Raízen se aproxima de acordo com credores para recuperação extrajudicial, dizem fontes

Empresa está em discussões com bancos há uma semana, e um acordo com os bondholders pode sair já nesta semana, disseram pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Bloomberg News

Photographer: Victor Moriyama/Bloomberg
Por Rachel Gamarski - Giovanna Belotti Azevedo - Cristiane Lucchesi
10 de Março, 2026 | 07:07 PM

Bloomberg — A Raízen está próxima de chegar a um acordo com seus principais credores para iniciar uma recuperação extrajudicial, segundo pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Bloomberg News.

Um acordo com os bondholders pode sair já nesta semana, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas porque a informação é privada.

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A empresa está em discussões com bancos há uma semana, e tanto a Raízen quanto seus credores reduziram posições de hedge que haviam sido montadas para honrar dívidas denominadas em dólar à medida que as conversas avançam, afirmaram as fontes.

A Cosan, que controla a Raízen por meio de uma joint venture com a Shell, não está mais em negociações com a petroleira para resgatar a companhia, disse o CEO Marcelo Martins durante teleconferência de resultados na terça-feira (10). Os credores agora discutem o futuro da Raízen com a Shell e as conversas estão evoluindo, acrescentou.

A Raízen informou na semana passada que pode entrar em um processo de reestruturação extrajudicial enquanto busca uma solução para seus problemas de endividamento.

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A Shell e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, concordaram em injetar juntos R$ 4 bilhões na empresa como parte de uma proposta que inclui uma reestruturação mais ampla da dívida, que pode envolver a conversão de parte da dívida em ações, a extensão dos prazos de vencimento do saldo remanescente e a venda de ativos não estratégicos.

Leia também: Cosan não está mais envolvida nas negociações com a Shell sobre a Raízen, diz CEO

Trata-se de uma reviravolta dramática para a que já foi a principal produtora de biocombustíveis do Brasil. Esforços anteriores para fortalecer a Raízen fracassaram após Cosan e Shell não chegarem a um acordo sobre quanto capital deveriam aportar na empresa.

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Fundos de private equity administrados pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não injetar recursos, disse uma pessoa com conhecimento do assunto na semana passada.

Desde que o BTG deixou as discussões, bancos e detentores de títulos intensificaram a análise da estrutura de capital da Raízen, disseram pessoas com conhecimento do tema, que pediram para não ser identificadas porque as negociações são privadas.

Raízen, Cosan e BTG não comentaram. A Shell não respondeu a um pedido de comentário. Na semana passada, a Shell afirmou que está “ajudando a aliviar os desafios financeiros que a Raízen enfrenta atualmente” e propôs uma contribuição de R$ 3,5 bilhões como parte de uma solução estrutural.

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Desde a semana passada, operadores de câmbio e gestores de recursos em todo o Brasil relataram uma onda significativa de desmontagem de hedges ligados a operações relacionadas à empresa.

Os fluxos afetaram tanto o dólar à vista quanto o chamado cupom cambial, a taxa de juros do dólar no mercado doméstico implícita no mercado de juros futuros e amplamente utilizada como referência para o custo de hedge contra exposição ao dólar.

O Valor Econômico noticiou anteriormente as reduções de hedge.

A Raízen vem sendo pressionada por juros elevados, safras mais fracas e investimentos pesados que ainda não geraram retorno. Esses fatores corroeram seu fluxo de caixa e fizeram sua dívida disparar. A empresa encerrou o último ano com dívida líquida total de R$ 55,3 bilhões, alta de 43% em relação ao ano anterior. A alavancagem subiu para 5,3 vezes o lucro antes de itens como juros e impostos, ante 3 vezes no ano anterior.

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Os títulos da empresa, já sob pressão, despencaram depois que ela mudou o tom sobre possíveis negociações sobre reestruturação no início deste ano. Agências de classificação de risco rapidamente rebaixaram fortementa o grau de investimento da empresa para níveis de grau especulativo, intensificando o selloff.

A dívida da Raízen com vencimento em 2034, que era negociada acima de 80 centavos de dólar até fevereiro, atualmente é transacionada a cerca de 49,5 centavos de dólar, segundo dados da Trace. Os rendimentos estão em torno de 19% — abaixo do pico de 25% registrado em fevereiro, mas ainda bem acima dos níveis considerados estressados no mercado de crédito.

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