Mineradora dos Moreira Salles mira o uso de nióbio em baterias de veículos elétricos

Ricardo Lima, CEO da CBMM, diz em entrevista à Bloomberg News que a empresa busca oportunidades para a aplicação do metal, hoje usado em ligas e aço inoxidável para motores, prédios e pontes

Planta da CBMM
Por Mariana Durao
13 de Maio, 2024 | 01:17 PM

Bloomberg — A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), empresa controlada pela família Moreira Salles que lidera a produção mundial de nióbio, aposta que o metal pode desempenhar um papel fundamental na melhora das baterias de veículos elétricos.

O mineral extraído apenas no Brasil e no Canadá é usado principalmente para fazer ligas e aço inoxidável, e tem uma variedade de aplicações industriais, incluindo uso em motores a jato, arranha-céus e pontes.

A CBMM já produz mais nióbio do que o mundo consome, o que obriga os executivos da empresa a serem criativos na busca de novas oportunidades. Eles colaboram em um projeto de baterias da Toshiba e da Volkswagen.

“Temos hoje mais capacidade de produção do que a demanda global total”, disse o CEO Ricardo Lima, em entrevista à Bloomberg News. “Portanto, nosso desafio é desenvolver mais mercado com novas aplicações.”

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A empresa de capital fechado já está construindo uma fábrica para produzir óxido de nióbio para usos que incluem baterias para carros elétricos.

A planta, com inauguração prevista para este ano, terá capacidade para produzir 3.000 toneladas do metal.

O CEO já fala em uma expansão – que poderia custar mais de R$ 1 bilhão e aumentar a produção em mais de seis vezes, para 20.000 toneladas. A decisão final de investimento será tomada até o final do próximo ano, disse Lima.

Isso permitirá que a CBMM diversifique sua oferta de produtos de nióbio e ligas. A empresa produz 150.000 toneladas de ferronióbio por ano – quantidade que supera a demanda anual global de 124.000 toneladas.

Ricardo Lima, CEO da mineradora CBMMdfd

O nióbio para siderurgia representa a maior parte das vendas da empresa, e 95% vai para o exterior. A empresa vende o metal em 50 países.

A CBMM vendeu 600 toneladas de óxido de nióbio para baterias de scooters e outros veículos pequenos no ano passado, como parte de um projeto de teste. Lima disse que espera dobrar esse valor este ano.

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A empresa, com sede no Brasil e escritórios nos EUA, China, Europa e Singapura, também está buscando tecnologia que utilize nióbio para permitir maior teor de níquel e menor teor de cobalto em baterias de níquel-cobalto-manganês.

No mês que vem, a CBMM planeja revelar o primeiro ônibus elétrico a usar baterias de lítio que misturam tecnologia de nióbio e óxido de titânio. O projeto piloto é uma parceria com a Toshiba e a Volkswagen.

Lima disse que a bateria permite carregamento rápido – de 10 a 15 minutos, comparado a 8 horas de uma bateria convencional – e apresenta menor risco de incêndio e explosões.

“Nossa aposta é que esta será uma tecnologia de sucesso para veículos comerciais”, disse ele. “O próximo passo será aplicá-la em caminhões de mineração.”

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