Justiça Federal manda soltar Daniel Vorcaro, do Banco Master, após 11 dias preso

Decisão da desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, se estende a outros quatro executivos do banco investigado por fraude de R$ 12,2 bilhões; não há ameaça à pessoa nem de risco de fuga, apontou

Daniel Vorcaro, Presidente do Banco Master.
28 de Novembro, 2025 | 10:35 PM

Bloomberg Línea — O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, acusado de crimes diversos, teve o pedido de prisão preventiva revogado pela Justiça.

Em decisão proferida nesta noite de sexta-feira (28), a desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) em Brasília, determinou que Vorcaro e outros quatro executivos do Banco Master sejam soltos - um deles é o ex-CEO Augusto Lima.

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A magistrada atendeu a um pedido de reconsideração da ordem de prisão preventiva e apontou que não há ameaça à pessoa e à ordem pública por parte de Vorcaro - tampouco risco de fuga, diferentemente do entendimento anterior.

Segundo a decisão, Vorcaro e os demais executivos terão que usar tornozeleira eletrônica e não poderão se ausentar da cidade em que moram, bem como do Brasil. Também não poderão exercer cargo nas empresas das quais são sócios.

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Vorcaro estava preso desde a noite do último dia 17 de novembro, em decorrência da suspeita de fuga do país por parte da Justiça e da Polícia Federal. O banqueiro é acusado de diferentes crimes contra o sistema financeiro.

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando se preparava para embarcar para Dubai em seu jato particular.

Ele foi detido e levado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo sob a acusação de que seu banco teria fabricado operações de crédito falsas que foram posteriormente vendidas ao Banco de Brasília por um montante superior a R$ 12 bilhões.

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Posteriormente, na última segunda-feira (24), ele foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) em Guarulhos.

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos, gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.

A PF prendeu Vorcaro no dia seguinte ao anúncio de um acordo de venda do Master para um consórcio formado pelo Grupo Fictor e por um grupo de investidores dos Emirados Árabes Unidos, cuja identidade não foi revelada.

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Em paralelo à prisão, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de empresas associadas, e os bens de Vorcaro ficando indisponíveis.

Vorcaro nega acusações

Vorcaro negou anteriormente qualquer irregularidade e disse que vai cooperar.

Seus advogados disseram que não houve fraude nas operações investigadas pelas autoridades. E afirmaram que as carteiras alvo da investigação não foram efetivamente transferidas e que o Banco de Brasília efetivamente comprou outras carteiras, que não foram incluídas no caso.

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Horas depois de sua prisão, o Banco Central colocou o Banco Master em liquidação, em uma reviravolta dramática para um banco que cresceu rapidamente nos últimos anos usando o que os críticos disseram ser ativos opacos e arriscados.

A liquidação do Master levará o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a pagar os investidores que compraram os CDBs do Master até o limite de R$ 250 mil por CPF, conforme previsto pela legislação.

O FGC disse que o Master tinha cerca de 1,6 milhão de credores com R$ 41 bilhões a receber, mas o valor poderia saltar para até R$ 55 bilhões, disse uma pessoa familiarizada com o assunto à Bloomberg News na terça.

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