Natura vende unidade da Avon na Rússia e conclui simplificação das operações

Para a empresa, a venda consolida a estratégia iniciada há três anos e meio de focar o crescimento na América Latina; ‘Natura entra definitivamente em um novo capítulo’, disse o CEO João Paulo Ferreira em nota

Natura
19 de Fevereiro, 2026 | 05:27 PM

Bloomberg Línea — A Natura (NATU3) informou a venda da Avon Rússia para o Grupo Arnest, em um movimento que, segundo a empresa, marca o fim do o processo de simplificação corporativa iniciado há cerca de três anos e meio.

Segundo comunicado nesta quinta-feira (19), a Natura informou ter recebido 2,5 bilhões de rubros, o equivalente a aproximadamente R$ 170 milhões, de acordo com o câmbio da última terça-feira (17).

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Para a empresa, a operação “consolida o foco no crescimento de seu negócio na América Latina”, disse a Natura em fato relevante.

Na visão de analistas, a fabricante de cosméticos deve agora acelerar a integração das operações na Argentina e no México, relançar a Avon no Brasil e estudar o potencial de distribuir dividendos em 2026 e 2026.

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Nos últimos anos, a Natura vendeu ativos globais, em um plano de simplificação, com o objetivo de otimizar seu portfólio e aumentar a eficiência operacional, reduzindo uma aposta ambiciosa de expansão global.

A venda da Avon Rússia, aguardada por analistas, era o último passo para concluir o processo de simplificação da companhia.

Na América Latina, a marca Avon segue sob gestão da Natura e será relançada no primeiro semestre de 2026.

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“Com a venda da Avon Internacional concluída, a Natura entra definitivamente em um novo capítulo”, disse João Paulo Ferreira, CEO, em nota.

O executivo acrescentou que a empresa inicia em 2026 “um novo ciclo de crescimento, inovação e diferenciação, com uma companhia mais simples, ágil e bem posicionada para impulsionar geração de valor”.

Avaliação dos analistas

Segundo os analistas Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo, do Santander, a Avon Rússia gerava entre R$ 45 milhões e R$ 71 milhões de lucro operacional (Ebitda) por ano.

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Pelo preço pago, a Natura vendeu o negócio por 2,3 a 3,7 vezes esse lucro anual, um valuation considerado baixo para os padrões do setor, estimou a equipe do banco em relatório.

“Embora o valuation implícito possa parecer descontado, especialmente com as [ações] NATU3 negociadas a 5,3 vezes EV/EBITDA [indicador que compara o valor da empresa com sua geração de caixa operacional], acreditamos que o mercado tende a focar na conclusão do processo de simplificação, e não no múltiplo da transação”, escreveram os profissionais da área de research.

No final da tarde, as ações da Natura eram negociadas a R$ 9,34, pequena alta de 0,65%, acumulando desvalorização de 8% em 12 meses.

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“A Avon Rússia já havia sido classificada como ativo mantido para venda e, portanto, acreditamos que as expectativas de contribuição da divisão já estavam excluídas das premissas do mercado”, escreveram os analistas no relatório do Santander.

Novos pontos de atenção

Os analistas esperam que o foco dos investidores se volte para a maturação da implementação da Onda 2, como é chamado o processo de integração das operações, na Argentina e no México, o relançamento da Avon no Brasil e o potencial de dividendos em 2026 e 2027.

O relançamento da Avon está previsto para o primeiro semestre de 2026, com novo posicionamento, portfólio renovado e nova comunicação, segundo relatório da XP divulgado no dia 26 de janeiro.

O Brasil será o primeiro mercado, seguido pelo México em etapa posterior, sem demanda de capital adicional além do já investido em P&D ao longo de 2025, escreveram os analistas Danniela Eiger, Pedro Caravan e Laryssa Sumer.

A companhia já havia confirmado que a Onda 2 foi concluída no quarto trimestre de 2025, sem previsão de novos custos de transformação a partir de 2026.

A Argentina segue em estabilização, mas o México já se aproxima de operação normalizada, segundo a XP.

O novo modelo operacional corporativo, iniciado em dezembro, deve estar majoritariamente implementado no primeiro trimestre de 2026, gerando economias de despesas gerais e administrativas ao longo do ano, avaliaram os analistas.

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