Rebouças atrai hotéis de luxo e reforça apelo como novo eixo de lazer em SP

Hotel Pulso, recém-aberto pela holding Estancorp, é novo representante de segmento que avança para além de Itaim, Jardins e Berrini; grupo Faena terá sua primeira unidade no país na região

Hotel Pulso, em São Paulo, unidade do grupo Estancorp, dono do Estanplaza Hotéis
16 de Junho, 2024 | 09:18 AM

Bloomberg Línea — O segmento de hotéis de luxo na cidade de São Paulo continua a se mostrar um dos mais aquecidos na indústria de turismo e bem-estar, com o desenvolvimento de empreendimentos de grupos nacionais e globais para além de regiões que tradicionalmente abrigam essas unidades.

Um dos novos hotéis é o Pulso, nova bandeira para a hotelaria de luxo do Grupo Estancorp, mais conhecida pela rede Estanplaza.

A primeira unidade da marca, em fase de soft opening, representa algumas das tendências do setor, como a expansão de empreendimentos de alto padrão na região da avenida Rebouças, na zona oeste de São Paulo, a integração do hotel com um edifício residencial e com serviços de lazer no mesmo complexo.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da Estancorp, Otávio Suriani, disse que o grupo fundado por seu pai, Lucio Suriani, aposta na demanda crescente por hospedagem que alia imersão cultural com serviços de qualidade e que avalia que há um mercado potencial nesse segmento.

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“São Paulo tem um déficit importante de oferta de apartamentos na hotelaria de luxo em comparação com capitais como Buenos Aires, Lima e Bogotá. O Pulso, o novo Fasano, o W e o Faena vêm suprir a demanda desse mercado. Não vamos ter problema de superoferta, de ocupação, de preço”, disse o CEO.

Ele fez referência ao Fasano São Paulo Itaim, aberto em maio de 2023 na rua Pedroso Alvarenga, e às chegadas ao Brasil das marcas W, da rede norte-americana Marriott, na Vila Olímpia, e Faena, do Grupo Accor, na Rebouças na proximidade com Faria Lima pelo lado Pinheiros.

A oferta de hotéis de luxo na região cresceu nos últimos anos com a chegada do Rosewood, no complexo Cidade Matarazzo, perto da avenida Paulista; e existem os já estabelecidos Fasano e Emiliano, nos Jardins.

É uma região que tem se expandido na esteira do Plano Diretor, que concede incentivos para empreendimentos nos arredores do eixo de transporte público, como é o caso da Rebouças.

O CEO destacou o foco crescente do setor da incorporação imobiliária na região da Rebouças nos trechos mais próximos da Faria Lima que fica nos arredores de Pinheiros.

“A Faria Lima [do lado Itaim] saturou e veio para cá. Na Vila Olímpia e no Itaim, há menos terrenos disponíveis. Em Pinheiros, por sua proximidade com grandes centros comerciais e de serviços, há uma maior percepção de valor do ativo. Por exemplo, Pinheiros é um dos maiores centros gastronômicos da cidade e há também o shopping Iguatemi ao lado”, disse o executivo.

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Os empreendimentos aumentam a oferta de quartos para o público executivo e de alta renda.

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“O perfil da hotelaria de luxo mudou após a pandemia. A contribuição do viajante corporativo diminuiu 10% em São Paulo. Em contrapartida, o viajante que vem para eventos, shows ou para turismo e gastronomia cresceu bem mais que esses 10%, compensando a queda do corporativo”, disse Suriani.

“Vemos como tendência muito forte e consolidada da hotelaria mundial o desejo do viajante de conhecer os sabores, as cores, a arte, a música, a fim de se conectar com a cidade e retornar para casa tendo conhecido um pouco mais do destino que visitou. O Pulso oferece esse terroir local.”

O carro-chefe da holding Estancorp no setor ainda é a rede Estanplaza Hotéis, que tem sete unidades em áreas nobres da capital paulista, do Funchal Faria Lima, em frente ao Shopping JK Iguatemi, ao Gran Estanplaza Berrini. A marca Pulso inaugurou oficialmente em abril em Pinheiros (zona oeste de São Paulo), na rua Henrique Monteiro, perto das avenidas Rebouças e Faria Lima.

Hotel Pulso, lobby, da Estanplaza

Aposta em curadoria

O hotel tem referências culturais em seu espaço, como um painel de 30 metros de autoria do poeta, ensaísta e artista plástico paulistano Nuno Ramos no jardim interno do lobby.

