Benchimol, Street e Vélez se unem para destravar crescimento de PMEs brasileiras

Instituto B55, sem fins lucrativos, nasce com o propósito de atender pequenas e médias empresas que sobreviveram à fase inicial, mas não conseguem dar o salto para a próxima fase do negócio, conta o CEO Cristhiano Faé à Bloomberg Línea

Guilherme Benchimol (XP), André Street (Stone) e David Vélez (Nubank), com Cristhiano Faé, lançam instituto para acelerar negócios no país
10 de Fevereiro, 2026 | 07:00 AM

Bloomberg Línea — Três dos maiores nomes do empreendedorismo no Brasil nas últimas décadas — Guilherme Benchimol (XP), André Street (Stone) e David Vélez (Nubank) — decidiram se unir em um novo projeto: destravar o crescimento de pequenas e médias empresas que já sobreviveram à fase inicial, mas estagnaram.

O resultado dessa união é o Instituto B55, apresentado nesta terça-feira (10), com lançamento do primeiro produto em 5 de março. A operação começa a funcionar efetivamente com os primeiros alunos e empreendedores em abril.

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A iniciativa, sem fins lucrativos, parte do diagnóstico de que o Brasil é um celeiro de empreendedores, mas isso se transforma em riqueza para o país muito aquém de seu potencial.

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Uma das principais causas está na falta de condições mais propícias mas também de conhecimento apropriado para o próximo passo, que permita que pequenos negócios cresçam com ganho de escala.

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O nome do instituto foi escolhido para ressaltar as ambições dos empreendedores: B55 busca transmitir uma ideia de internacionalização - o B carrega o princípio de “base”, enquanto o “55” faz referência ao código internacional do Brasil.

“O Brasil é o segundo país do mundo em potencial empreendedor, mas 70% das empresas estão estagnadas. Elas não crescem, andam de lado e, eventualmente, fecham as portas”, afirmou Cristhiano Faé, CEO do B55, em entrevista à Bloomberg Línea.

Fundador de startups como a Accera, adquirida pela Neogrid em 2018, e empreendedor da Endeavor, Faé forma o quarteto fundador do instituto e lidera a execução do projeto.

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Faé definiu o B55 não como uma instituição de ensino mas como um ecossistema focado em ter ritmo e “execução bem feita”.

A “força gravitacional” do B55 não está apenas no conteúdo dos cursos mas também no poder de conexões e agendas de contatos.

Além dos três fundadores, que fundaram ou lideram alguns das maiores plataformas de negócios do país, o instituto nasceu com um time de mais de 20 “embaixadores” que funcionaria como um “quem é quem” do PIB nacional.

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De Lemann e Bloisi a Franceschi e Dubugras

Entre os nomes confirmados para dar mentorias e aulas estão Jorge Paulo Lemann (3G Capital), David Feffer (Suzano), Fabricio Bloisi (Prosus), Mariano Gomide (VTEX) e Pedro Franceschi e Henrique Dubugras (Brex).

“Nós temos uma complementaridade muito forte de trazer conhecimento aplicado, método e, talvez, o ingrediente principal desse processo, que é o que sempre falamos aqui: uma conversa às vezes muda o jogo”, disse Faé.

“Aqui, a conversa é uma mentoria transmitida por um empreendedor que, de fato, já fez algo relevante”, completou.

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A proposta é não depender da teoria acadêmica e evitar o “ruído dos gurus de marketing digital”, oferecendo acesso direto a quem construiu impérios de negócios e passou por dificuldades ao longo de suas respectivas trajetórias.

Os próprios co-fundadores do instituto prometem estar envolvidos nas dinâmicas, com participação em mentorias, aulas e definição estratégias.

Como funciona

Diferentemente de aceleradoras com foco em startups early stage ou do trabalho massivo de base do Sebrae, o B55 mira o que descreve como um “vácuo” no ambiente de negócios: o empreendedor da economia real.

Esse perfil vai, por exemplo, do fundador ou fundadora de uma transportadora ao de uma rede de clínicas, que já superou a fase de sobrevivência - a “rebentação”, no jargão do mercado - já fatura milhões de reais, mas não consegue ganhar escala para alcançar o que seria o próximo nível do seu negócio.

“Nós entendemos que existe uma oportunidade maior neste momento, que é uma dor mais latente: a pequena e média empresa que já está em operação, mas com dificuldade de crescimento”, disse Faé.

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Embora o instituto procure também atender o setor de tecnologia, abraçar a chamada “economia tradicional”, muitas vezes negligenciada pelo ecossistema de inovação, é dos pilares centrais para o projeto.

O Instituto B55 foi estruturado ao longo dos últimos seis meses e chega ao mercado desenhado com quatro frentes: educação, com cursos de curta duração e imersões para negócios em diferentes estágios; aceleração, incluindo apoio com capital e programas intensivos para empresas com alto potencial; e comunidade, com mentorias e conexões entre jovens empreendedores e aqueles que alcançaram o sucesso e conhecem as dificuldades que surgem no caminho.

O último elemento é a construção de um hub físico, espaço que ainda está em fase de análise. Segundo Faé, há conversas em andamento com algumas cidades com potencial para receber um campus. Por ora, a operação começa com um escritório em São Paulo e um time de umas dez pessoas.

Apesar de se tratar de uma iniciativa sem fins lucrativos, o B55 nasce com mentalidade de startup e meta de autossuficiência financeira.

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O capital inicial (de valor não revelado, mas na casa dos “milhões”) foi doado por Benchimol, Street e Vélez para o pontapé inicial, mas o plano é que o instituto já consiga fechar o primeiro ano “no azul”.

“Nós temos sido muito disciplinados em tocar esse negócio realmente como uma empresa de alto nível, com muita organização, método e processo. E acredito que o segredo é entender que nós temos na mão, sim, um ativo maravilhoso, mas tem que ser bem executado”, disse Faé.

Para o executivo e empreendedor, o sucesso do instituto não será medido pelo seu faturamento mas pela capacidade de criar os próximos cases de sucesso do país.

“Quantas histórias de impacto nós iremos ajudar a formar? Queremos ver empresas que passaram por aqui abrindo capital no Brasil ou lá fora no futuro”, projetou.

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