Mineradora inicia operação de terras raras em Goiás e busca ser alternativa à China

Serra Verde, que que tem entre os investidores a Denham Capital, começou a produção no depósito Pela Ema; metais de terras raras são usados em todo tipo de equipamento

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Bloomberg — Uma mineradora brasileira iniciou a produção de metais de terras raras, num movimento de diversificação geográfica diante do domínio da China.

A Serra Verde, empresa que atua com mineração e processamento de terras raras no estado de Goiás, disse que começou a produção comercial em seu depósito de Pela Ema. A empresa também avalia agora o potencial para uma segunda fase de expansão, segundo comunicado na quinta-feira (11).

As tensões sobre as commodities voltaram ao centro das atenções depois que a China disse em dezembro que iria interromper a exportação de uma série de tecnologias de terras raras, tornando mais difícil para os EUA e os seus aliados reforçarem o fornecimento de matérias-primas estratégicas.

Nas últimas três décadas, a China construiu um papel dominante na mineração — e especialmente no refino de terras raras, um conjunto de 17 elementos usados em todo tipo de produto, desde turbinas eólicas a equipamentos militares e veículos elétricos.

O país foi responsável por mais de dois terços das terras raras extraídas no ano passado e abriga toda a capacidade de refino global, de acordo com dados do governo dos EUA. O país também domina a oferta de ímãs de terras raras, principal produto utilizado em bens manufaturados.

O Brasil representa uma grande oportunidade para expansão da produção fora da Ásia. O país empata com a Rússia como as terceiras maiores reservas do mundo – eles ficam atrás da China e do Vietnã.

O depósito Pela Ema contém terras raras leves e pesadas – principalmente neodímio, praseodímio, térbio e disprósio – que são fundamentais para a transição energética. A Serra Verde é o primeiro produtor de terras raras em grande escala do Brasil.

A mineradora – que tem como investidores Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy and Minerals Group – disse que pretende chegar uma produção anual de 5.000 toneladas de óxido de terras raras assim que atingir a capacidade total. Também avalia o potencial para uma expansão da segunda fase que poderá duplicar a produção antes de 2030.

A companhia também trabalha para construir parcerias downstream, disse.

“O início da produção comercial é um marco crucial em nosso desenvolvimento e significa que agora somos a única empresa fora da Ásia a produzir em grande escala as quatro terras raras críticas utilizadas na fabricação de ímãs permanentes”, afirmou o CEO da Serra Verde, Thras Moraitis, em comunicado.

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