Bloomberg — As vendas da Richemont cresceram quase o dobro do esperado nos três meses encerrados em junho, impulsionadas pela forte demanda por parte de americanos.
As vendas cresceram 20% a taxas de câmbio constantes, informou o grupo suíço de luxo nesta quarta-feira, quase o dobro da previsão consensual da Bloomberg, que apontava para um crescimento de 11%.
As ações subiram até 7,4%, atingindo um recorde em Zurique — o maior ganho intradiário desde o início de maio —, impulsionando também as ações de outras empresas do setor de luxo.
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O relatório indica que a Richemont, com sede em Genebra, tem lidado melhor com a desaceleração mais ampla no setor de luxo do que rivais como a LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, a Kering, proprietária da Gucci, e a Hermès, graças ao apelo duradouro de marcas como Cartier e Van Cleef & Arpels.
A divisão de joias, que representa cerca de três quartos de seus negócios, registrou um crescimento trimestral de 24%, com as vendas nas Américas liderando o crescimento. Na Europa, a expansão foi impulsionada pela forte demanda de clientes locais, bem como de turistas da América do Norte e do Oriente Médio.
As vendas da unidade especializada em relojoaria cresceram 8%, com destaque para a Vacheron Constantin, a Jaeger-LeCoultre e a A. Lange & Söhne.
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As vendas gerais avançaram em todas as regiões, incluindo um retorno ao crescimento no Oriente Médio e na África, onde a Richemont obtém pouco menos de um décimo de sua receita.
O analista da Vontobel, Jean-Philippe Bertschy, atribuiu os sólidos resultados a “anos de execução consistente, aumentos de preços disciplinados, alocação eficiente de capital e um portfólio de marcas altamente cobiçadas, com forte poder de fixação de preços e diversificação geográfica”.
Ele destacou a aceleração do crescimento das vendas a partir de “uma base já elevada, em meio a um cenário macroeconômico desafiador e em comparação com concorrentes que devem apresentar resultados mais fracos”.
Em tempos de incerteza econômica, as joias de luxo são vistas como uma reserva de valor superior em comparação com roupas e artigos de couro caros.
A Richemont também observou que os americanos tendem a se sentir mais à vontade para gastar generosamente em joias do que os europeus, o que ajuda a sustentar os gastos com artigos de luxo no mercado dos EUA.
O setor tem enfrentado recentemente dificuldades devido a uma queda na demanda proveniente da China, bem como aos preços mais elevados do ouro e às repercussões do conflito no Oriente Médio, que interromperam as viagens na região e prejudicaram as vendas em centros de compras duty-free como Dubai.
A Richemont sinalizou uma queda modesta nas vendas trimestrais nos Emirados Árabes Unidos, onde fica Dubai. As vendas aumentaram em mais de um quinto na Ásia-Pacífico, impulsionadas pelo bom desempenho da unidade de joias.
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O desempenho na região foi “amplamente estável” no segmento de relojoaria especializada, com uma queda na China, em Hong Kong e em Macau, em grande parte compensada pelo crescimento no restante da região, acrescentou a empresa.
A posição de caixa líquido da empresa aumentou para 9,1 bilhões de euros (US$ 10,4 bilhões), incluindo um ganho de € 400 milhões proveniente da recente alienação de sua participação na operadora de lojas duty-free Avolta.
--Com a colaboração de Levin Stamm, Anthony Palazzo e Angelina Rascouet.
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