Bloomberg — Quando o CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, disse ao presidente americano Donald Trump que não é factível investir atualmente na Venezuela, na sexta-feira (9), ele ecoava alertas já emitidos por líderes da indústria petrolífera e analistas.
De fato, alguns de seus pares tentaram dissuadir a Casa Branca de sequer realizar a reunião, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News.
Embora Trump queira que empresas dos Estados Unidos invistam pelo menos US$ 100 bilhões na reconstrução do combalido setor petrolífero venezuelano, após a captura do presidente Nicolás Maduro, alguns executivos temem que as condições não permitam uma recuperação rápida.
Eles também não querem que suas empresas sejam vistas como oportunistas, dividindo as vastas reservas de petróleo bruto da Venezuela, consideradas as maiores do mundo, disseram as fontes.
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Woods não apenas compareceu à reunião com cerca de 20 executivos da indústria petrolífera, como também falou abertamente.
Mas Trump não pareceu apreciar a sinceridade.
No domingo à noite, o presidente disse a repórteres que “não gostou” das declarações de Woods e que estava inclinado a manter a Exxon fora da Venezuela, afirmando: “Eles estão sendo espertinhos demais”.
“Woods achava que estava falando a verdade — e provavelmente estava —, mas não leu o ambiente”, disse Andrew Logan, diretor sênior de petróleo e gás da CERES, organização sem fins lucrativos de defesa do clima que conversa regularmente com investidores do setor petrolífero. “Ele não estava em posição de dizer isso sem reação, e foi isso que recebeu.”
Foi um lembrete recente dos potenciais perigos para os líderes de qualquer empresa — ou país — quando convocados à Casa Branca de Trump para uma reunião.
O presidente gosta de abrir algumas sessões ao público, o que lhe dá uma plataforma para extrair concessões de executivos ou líderes governamentais presentes.
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Os executivos do setor petrolífero, no entanto, têm motivos para serem cautelosos em relação à Venezuela.
Qualquer tentativa de elevar significativamente a produção petrolífera recente do país, de quase 1 milhão de barris por dia — muito menos alcançar o pico da década de 1970, de cerca de 4 milhões de barris diários — provavelmente exigiria dezenas de bilhões de dólares.
As empresas teriam que reconstruir ou substituir plataformas abandonadas, oleodutos com vazamentos e equipamentos danificados por incêndios.
Além do desafio físico, representantes do setor dizem que desejam ver reformas políticas e legais que lhes permitam movimentar dinheiro para dentro e para fora do país, bem como segurança no local, antes de assumirem quaisquer grandes compromissos.
“A indústria estava unida na sexta-feira — na reunião com o presidente — de que haverá certos pré-requisitos que precisam ocorrer antes de existirem investimentos contínuos na Venezuela”, disse a repórteres Mike Sommers, CEO do Instituto Americano de Petróleo, na segunda-feira (12).
A maior rival da Exxon, a Chevron permanece, por enquanto, como a única grande empresa petrolífera internacional operando na Venezuela.
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Os executivos da Exxon ficaram surpresos com a reação da mídia aos comentários de Woods — segundo uma pessoa familiarizada com o pensamento da empresa —, visto que ele também disse a Trump que a empresa planejava enviar uma equipe de avaliação caso fosse convidada pelo governo venezuelano.
Além disso, Woods expressou confiança de que o governo Trump poderia entregar as reformas legais e regulatórias necessárias para qualquer investimento futuro.
Apesar da resposta negativa de Trump, funcionários do governo tomaram nota das mudanças recomendadas por Woods, disseram pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram anonimato porque as conversas eram confidenciais.
Um funcionário da Casa Branca mencionou as declarações do presidente no domingo ao ser questionado sobre o assunto.
A Exxon não quis comentar além das declarações de Woods na sexta-feira.
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