Sem ‘bala de prata’, Westwing busca lucro após 5 fundos comprarem fatia da Mastercard

CEO André Machado afirma à Bloomberg Línea que a varejista não aposta em um evento único para zerar o prejuízo acumulado de R$ 241,6 milhões; leilão da fatia da Mastercard, obtida em garantia de crédito do Banco Master, atraiu Oriz, HIX, BlueOak, Três Ilhas e Leblon Equities

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Bloomberg Línea — A Westwing (WEST3) tem adotado um conjunto de mudanças estruturais para reverter os prejuízos acumulados, meses depois de a varejista de móveis e decoração ser envolvida em uma troca de acionistas provocada pelo caso do Banco Master.

Uma das mudanças é justamente a entrada de novos fundos como sócios minoritários, entre eles as gestoras Oriz, HIX Capital, BlueOak, Três Ilhas e Leblon Equities, segundo o CEO da Westwing, André Machado.

Elas adquiriam parte da fatia de 32% que havia sido tomada pela Mastercard quando a bandeira de cartões executou as garantias após a inadimplência e liquidação do Will Bank, banco digital do Master, de Daniel Vorcaro. A Mastercard não tinha interesse estratégico na varejista e levou os papéis a leilão realizado pelo BTG Pactual.

Em entrevista à Bloomberg Línea, Machado classificou as cinco gestoras como uma nova “base super qualificada” de acionistas. Ele, no entanto, reconheceu que não espera uma solução única e milagrosa para a empresa de home & living voltar ao lucro. “Não existe uma bala de prata”, afirmou.

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Na composição acionária informada pela empresa à B3, referente a maio, a Oikos aparece como a maior sócia, com 25,47% do capital, seguida por HIX (8,70%), WNT (7,94%), Oriz (6,64%), BlueOak (6,63%), Trustee (5,65%) e Argucia Capital (5,04%). Os 33,94% restantes estão com outros investidores de bolsa.

Em janeiro, a Westwing perdeu seu acionista de referência, um veículo de investimento ligado ao Banco Master, que tinha dado ações da Westwing como garantia.

Machado descartou qualquer exposição da Westwing ao grupo Master. “Nunca tivemos antecipação de recebível nem aplicação em CDB de instituição arriscada”, afirmou ele, referindo-se às duas formas mais comuns de varejistas se contaminarem por bancos problemáticos.

Pelo estatuto da companhia, o caixa só pode ser aplicado em instituições AAA, o que, na prática, inclui Itaú Unibanco, Bradesco e BTG Pactual.

Caixa para operar por uma década

Apesar do prejuízo acumulado R$ 241,6 milhões, a Westwing tem caixa para operar por uma década sem tomar crédito, segundo o CEO. Não há dívida bancária no balanço, apenas contratos de arrendamento das lojas e do centro de distribuição em Jundiaí, interior paulista.

Essa posição de liquidez é o que sustenta a tese de virada do CEO, que vem adotando medidas para melhorar a operação desde que assumiu o comando, em agosto de 2025.

O cenário da Westwing contrasta com o do Grupo Toky, dono de Tok&Stok e Mobly, que pediu recuperação judicial, e com o de outros pares do varejo pressionados pela Selic em dois dígitos.

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Machado aposta na reorganização interna. O antigo modelo de clube de compras foi abandonado. O sortimento foi reduzido drasticamente, a homepage do e-commerce passou a ser atualizada uma vez por semana em vez de todo dia, e o portfólio foi reorientado para produtos proprietários, a Westwing Collection.

Ações da Westwing (WEST3)

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A marca própria, que respondia por uma fatia minoritária das vendas, hoje se aproxima da metade do faturamento. “A gente quer levar isso para 85% do portfólio proprietário em três anos”, afirmou o CEO. Móveis é a categoria mais relevante e foi a que mais cresceu no trimestre.

Os resultados começam a aparecer. O modelo enxuto começou a sustentar margens melhores mesmo com receita ainda modesta. No primeiro trimestre, a receita líquida cresceu 7,3% sobre um ano antes, para R$ 35,8 milhões, segundo trimestre consecutivo de alta desde 2022.

O ticket médio subiu 15,6%, as despesas com logística e entrega recuaram 11,4%, e o Ebitda ajustado, ainda negativo em R$ 3,2 milhões, melhorou 60,6% sobre igual período de 2025. O prejuízo líquido, que pressionava o papel, ficou em R$ 842 mil, ante R$ 8,7 milhões um ano antes.

Outra aposta da gestão é o canal de arquitetos e designers, que cresceu seis vezes em um ano, com uma base estimada em 150 mil profissionais. A ideia é que esses profissionais atuem como prescritores de marca, levando os produtos Westwing a seus clientes finais em um modelo próximo ao B2B2C.

Machado evita cravar uma data para o retorno definitivo ao lucro. A estratégia é continuar executando o plano de três anos, trimestre a trimestre, buscando eficiência operacional e geração de caixa.

A redução de capital de R$ 60 milhões, aprovada em abril e com restituição aos acionistas marcada para 1º de julho, reflete o excesso de caixa identificado pelo conselho. Na conta do CEO, mesmo em um cenário pessimista de queima de caixa, os recursos atuais garantiriam dez anos de operação sem necessidade de novas captações.

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