Nubank: modelo de IA ajuda a impulsionar receita líquida de juros no quarto trimestre

Novo modelo de crédito utiliza ferramentas de IA para avaliar com mais precisão o risco de cada cliente, segundo a fintech; lucro líquido ajustado atingiu US$ 943 milhões no trimestre, alta de 55% sobre igual período do ano anterior

Nubank headquarters in Sao Paulo, Brazil, on Wednesday, May 15, 2024. Nu Holdings Ltd., one of the world's largest digital banks, surpassed 100 million clients across its operations in Brazil, Mexico and Colombia. Photographer: Jonne Roriz/Bloomberg
Por Matheus Piovesana
25 de Fevereiro, 2026 | 09:58 PM

Bloomberg — As margens de crédito do Nubank avançaram no quarto trimestre, à medida que a maior fintech da América Latina ampliou o uso de um modelo de crédito baseado em inteligência artificial.

O Nubank informou que a receita líquida de juros aumentou 55% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 2,8 bilhões, segundo resultados divulgados na quarta-feira (25). A margem líquida de juros ajustada subiu 0,6 ponto percentual no mesmo período, para 10,5%.

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Parte dessa expansão esteve ligada à implementação de um novo modelo de crédito que utiliza ferramentas de IA para avaliar com mais precisão o risco de cada cliente, informou o Nubank.

Lançada inicialmente no Brasil, a estratégia amplia a disposição da companhia para elevar limites de crédito de determinados grupos de tomadores.

“Tivemos o maior ganho de participação de mercado em cartões de crédito no Brasil nos últimos 10 trimestres”, disse o CFO Guilherme Lago em entrevista à Bloomberg News antes da divulgação dos resultados.

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Parte desse avanço ainda não aparece integralmente nos números, pois os clientes ainda não utilizaram totalmente os limites de crédito ampliados, afirmou.

O lucro líquido ajustado da empresa, com sede em São Paulo, foi de US$ 943 milhões, alta de cerca de 55% em relação ao ano anterior, superando a estimativa média de analistas ouvidos pela Bloomberg.

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A qualidade de crédito da carteira melhorou, com a taxa de inadimplência acima de 90 dias recuando 0,1 ponto percentual, para 6,6% até dezembro. Desconsiderando fatores sazonais que costumam favorecer o crédito no quarto trimestre, o Nubank vê a carteira como amplamente estável, disse Lago.

O Brasil, onde o Nubank mantém sua maior e mais lucrativa operação, se prepara para um ciclo de afrouxamento monetário amplamente esperado, após as condições monetárias mais restritivas em quase duas décadas.

No México, a fraqueza do consumo, a queda do investimento e a valorização do peso frente ao dólar indicam que o banco central do país tem espaço para promover novos cortes de juros. A inflação cheia já permanece há vários meses abaixo do teto de 4% da meta.

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O Nubank afirmou que manterá neste ano o mesmo apetite por crescimento.

“Com os dados que temos atualmente, não pretendemos reduzir nosso ritmo de expansão”, disse Lago. A empresa normalmente trabalha com um cenário relativamente “pessimista” ao definir premissas para concessão de crédito, acrescentou o diretor financeiro.

O Nubank encerrou o trimestre com 131 milhões de clientes, ante estimativa de 131,5 milhões feita por analistas. Em dezembro, tornou-se a maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes, segundo dados do Banco Central.

A fintech também está nas etapas iniciais de criação de um banco nos Estados Unidos, após receber a primeira aprovação condicional das autoridades locais.

Esse processo costuma levar até dois anos, afirmou Lago. O Nubank não divulga números sobre seus planos para os Estados Unidos.

As ações do Nubank (NU) caíram mais de 4% em Nova York na quarta-feira após o fechamento, devolvendo ganhos registrados mais cedo.

Os papéis da companhia acumulam alta de 48% nos últimos 12 meses até o fechamento de quarta-feira, mas recuam 1% neste ano, pressionados por temores relacionados à IA que afetaram as bolsas globais.

Atualmente, a empresa é a segunda instituição financeira listada mais valiosa da América Latina, atrás do Itaú Unibanco.

A fintech vê a IA como uma oportunidade, já que um modelo de negócios orientado ao crédito tende a ser mais resiliente a possíveis disrupções, disse o CEO David Vélez em teleconferência na quarta-feira. Ele reconheceu, no entanto, que também pode haver efeitos negativos.

“É um desafio e tem potencial de disrupção, além de representar uma oportunidade significativa”, afirmou. “No balanço geral, entendemos que é mais uma oportunidade do que um desafio para nós, mas precisamos levar isso muito a sério — e estamos levando.”

-- Com a colaboração de Maria Clara Cobo.

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