Vale tem lucro de US$ 1,9 bi em 2025, com baixa contábil de US$ 3,5 bi no Canadá

Mineradora reconheceu no quarto trimestre uma perda por impairment referente à operação da Vale Base Metals no Canadá; CEO Gustavo Pimenta destacou cumprimento de guidances

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Bloomberg Línea — A Vale (VALE3) reportou nesta noite de quinta-feira (12) um lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no resultado consolidado de 2025, uma queda de 67% sobre o ano anterior, conforme documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários.

No critério atribuído aos acionistas, a Vale registrou um lucro líquido de US$ 2,3 bilhões no ano, com retração de 62% sobre 2024.

No quarto trimestre, a mineradora registrou prejuízo líquido de US$ 4,2 bilhões, ante resultado negativo de US$ 872 milhões um ano antes. No critério atribuído aos acionistas, houve prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no período.

No quarto trimestre, a companhia reconheceu perda contábil por impairment de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, decorrente da revisão para baixo das premissas de preço de longo prazo da commodity.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de US$ 15,4 bilhões em 2025, uma alta de 4% sobre o ano anterior e acima do consenso de projeções da Bloomberg. No quarto trimestre, houve aumento de 21% do indicador, para US$ 4,5 bilhões.

“Em 2025, a Vale entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todos os guidances enquanto avançou em prioridades estratégicas que reforçam nossa ambição de longo prazo", disse no documento o CEO da companhia, Gustavo Pimenta.

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O executivo acrescentou que as operações atingiram os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018, além de crescimento de dois dígitos em níquel.

“Esse forte desempenho operacional foi suportado pela maior confiabilidade dos ativos e pelo bem-sucedido ramp-up de projetos-chave de crescimento", disse.

A receita líquida de vendas no ano alcançou US$ 38,4 bilhões, praticamente estável (+1%) sobre 2024. No quarto trimestre, houve avanço de 9%, para US$ 11 bilhões.

Segundo o documento, a companhia registrou crescimento das vendas, no quarto trimestre, de minério de ferro (+5%), cobre (+8%) e níquel (+5%) na base anual.

O preço médio realizado de finos de minério de ferro no trimestre foi 3% maior se comparado ao mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 95,4 por tonelada.

O custo caixa C1 (produção cobrindo as despesas da mina, ferrovia e porto, mas excluindo compras de terceiros) de finos de minério de ferro atingiu US$ 21,3 por tonelada em 2025, queda de 2% sobre o ano anterior, marcando o segundo ano consecutivo de redução de custos, informou a companhia.

Já o custo all-in (inclui caixa C1, frete, despesas, royalties e prêmios) de minério de ferro atingiu US$ 54,2 por tonelada em 2025, queda de 3% ano contra ano.

No quarto trimestre, a Vale reconheceu uma provisão adicional de US$ 449 milhões referente à Samarco, relacionada às obrigações da ação que corre no Reino Unido em decorrência do rompimento da barragem de Mariana em 2015.

A dívida bruta e os arrendamentos atingiram US$ 18,8 bilhões em 31 de dezembro de 2025.

A Vale destacou que três dos quatro pedidos de bloqueio judicial referentes ao extravasamento de água com sedimentos ocorrido em janeiro em Minas Gerais foram indeferidos.

Segundo o balanço divulgado nesta quinta-feira, no momento da elaboração do relatório, a ação referente à unidade Viga, proposta pelo Ministério Público Federal, permanecia pendente de apreciação judicial.

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