Bloomberg — A Shein está avançando com os preparativos para uma possível oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong, segundo fontes a par do assunto que falaram à Bloomberg News, o que poderia coroar um esforço de anos da gigante da moda rápida para abrir o capital.
A Shein e seus consultores podem buscar lançar a OPI já nos próximos meses, caso a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China dê sua aprovação, afirmaram as fontes, que pediram para não serem identificadas ao discutir informações confidenciais.
Discussões recentes com o órgão regulador têm gerado sinais mais positivos, segundo algumas dessas fontes.
A empresa está considerando levantar alguns bilhões de dólares na oferta pública inicial, disseram as fontes, acrescentando que o valor final dependerá da avaliação. Embora os trabalhos estejam em andamento, não há um cronograma definido e a listagem ainda pode sofrer novos atrasos, afirmaram as fontes.
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A Shein vinha sofrendo pressão dos acionistas para reduzir sua avaliação para cerca de US$ 30 bilhões, tendo sido avaliada no passado em mais de três vezes esse valor, afirmaram no ano passado pessoas a par do assunto.
“Por uma questão de política, não comentamos rumores ou especulações”, afirmou um representante da Shein. A CSRC não respondeu a um pedido de comentário.
A Shein tentou, sem sucesso, abrir o capital nos EUA e em Londres antes de mudar para Hong Kong no ano passado, enquanto via sua avaliação despencar. O mercado de ações de Hong Kong também caiu este ano, em cerca de 6%, mas seu mercado de IPOs está em alta, com quase US$ 35 bilhões já arrecadados em ofertas públicas iniciais.
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O plano inicial da Shein de abrir o capital nos EUA foi frustrado há dois anos em meio a um escrutínio de sua cadeia de suprimentos e práticas trabalhistas, e a opção de Londres foi abandonada quando os reguladores chineses negaram a aprovação.
A varejista transferiu sua sede para Cingapura em 2021, mas continua sujeita à supervisão da CSRC, pois o órgão regulador exige que todas as empresas com vínculos substanciais com a China — mesmo aquelas que não são constituídas no país — sejam aprovadas por ele antes de se listarem em qualquer lugar do mundo.
Depois de passar anos minimizando suas raízes chinesas e se promovendo como uma empresa global, a Shein mudou de estratégia após solicitar a oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong no ano passado.
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O fundador Xu Yangtian se comprometeu a investir mais recursos no centro comercial da província de Guangdong, no sul da China, que abriga uma extensa rede de fabricantes que produzem roupas a custos ultrabaixos.
A avaliação da Shein vem diminuindo em relação aos US$ 100 bilhões que alcançou há quatro anos.
A empresa tem enfrentado a concorrência da Temu, de propriedade da PDD, em mercados-chave como os EUA e a Europa, enquanto aumentos de preços induzidos por tarifas também prejudicaram a demanda dos consumidores e os órgãos reguladores têm examinado minuciosamente suas operações.
Ainda assim, a Shein esperava um lucro líquido excepcional de US$ 2 bilhões no ano passado, depois que margens de lucro mais altas, resultantes de aumentos de preços e cortes de custos, ajudaram a superar uma queda no tráfego online causada pelas tarifas punitivas do presidente Donald Trump, segundo fontes familiarizadas com o assunto.
Entre os investidores da Shein estão a IDG Capital, a Mubadala Investment, a Tiger Global Management e a HSG.
--Com a colaboração de Zhang Dingmin, April Ma e Daniela Wei.
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