Unilever eleva guidance para o ano com impulso das vendas nos EUA e no Brasil

A dona das marcas Dove, Cif e Sunsilk revisou para cima sua projeção de crescimento para 2026 após vendas acima das estimativas no segundo trimestre; o resultado reforça a estratégia do CEO Fernando Fernandez de concentrar a companhia em higiene, beleza e limpeza

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Bloomberg — A Unilever elevou suas perspectivas após as vendas terem crescido mais do que o esperado no segundo trimestre, à medida que os consumidores em mercados-chave, incluindo os EUA e a Índia, compraram em grande quantidade o sabonete Dove.

As vendas subjacas aumentaram 5,8%, informou a empresa anglo-holandesa de bens de consumo nesta terça-feira, bem acima das estimativas dos analistas.

A empresa agora espera que o crescimento das vendas no ano inteiro fique dentro de sua meta de 4% a 6%, em vez de ficar na faixa inferior, e prevê um aumento “modesto” na margem operacional subjacente em relação aos 20% registrados em 2025.

As ações da Unilever subiram até 6,5% no início do pregão em Londres, a maior alta em dois anos em termos intradiários.

O diretor executivo Fernando Fernandez está há mais de um ano conduzindo uma reestruturação da Unilever que visa transformá-la em uma empresa especializada exclusivamente em produtos para o lar e cuidados pessoais.

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A empresa concluiu a cisão de sua unidade de sorvetes e está em processo de fusão do negócio de alimentos — que inclui a maionese Hellmann’s e os cubos de caldo Knorr — com a McCormick.

A Unilever também elevou sua previsão de crescimento de volume para o ano inteiro de 2% para 3%, após o que Fernández chamou de o trimestre mais forte para esse indicador em mais de uma década.

Esse resultado foi impulsionado por produtos de limpeza doméstica, como o Cif, e produtos de beleza, como o Sunsilk, que apresentaram crescimento de dois dígitos.

As vendas subjacentes cresceram 3,6% na América do Norte no segundo trimestre, com um crescimento de volume de 4,4%, ambos acima das estimativas dos analistas. O forte desempenho contrasta com o da rival Nestlé, que registrou volumes mais fracos na América do Norte, o que decepcionou os acionistas e fez com que as ações despencassem na semana passada.

O Brasil também voltou a crescer, depois que os consumidores evitaram os produtos da Unilever no ano passado, quando a empresa aumentou os preços.

Os resultados ressaltam como os produtos da Unilever podem gerar crescimento bem à frente de muitos concorrentes, afirmaram analistas do Barclays, incluindo Warren Ackerman, em uma nota.

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“Este foi um trimestre muito bom para a Unilever, e mesmo a parte que não correu bem (setor de alimentos na Europa) contribuiu para a decisão da administração de se desfazer desse negócio”, afirmou o analista do RBC, James Edwardes Jones, em uma nota.

O crescimento desacelerou em seu negócio de alimentos, com a Unilever enfrentando forte concorrência no segmento de condimentos nos mercados desenvolvidos e um consumo geral mais fraco.

A aquisição da McCormick foi controversa, com alguns acionistas argumentando que ela os deixou com uma participação em uma empresa sediada nos EUA altamente alavancada e com um portfólio ainda maior de marcas de alimentos.

Os acionistas do Reino Unido não tiveram direito a voto sobre a transação.

A Unilever espera aumentar os preços no segundo semestre, à medida que os custos mais elevados das commodities se refletem na cadeia de suprimentos.

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