Quem tiver mineral com maior qualidade vai comandar os preços, diz CEO da Vale

Segundo Gustavo Pimenta, mineradora tem oportunidades para obter prêmios com o minério de ferro de maior qualidade; atualmente a companhia tem conseguido de US$ 16 a US$ 17 por tonelada do produto com 65% e 68% de teor contido, ante a referência de 62% do mercado global

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Bloomberg Línea — A Vale (VALE3) enxerga oportunidades para obter prêmios com o minério de ferro de maior qualidade, mesmo que o cenário seja de margens comprimidas na indústria siderúrgica global

Segundo o CEO, Gustavo Pimenta, a mineradora brasileira tem conseguido obter de US$ 16 a US$ 17 por tonelada do minério de 65% e 68% de ferro contido, ante a referência do mercado de 62%.

“Entendemos que quem tiver mineral com maior qualidade vai comandar os preços. Já vemos um movimento recente, mas o grande valor vai vir no médio e longo prazo diante da aceleração da descarbonização”, disse o executivo durante evento promovido pelo grupo empresarial Lide nesta sexta-feira (28).

Pimenta considera que os prêmios obtidos atualmente pela companhia são “adequados”. “É um bom prêmio, mas entendemos que existem oportunidades de incremento à medida que a descarbonização avança.”

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Ele afirmou que o mercado chinês tem se comprometido com esse movimento. “A China está se tornando uma grande potência verde e pouca gente tem falado sobre isso.”

Em sua visão, o Brasil tem potencial para liderar a indústria global de mineração, mas a falta de previsibilidade e a morosidade na obtenção de licenciamentos ambientais são desafios para o crescimento do setor no país.

“Conseguimos competir de igual para igual com qualquer país, mas para isso precisamos voltar a fazer grandes projetos, o último foi o S11D. Essa tem que ser a nossa ambição”, destacou.

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Pimenta disse que a morosidade não é uma particularidade do Brasil e que, no mundo todo, os projetos de mineração têm levado muito mais tempo para entrar em operação - cerca de 15 anos.

“Essa indústria tem uma natureza de longuíssimo prazo, precisamos olhar para o ambiente de desenvolvimento dos projetos, colocando mais gente dentro dos órgãos ambientais, usando mais tecnologias para acelerar os processos e ampliando o mapeamento do território brasileiro.”

O executivo citou como obstáculo para o avanço da mineração no Brasil o baixo mapeamento do território, hoje de apenas 25%. Na Austrália, país com dimensões semelhantes e líder global na produção minerária, ele afirma que o território conhecido é de 70%.

Minerais críticos

Pimenta ressaltou que a descarbonização passa necessariamente pela oferta de minerais críticos. “Não temos um problema de demanda, a demanda é infinita”, diz.

Ele citou estudo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) que prevê que a indústria global terá que aumentar de cinco a seis vezes a produção de minerais críticos para atender à necessidade de demanda nos próximos 20 anos.

“É um desafio enorme, nós temos toda a tabela periódica em nosso território. O Brasil tem potencial de ser líder mundial neste processo, mas estamos ficando para trás nessa corrida”, disse.

Na visão do executivo, o Brasil precisa integrar mais a cadeia mineral, que hoje tem pouco refino. Para destravar o segmento, ele cita como solução trabalhar, como nação, por preços de gás natural mais competitivos. “Há muito espaço para melhorar”, afirmou.

Para Pimenta, atualmente o mundo está atento ao segmento que inclui commodities como cobre e níquel. “Entendemos que os minerais críticos vão ter um papel geopolítico de destaque, é o novo petróleo das próximas gerações.”

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