são investidos mais de US$ 22 bilhões por um grupo de mais de 240.000 pessoas.

Quase metade dos investidores (47%) diz não saber ainda avaliar o retorno sobre seus aportes. Entre os que medem os resultados 40,7% relatam ganhos positivos — 6,8% dizem que o retorno supera cinco vezes o capital investido.

Um dado curioso é que, apesar de todo o hype em torno de IA, apenas 13,5% utilizam ferramentas do tipo em seus processos de análises - um relatório da McKinsey revelou que a adoção global é de 72%.

PUBLICIDADE

A pesquisa, divulgada durante o Startup Summit 2025, em Florianópolis, também traça três tipos de perfis predominantes dos investidores-anjo: 1) o disciplinado, que busca retorno financeiro e faz aportes relevantes em estágios seed, com valores entre R$ 500.000 e R$ 5 milhões; 2) o mentor construtor, mais voltado a aprendizado e apoio a fundadores, com aportes de até R$ 250.000; e 3) o explorador, cauteloso e interessado em adquirir experiência, que investem cifras menores.

Apesar do ambiente dinâmico — 75% dizem receber oportunidades de investimento mensalmente — ainda há uma dificuldade crônica de acesso: 92% dos investidores relatam barreiras para encontrar startups qualificadas, o que pode revelar falhas de conexão entre empreendedores e capital disponível.

Setores como tecnologia da informação, gestão, finanças, agronegócio e saúde concentram a atenção dos investidores. Do lado das principais motivações, aparecem fatores como impacto social, propósito e possibilidade de mentoria.

PUBLICIDADE

Leia mais: CEO da própria saúde: empreendedor aposta em diário para o auto-cuidado no WhatsApp

Veja as principais rodadas da semana:

Axenya

A healthtech Axenya levantou US$ 12 milhões em rodada Série A coliderada pelos fundos Canary e Indicator Capital, com participação da Zentynel. Os recursos serão destinados a expansão comercial, novos canais de crescimento e avanço do roadmap tecnológico.

Fundada em 2020 por Mariano Garcia-Valiño, a startup combina inteligência artificial, ciência comportamental, IoT, monitoramento remoto e terapias digitais (DTx) para apoiar empresas na gestão de seguros e benefícios de saúde.

PUBLICIDADE

Entre os resultados já alcançados pelos clientes estão inflação médica até 50% abaixo da média de mercado, redução de 22% nos custos totais de saúde em relação ao ano anterior e queda de 40% nas despesas com pacientes de alto risco.

A meta é chegar a 1 milhão de vidas monitoradas por IA, com reduções de até 45% nos custos de saúde ao longo de cinco anos.

A Axenya já havia captado R$ 37,1 milhões em rodadas anteriores e, em 2023, adquiriu a HealthAPI para reforçar sua infraestrutura de interoperabilidade.

VAAS

A VAAS, startup de Florianópolis especializada em gestão de risco inteligente, levantou R$ 20 milhões em rodada liderada pela Headline, que se junta aos investidores anteriores ABSeed e Honey Island.

A startup foi criada por Gustavo Tremel, Paulo Orione e Daniel Smolenaars, os mesmos fundadores da Decora, vendida para a Accenture por US$ 100 milhões.

A startup centraliza dados e fluxos de decisão para compliance, crédito e prevenção a fraudes, unificando em uma única plataforma o que antes era fragmentado entre diversos sistemas e provedores.

O negócio superou R$ 50 milhões em contratos ativos em menos de um ano desde o lançamento do produto. A solução centraliza dados e fluxos de decisão para compliance, crédito e prevenção a fraudes, unificando em uma única plataforma o que antes era fragmentado entre diversos sistemas e provedores.

Com mais de 30 clientes em setores como financeiro, energia e seguros, a startup se posiciona como “orquestradora” de dados, conectando-se a diferentes fornecedores e automatizando análises com apoio de inteligência artificial.

O próximo passo é ampliar o impacto da tecnologia em todas as etapas da gestão de riscos, incorporando avanços contínuos de IA.

Leia mais:

Asaas capta R$ 100 milhões em novo FIDC e mira R$ 1 bilhão de receita em 2026

Marcos Bonfim

Jornalista brasileiro especializado na cobertura de startups, inovação e tecnologia. Formado em jornalismo pela PUC-SP e com pós em Política e Relações Internacionais pela FESPSP, acumula passagens por veículos como Exame, UOL, Meio & Mensagem e Propmark