Com 1,2 milhão de transações, Loft cresce 35% e avança com produtos de fintech e SaaS

Startup aprofunda atuação em soluções financeiras para imobiliárias e irá investir R$ 100 milhões na área tech neste ano, conta o CEO Mate Pencz à Bloomberg Línea

Mate Pencz, cofundador e CEO da Loft, na convenção da empresa com imobiliárias na última terça-feira (8) em São Paulo (Foto: Divulgação)
06 de Março, 2026 | 08:00 AM

Bloomberg Línea — Após consolidar seu modelo de negócios e atingir o break-even no final de 2023, a Loft entra em uma nova fase de expansão. A proptech brasileira atingiu a marca inédita de 1,2 milhão de transações em 2025, somando compra, venda e aluguel, o que representa um avanço de 35% em relação ao ano anterior.

Os números foram impulsionados por um portfólio de soluções financeiras e ferramentas digitais voltadas para imobiliárias, segundo Mate Pencz, CEO e cofundador da Loft.

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Em entrevista à Bloomberg Línea, o líder da startup diz que a estratégia para os próximos anos agora passa por uma transformação estrutural que já está em curso: a virada definitiva da Loft para o setor financeiro e o avanço de vertical SaaS, que usa agentes de IA para melhorar a gestão da imobiliárias.

Hoje, a maior parte da receita da companhia já provém de seus produtos de fintech, como resultado de uma estratégia iniciada com a aquisição da CredHome e a CredPago, ambas em 2021.

“Completamos nosso segundo ano inteiro de crescimento com rentabilidade”, afirma Pencz. “Entramos em um ano muito bem posicionados, com nossos produtos carro-chefe crescendo bem em um mercado que ainda possui um bônus demográfico e um déficit habitacional grande.”

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O “carro-chefe” da proptech é o Loft Fiança Aluguel, alternativa ao tradicional fiador ou cheque-caução.

“O fiança aluguel é um negócio que tem um crescimento nos últimos 10 anos absolutamente sustentável e ainda tem muito para crescer porque 60% do mercado nacional ainda não conhece essa modalidade”, afirma o CEO.

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Motores de crescimento

Outra versão dos produtos de fiança é o Garantia Investe, modalidade na qual o inquilino aloca o recurso em títulos do Tesouro Direto e conta com rendimento e liquidez enquanto usa como garantia, também tem começado a escalar.

O produto registrou um salto de 84% no número de contratos emitidos em 2025, segundo a empresa. Com valores assegurados variando entre R$ 250.000 e R$ 400.000, a modalidade tem atraído cerca de 70 novas imobiliárias por semana e soma R$ 75 milhões em propostas. A meta é fechar o primeiro trimestre de 2026 alcançando 7.000 contratos.

Com o país com as taxas de juros mais elevadas das últimas décadas, em 15% ao ano, um produto que mais avançou na plataforma da Loft foi o Home Equity, o empréstimo com garantia de imóvel, que oferece taxas bem mais competitivas do que os financiamentos tradicionais.

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O serviço teve alta de 104% na emissão de contratos e de 121% no volume contratado. O ticket médio ficou em R$ 420.000 nas operações aprovadas.

Na estratégia da proptech, o modelo funciona como um marketplace: a Loft conecta bancos e imobiliárias, não cobra do cliente final ou dos parceiros, e é remunerada via comissão pelas instituições financeiras.

Por ser uma modalidade ainda não muito conhecida, a expectativa dentro da Loft é de que o negócio continue avançando a altas taxas.

“O financiamento tradicional ainda é muito mais expressivo do que o Home Equity, mas essa modalidade tem uma alta adesão, também porque os clientes não necessariamente querem se alavancar muito. Eles podem fazer, por exemplo, 20% do valor do imóvel”, afirma Pencz. “Assim, o home equity acabou virando uma alternativa para quem está buscando crédito mais acessível e mais barato.”

Em outra frente do negócio, a Loft passa a oferecer novos serviços que atacam diretamente o fluxo de caixa dessas empresas.

Em novembro, lançou o Loft/Antecipa, operado em parceria com a CashGo, que permite a proprietários o adiantamento de até 24 meses de aluguel em 24 horas, mirando um mercado potencial de 17,8 milhões de domicílios alugados no Brasil.

Um mês antes, o Loft/Repasse tinha começado a operar para automatizar o fluxo de contas a pagar e receber, como cobranças de aluguel e comissões). A ferramenta movimentou R$ 10 milhões, reduzindo pela metade o tempo gasto pelas imobiliárias com administração e cortando em até 70% os custos com tarifas bancárias. A meta é atingir R$ 100 milhões mensais transacionados por esta via até o final de 2026.

“Na trajetória da Loft, nós começamos pelas principais dores, como fiança e financiamento, e agora estamos entrando na segunda ou terceira onda de produtos que facilitam a vida da imobiliária e do proprietário, antecipando o aluguel e o comissionamento”, afirma o co-fundador.

Estamos realmente criando um ecossistema de fintech ao redor da imobiliária e dos outros participantes do ecossistema, que pelo setor bancário hoje não estão sendo atendidos com esse nível de envolvimento”, completou.

R$ 100 milhões em investimentos

Segundo Pencz, 2026 será o ano de expansão de produtos e features tanto para avançar no universo financeiro quanto em software, que usam agentes de IA para facilitar a vida das imobiliárias, como qualificar e gerenciar leads.

Para entregar todos esses produtos, a Loft prevê o investimento de cerca de 100 milhões de reais na divisão de tecnologia ao longo de 2026, montante que inclui a chegada de mais profissionais.

A área deve terminar o ano com 300 pessoas, 25% de um time total que está na casa de 1200. De acordo com a empresa, o valor financeiro é 50% maior do que o investido por ano no último biênio.

“Estamos investindo muito em capex e pesquisa e desenvolvimento este ano para, realmente, não só acelerar o crescimento esse ano, mas fundamentar novos produtos para 2027 e 2028”, afirma o executivo.

Em meados do ano passado, a Loft chegou a ser alvo de reclamações por imobiliárias por atrasos nos pagamentos aos proprietários e inquilinos.

À época, a empresa disse que problemas como o aumento da quebra de contratos e o problema na Transfeera, plataforma que foi descredenciada pelo Banco Central após o ataque hacker à provedora de serviços tecnológicos C&M Software, dificultaram o pagamento e negou problemas de solvência.

Segundo a Loft, o problema foi resolvido totalmente, em um esforço que envolveu a contratação de 100 pessoas no time de atendimento à inadimplência e automação dos processos com AI. E o tempo de pagamento atual é inferior ao do primeiro semestre do ano passado, que era usado como referência para a companhia.

Perspectiva de IPO

O momento de consolidação operacional e geração de caixa levanta naturalmente a perspectiva de uma oferta pública inicial de ações (IPO), num momento em que a janela de mercado começa a se abrir nos Estados Unidos, como mostraram os movimentos do PicPay e da AngiBank - antes da recente guerra no Irã, após os ataques dos Estados Unidos e Isreal, que trazem um novo nível de incertezas.

Sobre o tema, o CEO adota um tom cauteloso, porém estratégico. A Loft tem preparado o terreno internamente, operando com controles de empresa listadas e com balanços auditados consultoria Big Four.

“Nós lutamos muito para chegar na rentabilidade e poder andar com as próprias pernas. Isso nos tirou a urgência de fazer qualquer movimento nesse sentido”, diz Pencz. “Num timing certo, nós acreditamos que é um movimento certo porque vai nos ajudar a consolidar ainda mais a nossa marca.”

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