Capital de risco bate recorde global de US$ 698 bi, mas LatAm e Brasil ficam para trás

Apenas 299 cheques de mais de US$ 100 milhões concentraram 80% do montante no 3º trimestre; no Brasil e na América Latina, número de transações despenca ao menor patamar da série

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Bloomberg Línea — O capital de risco global chegou ao fim do terceiro trimestre com US$ 698 bilhões investidos em 2026, o maior volume já registrado em um ano, segundo o relatório State of Venture da CB Insights. O dinheiro, porém, está concentrado em poucas operações: das 6.913 rodadas fechadas entre julho e setembro, apenas 299, de US$ 100 milhões ou mais, somaram US$ 149,2 bilhões, cerca de 80% dos US$ 187,2 bilhões do período.

A OpenAI liderou com US$ 10 bilhões, seguida por Databricks e Safe Superintelligence, com US$ 5 bilhões cada, enquanto o número total de negócios recuou 23% em relação ao trimestre anterior. O porte médio das rodadas em 2026 chegou a US$ 49,8 milhões, mais que o dobro dos US$ 23 milhões de 2025.

Os Estados Unidos concentraram US$ 111,1 bilhões do total e a Europa, US$ 31,5 bilhões, o melhor trimestre da região desde o segundo semestre de 2022. A América Latina ficou à margem desse movimento, com 2% das rodadas globais.

As startups da região captaram cerca de US$ 700 milhões em 114 rodadas no trimestre, menos da metade dos US$ 1,5 bilhão em 134 negócios do segundo trimestre e bem abaixo dos US$ 1,8 bilhão em 219 operações do terceiro trimestre de 2025.

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O número de transações é o menor da série trimestral da CB Insights, iniciada em 2022. No Brasil, o recuo foi ainda mais acentuado: cerca de US$ 300 milhões em 59 rodadas, ante US$ 400 milhões em 83 no trimestre anterior e US$ 1,1 bilhão em 143 um ano antes.

Apenas uma rodada ultrapassou US$ 100 milhões na região: a Série C de US$ 129 milhões da colombiana Erco Energia, do setor de energia solar, fechada em agosto com Augment Infrastructure, Axon Partners Group e Norfund, entre outros.

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Na sequência vieram a Série D de US$ 86 milhões da também colombiana Addi, com BTG Pactual, GIC e Monashees, e a Série D de US$ 70 milhões da brasileira A5X, avaliada em US$ 525 milhões, com Goldman Sachs, Kaszek e Morgan Stanley.

A mexicana Yuno levantou US$ 45 milhões em uma Série B que reuniu Andreessen Horowitz, Kaszek, Monashees e Tiger Global.

No Brasil, a lista das maiores rodadas do trimestre inclui ainda a Série A de US$ 43 milhões da Kadig, que não revelou os investidores, a Série D de US$ 29 milhões da Flash, com Battery Ventures e Endeavor Catalyst, o aporte corporativo minoritário de US$ 25 milhões no Biocor Instituto, feito pela Atlântica Hospitais e Participações, e a Série C de US$ 20 milhões do Mercado Bitcoin, com Tether e SoftBank.

Os estágios iniciais responderam por 71% das rodadas latino-americanas em 2026 até aqui, contra 81% em 2022, e o estágio avançado por 7%.

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A Kaszek foi a investidora com presença em mais empresas no trimestre, cinco, à frente da Norte Ventures, com quatro. Nas saídas, as fusões e aquisições envolvendo empresas da região somaram 67, contra 90 no segundo trimestre e 95 um ano antes, além de uma oferta pública inicial.

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