Raízen inicia recuperação extrajudicial para renegociar R$ 70 bilhões em dívidas

Produtora de açúcar e etanol chegou a um entendimento com credores para iniciar uma reestruturação da dívida, segundo o jornal O Globo, confirmando notícia anterior da Bloomberg News de que um acordo estava próximo

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Bloomberg — A Raízen chegou a um acordo para iniciar uma recuperação extrajudicial de dívida de cerca de R$ 70 bilhões, informou o jornal O Globo, confirmando notícia anterior da Bloomberg News dizendo que a produtora brasileira de açúcar e etanol se aproximava de um acordo com credores.

O acordo da empresa, controlada pela Shell e pela Cosan, foi firmado com credores que representam 40% da dívida.

A companhia, que enfrenta dificuldades financeiras, vinha negociando com bancos e detentores de títulos na última semana, depois que a Shell e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, concordaram em injetar juntos R$ 4 bilhões em capital.

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A Raízen afirmou na semana passada que poderia entrar em um processo de recuperação extrajudicial enquanto busca uma solução para seus problemas de endividamento.

A injeção de capital faz parte de uma proposta mais ampla de reorganização da dívida que pode incluir a conversão de parte do passivo em ações, a extensão dos prazos de vencimento do saldo restante e a venda de ativos não estratégicos.

Embora Ometto esteja participando individualmente da injeção de novos recursos, a empresa que ele fundou não faz mais parte das negociações para socorrer a Raízen.

Cosan e Shell têm participações iguais na Raízen, e o novo acordo tornaria a Shell uma acionista maior, o que provavelmente exigiria que a petroleira com sede em Londres passasse a consolidar a Raízen em suas demonstrações financeiras.

Fundos de private equity administrados pelo BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não fazer novos investimentos, disse na semana passada uma pessoa com conhecimento do assunto.

Na semana passada, a Shell afirmou que está “ajudando a aliviar os desafios financeiros que a Raízen enfrenta atualmente” e propôs uma contribuição de R$ 3,5 bilhões como parte de uma solução estrutural.

A Raízen tem sido pressionada por juros elevados, safras mais fracas e investimentos pesados que ainda não geraram retorno. Esses fatores reduziram o fluxo de caixa e fizeram a dívida da companhia disparar.

A empresa encerrou o ano passado com dívida líquida total de R$ 55,3 bilhões, alta de 43% em relação ao ano anterior. A alavancagem subiu para 5,3 vezes o lucro antes de itens como juros e impostos, ante três vezes no ano anterior.

Os títulos da empresa, que já estavam sob pressão, caíram depois que a Raízen mudou o tom sobre possíveis negociações de reestruturação no início deste ano.

Agências de classificação de risco se apressaram em rebaixar a companhia do grau de investimento para níveis profundos de grau especulativo, intensificando a venda dos papéis.

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