O restaurante principal do hotel é o tradicional Bistrô Charlô. Referência da gastronomia paulistana, o restaurateur Carlos Whately, o Charlô, também comanda a segunda unidade do Cha Cha, misto de café, boulangerie, rotisseria e empório. O arquiteto Arthur Casas, um dos principais nomes do design brasileiro, assina a edificação e os interiores de todos os espaços do hotel, incluindo as suítes.

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Com 52 apartamentos de 32 metros quadrados e cinco suítes de 64 metros quadrados, o Pulso tem um spa da L’Occitane au Brésil, marca francesa de produtos de beleza.

O Bar Sarau conta com uma carta de drinks do premiado bartender Gabriel Santana, com programação musical. O arquiteto e crítico Guilherme Wisnik fez a curadoria de mais de 300 itens do acervo para suítes e áreas sociais, e a marca italiana Technogym assina os aparelhos da academia.

“Fizemos uma curadoria do melhor de São Paulo. Explicamos o conceito do hotel para os parceiros do hotel, que se sentiram atraídos, se identificaram e abraçaram a ideia de um hotel de luxo aberto, integrado com a cidade, vivo e vibrante”, disse Suriani.

O Pulso foi certificado pelo Preferred Hotel Group, que reúne de hotéis de luxo globalmente. Após inspeção, a associação internacional o listou entre as opções de hospedagem de alto padrão do Brasil, ao lado do Hotel Unique, Yoo2 Rio de Janeiro by Intercity e Fera Palace Hotel, de Salvador.

Próximos passos: Pulso JK e outras cidades

O Grupo Estancorp planeja abrir a segunda unidade do Pulso na capital, enquanto ainda estuda como replicar o conceito em outras cidades, a exemplo de grupos como Fasano e Emiliano. Será um projeto greenfield, ou seja, iniciado do zero.

“Devemos ter mais um ativo em São Paulo nos próximos anos. Já temos projeto. Vai se chamar Pulso JK. Fora de São Paulo, sabemos que o projeto cabe em algumas capitais e localidades específicas do país, inclusive destinos de praia”, disse o CEO. “O maior desafio é achar o lugar certo para implantar nosso conceito.”

A família Suriani seguiria os passos de players como o Fasano, que tem filiais no Rio de Janeiro, na Bahia, em Minas Gerais, além do exterior, e o Emiliano, que replicou sua operação paulistana em Copacabana.

Por enquanto, o Pulso em São Paulo já tem acordos corporativos firmados com players da região da Rebouças e da Faria Lima, como gestoras, bancos e empresas, para a ocupação.

Otavio Suriani, em frente ao mural de Nuno Ramos, no hotel Pulso

Novas fontes de receita

O portfólio da bandeira Pulso ampliará as receitas do Grupo Estancorp, segundo o CEO. Concebido antes da pandemia (2019), o projeto do novo hotel levou 40 meses para se transformar em realidade.

“Em termos de receita, o Pulso deve aumentar de 15% a 20% a geração de receita recorrente das administradoras. Tem um peso importante. É o primeiro empreendimento dessa marca nova que esperamos que cresça à medida que abrimos novas unidades, passando a ter um peso maior na receita”, diz Suriani.

Ele disse considerar o Pulso como uma síntese da atuação do grupo nos últimos quarenta anos de desenvolvimento imobiliário que agrega serviços como hotelaria.

O hotel integra o espaço do empreendimento residencial Praça Henrique Monteiro. O projeto arquitetônico do Pulso prevê acesso sem muros ou grades.

“O imóvel fica mais valorizado [com a integração]. O morador quer comodidade e benefício, e o hotel ganha quando está em um empreendimento de escala. A integração de usos e as sinergias dos serviços melhoram a percepção de valor para todo mundo”, afirmou Suriani.

Além do Funchal Faria Lima, em frente ao Shopping JK Iguatemi, e do Gran Estanplaza Berrini, a rede Estanplaza possui ainda unidades na região da avenida Paulista, do Parque Ibirapuera, da Berrini, das Nações Unidas e na Chácara Santo Antônio (zona sul), com diárias de valores aproximados entre R$ 1.500 e R$ 2.500. No Pulso, esses valores ficam perto de R$ 2.300 a R$ 3.200.

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Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.