Bloomberg Línea — A argentina Humand captou US$ 66 milhões em uma rodada de investimentos Série A liderada pelos fundos Kaszek Ventures e Goodwater Capital, dos Estados Unidos.
Além das líderes da rodada, a startup atraiu fundos como o Newtopia VC e aceleradora Y Combinator, além de investidores como Arash Ferdowsi, fundador do Dropbox; Sebastián Mejía, fundador da Rappi; Rajat Suri, fundador da Lyft.
Marcos Galperin, cofundador do Mercado Livre e chairman desde 1º de janeiro deste ano, após deixar o posto de CEO da companhia, também entrou para o cap table do startup.
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A Humand se posiciona no segmento de recursos humanos (HRtech) e tem como foco oferecer ferramentas de gestão e recrutamento voltadas a trabalhadores operacionais - ou deskless worker, no jargão do mercado.
Uma pesquisa de 2020 da empresa de venture capital Emergence Capital, de São Francisco, estima que cerca de 80% da força de trabalho global se encaixa neste perfil. São trabalhadores cujas tarefas não são realizadas em uma mesa de trabalho, em prédios comerciais e com ar-condicionado.
Fundada pelos argentinos Nicolás Benenzon e Gerónimo Maspero, ambos com menos de 30 anos, a Humand diz atender mais de 1,6 milhão de usuários em 51 países.
No Brasil, onde a startup desembarcou há cerca de um ano e meio, estão 150.000 desses usuários, em empresas como Dia, Oxxo, MRV, Magazine Luiza e Ogilvy.
O aporte dará um novo fôlego para a operação local, que se tornará a prioridade entre os seus mercados.
“Vemos uma oportunidade significativa de crescimento no mercado brasileiro, devido ao seu tamanho, relevância econômica e forte demanda por soluções que conectem trabalhadores operacionais”, afirmou Nicolás Benenzon, CEO da Humand, à Bloomberg Línea.
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A estratégia passa por ampliar a presença local, a criação de um ecossistema de parceiros locais e o aumento do time de vendas diretas para contas corporativas.
A estimativa da startup é de que a operação nacional avance 174% em faturamento este ano - a Humand não abre o valor total. Em número de profissionais no Brasil, a projeção é de aumentar dos 20 atuais para 50 em dezembro. Hoje, globalmente, a Humand conta com 420 colaboradores.
“Obtendo esse crescimento, potencialmente o Brasil pode se tornar o principal mercado para o negócio”, afirmou Leandro Oliveira, diretor da Humand para EMEA (Europa, Oriente Médio e África) e Brasil.
Como funciona o negócio
A estratégia da startup no país tem sido baseada em comunicação interna corporativa. A Humand funciona como uma rede social privada, assemelhando-se visualmente a plataformas como o Instagram, o que reduz a barreira tecnológica para trabalhadores de setores como logística, manufatura, saúde e hotelaria — áreas onde os funcionários por vezes não possuem e-mails corporativos ou computadores.
A partir deste primeiro movimento, a startup procura entrar em outras áreas como a oferta de portal de colaboradores e uma plataforma de desenvolvimento de talento e cultura.
Ao todo, a HRTech oferece 20 módulos, que incluem desde chats até áreas de gestão de férias e licenças, metas e OKRs, controle de presença e avisos sobre comemorações.
O principal argumento de vendas da Humand no Brasil hoje não é apenas a comunicação, mas a consolidação de sistemas. “O colaborador operacional, que não tem um celular corporativo, está tendo que usar o próprio aparelho”, diz Oliveira.
“Quando a empresa não entende essa realidade, o funcionário tem que desinstalar um aplicativo para instalar o outro, competindo por espaço de memória com as fotos da própria família, por exemplo. Isso não faz o menor sentido”.
A Humand propõe condensar essa experiência em uma única plataforma, estruturada em três grandes pilares: comunicação interna, portal do colaborador (onde se plugam os ERPs tradicionais de RH) e desenvolvimento de talento.
Pela própria dinâmica do modelo de negócio, a startup tem atraído clientes de grandes dimensões. “Hoje, diria que quase 70% dos nossos clientes têm até 20.0000 colaboradores e os 30% restantes estão distribuídos no topo, com mais de 20.000 colaboradores”, afirma Oliveira.
Se até o momento a tração brasileira da Humand se concentrou no middle market (empresas com até 3.000 funcionários), o foco pós-Série A será ampliar a presença no segmento de grandes empresas.
Agentes de IA
Com a entrada dos novos recursos, a startup, além de avançar globalmente nos Estados Unidos e na Ásia, pretende acelerar o desenvolvimento de agentes de IA, buscando automatizar o onboarding dos funcionários.
Outra produto inclui a transformação da Sammy AI, atual ferramenta de IA, em um agente que usa o histórico da companhia para responder as demandas dos funcionários.
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