Mineradora de terras raras busca parceria para projeto de US$ 440 milhões no Brasil

A Meteoric Resources, listada na Austrália, obteve licença ambiental preliminar para o projeto Caldeira, localizado em Minas Gerais, e busca acelerar a estruturação financeira para tomar a decisão final de investimento ainda neste ano

A meta é iniciar a produção em 2028, com foco no fornecimento de terras raras utilizadas em veículos elétricos, turbinas eólicas e outros produtos de alta tecnologia
Por Mariana Durao
12 de Janeiro, 2026 | 02:26 PM

Bloomberg — A Meteoric Resources está em busca de um parceiro estratégico para seu projeto de mineração de terras raras no Brasil e tem mantido conversas com mineradoras e tradings em diversas regiões, segundo o diretor executivo Marcelo Carvalho.

A empresa, listada na Austrália, programou reuniões com investidores durante o Future Minerals Forum, em Riad, nesta semana, para apresentar o projeto, que está orçado em US$ 440 milhões e ainda em estágio inicial.

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“Brasil e terras raras entraram na lista de prioridades do governo saudita este ano”, afirmou Carvalho em entrevista à Bloomberg News. “Esperamos uma agenda intensa com fundos de investimento, family offices e governo.”

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Após obter uma licença ambiental preliminar para o projeto Caldeira, localizado em Minas Gerais, a Meteoric busca acelerar a estruturação financeira para tomar a decisão final de investimento até o meio do ano.

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A meta é iniciar a produção em 2028, com foco no fornecimento de terras raras utilizadas em veículos elétricos, turbinas eólicas e outros produtos de alta tecnologia. Segundo Carvalho, a estrutura de capital desejada é composta por 60% de dívida e 40% de capital próprio.

A empresa também pretende aproveitar os esforços dos EUA e de outros países para reduzir a dependência da China, responsável atualmente por cerca de 90% da produção global de ímãs permanentes de terras raras — componentes essenciais em celulares, motores elétricos e outros dispositivos.

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Conversas com agências governamentais dos EUA, União Europeia e Austrália sobre possíveis linhas de financiamento estão em andamento, disse Carvalho.

Nos casos dos EUA e da UE, provavelmente incluiriam acordos de venda futura do material. O principal desafio, segundo ele, é precificar contratos de fornecimento de longo prazo com base no que ele descreve como preço “artificial”, determinado pela China.

Até o momento, a Meteoric já obteve cartas de intenção não vinculantes e mantém negociações com o BNDES.

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Para ampliar a base de compradores e mitigar riscos relacionados à venda da produção, a empresa estuda construir uma planta de separação de óxidos de terras raras, um investimento estimado em aproximadamente US$ 300 milhões.

Com essa unidade, a Meteoric avançaria uma etapa no processo de beneficiamento, podendo comercializar os produtos diretamente com fabricantes de ligas metálicas e ímãs.

Embora países ocidentais estejam empenhados em diversificar suas cadeias de suprimento com incentivos à produção local e parcerias estratégicas, a capacidade de processamento fora da China ainda é limitada.

“Tem muito mais compradores de óxidos separados no mercado do que de carbonato misto de terras raras”, afirmou Carvalho. “A integração vertical reduziria nosso risco de offtake.”

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