Oncoclínicas contrata BTG como formador de mercado e avalia recuperação extrajudicial

Banco também representa a MAK Capital, fundo que condicionou aporte à mudança no conselho; companhia diz que recuperação extrajudicial ‘permanece em avaliação’ e corpo clínico alerta para fim de estoque de remédios

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Bloomberg Línea — A Oncoclínicas (ONCO3) contratou o BTG Pactual como formador de mercado, com a tarefa de sustentar a liquidez de suas ações no momento em que o mesmo banco atua como representante legal da MAK Capital, o fundo americano que lidera a pressão por mudanças no comando da empresa de oncologia em troca de um aporte de R$ 500 milhões.

O arranjo coloca uma única instituição financeira em dois papéis simultâneos dentro de uma companhia mergulhada na pior crise desde sua estreia na bolsa.

A decisão, confirmada pela Oncoclínicas, substitui o Citigroup, que exercia a função de formador de mercado desde a abertura de capital, em 2021, e se soma a uma guerra societária que acaba de chegar à CGU (Controladoria-Geral da União).

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A companhia afirma que não tem conhecimento de eventual proposta de capitalização de R$ 500 milhões e que a recuperação extrajudicial, instrumento que permite renegociar dívidas com credores fora do rito completo da Justiça, “permanece em avaliação no âmbito das discussões conduzidas pela Administração e seus assessores”.

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A urgência tem prazo. A empresa obteve em abril uma tutela cautelar que suspende o vencimento antecipado de suas dívidas e segura a execução por credores, proteção que vale até junho. O esgotamento desse prazo é o que torna a recuperação extrajudicial uma hipótese cada vez mais concreta.

O novo contrato com o BTG entra em vigor enquanto a companhia tenta provar ao mercado que ainda controla seu próprio destino, mesmo cercada por credores, fundos e investidores que disputam a rede de tratamento de câncer.

A representação foi protocolada pela Abraicc, associação que reúne acionistas minoritários, na CGU, órgão do governo federal responsável por fiscalizar a integridade e a conduta na administração pública, confirmou à Bloomberg Línea o advogado Felipe Demori, que representa os minoritários.

O documento está ligado à disputa sobre a obrigatoriedade de uma oferta pública de aquisição, a OPA, que tramita na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), reguladora do mercado de capitais. A Abraicc levou à CGU questionamentos sobre a forma como o caso tem sido conduzido perante as instâncias de controle.

A movimentação revela uma base acionária fragmentada e um controle cada vez mais disputado. De um lado, a Centaurus resiste à OPA que os minoritários cobram. De outro, a MAK Capital, representada no Brasil pelo BTG, pressiona por uma reforma no conselho como condição para colocar dinheiro na empresa.

No meio, a companhia tenta conter credores e evitar uma reestruturação que o mercado já trata como provável.

Fim do estoque dos medicamentos

O tempo, porém, corre contra a Oncoclínicas dentro das próprias clínicas. Em carta ao conselho eleito em 30 de abril, o corpo clínico alertou que o estoque de medicamentos garantido pelo último aporte dura apenas mais algumas semanas e que a escassez recorrente já compromete a segurança dos pacientes, segundo o documento visto pela Bloomberg Línea.

A pressão financeira, nesse caso, deixou de ser apenas um problema de balanço e passou a afetar o tratamento contra o câncer.

A troca do formador de mercado se encaixa nesse mosaico. O contrato com o Citigroup foi encerrado no mês passado, e o BTG assumiu com a missão formal de fomentar a negociação dos papéis na B3, segundo o comunicado divulgado pela companhia.

A presença do banco como guardião da liquidez ganha peso porque ele também representa, no Brasil, a MAK Capital, que detém pouco mais de 6% do capital e condiciona o aporte a uma ampla reforma na governança.

Já o esclarecimento sobre a proposta de R$ 500 milhões veio em resposta a um ofício da CVM sobre reportagem do Valor Econômico, que noticiara a busca por essa capitalização como parte de um plano de recuperação extrajudicial.

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No comunicado, assinado pelo diretor financeiro e de relações com investidores, Isaac Quintino da Silva, a companhia afirmou não ter conhecimento de proposta nesse valor nem de definições sobre operação dessa natureza.

As conversas com credores são conduzidas pela BR Partners, contratada como assessoria financeira, e permanecem em estágio preliminar, sem definição sobre alongamento de prazos ou descontos, segundo comunicado da Oncoclínicas.

Procuradas pela reportagem, Oncoclínicas, BR Partners e MAK Capital não comentaram. A empresa acumula prejuízo crescente, alavancagem considerada insustentável pela Fitch, e as ações desvalorizam 35,6% no ano e 64% em 12 meses.

Ações da Oncoclínicas (ONCO3)

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Esse cenário se desenhou depois que depois que Porto Seguro (PSSA3) e Fleury (FLRY3) deixaram a mesa no mês passado, quando chegaram a negociar a criação de uma nova empresa que absorveria parte das clínicas e bilhões em dívida do grupo, mas desistiram, deixando a proposta da MAK como a alternativa mais concreta sobre a mesa.

Entre as opções estudadas para aliviar o caixa está a venda de ativos. A companhia busca comprador para um hospital no Rio de Janeiro, depois que a Hapvida recuou da operação, e avalia desinvestimentos em outras unidades, incluindo cancer centers, os centros que concentram diagnóstico, quimioterapia e radioterapia num mesmo complexo.

No plano societário, o pedido de OPA dos minoritários já deixou a área técnica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e foi encaminhado ao Colegiado para julgamento.

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