JetBio planeja maior fábrica de combustível sustentável de aviação do mundo no Brasil

Projeto prevê a produção de 1 bilhão de litros de SAF por ano, é resposta da empresa controlada pelo grupo americano Summit Agricultural Group à crescente demanda por descarbonização do setor de aviação e contará com uma ampla variedade de fornecedores de etanol do país

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Bloomberg — A JetBio, controlada pelo grupo americano Summit Agricultural Group, planeja construir no Brasil a maior fábrica comercial do mundo de combustível sustentável de aviação (SAF) a partir do etanol, aproveitando a ampla disponibilidade de matérias-primas do país.

A planta contará com uma ampla variedade de fornecedores de etanol, incluindo aqueles que produzem o biocombustível a partir da cana-de-açúcar, do milho de segunda safra ou de resíduos, segundo William Moore, CEO da JetBio. A empresa pretende iniciar as obras no segundo semestre de 2027.

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A liderança do Brasil na produção de etanol com menor pegada de carbono do que a dos EUA, maior produtor mundial do biocombustível, foi um dos fatores que motivaram a decisão de instalar a fábrica no país sul-americano. A projeto é a resposta da JetBio à crescente demanda por descarbonização do setor de aviação.

“O mercado dos EUA não dispõe do volume de etanol de baixa intensidade de carbono que o Brasil tem”, afirmou Moore. “Além disso — como acontece com muitas questões na política americana atualmente — o país não tem a política de biocombustíveis mais estável.”

Mudanças regulatórias ou atrasos na implementação de regras, além de divergências sobre mandatos de mistura, têm afetado a política de biocombustíveis dos EUA.

Em contrapartida, o governo brasileiro anunciou a mistura obrigatória de 32% de etanol na gasolina, embora a medida ainda não tenha entrado em vigor.

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O Brasil, grande produtor e fornecedor global de grãos, também agora promove testes para elevar a mistura de biodiesel no diesel convencional para até 25%.

A maior parte do SAF produzida atualmente tem como origem óleo de cozinha reciclado e gorduras animais residuais.

Ainda assim, produtores de etanol, há muito, veem o transporte aéreo como uma potencial e importante nova fonte de demanda, além do uso tradicional do biocombustível no transporte rodoviário.

A ampla oferta de etanol abre perspectivas para produtos que podem ser misturados ao querosene de aviação convencional e utilizados em aeronaves modernas, sem necessidade de modificações nos motores.

“Estamos criando um produto exportável que diversifica ainda mais a economia brasileira para além da agricultura”, disse Moore.

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A nova fábrica, cuja produção está prevista para começar em 2030, exportará 90% de sua produção e venderá os 10% restantes no mercado doméstico.

A unidade planejada pela JetBio produzirá até 254 milhões de galões de combustível sustentável de aviação por ano — o equivalente a cerca de 1 bilhão de litros ou 770 mil toneladas métricas, segundo Moore.

Isso tornaria a nova planta da JetBio cerca de 25 vezes maior do que uma instalação semelhante na Georgia, nos EUA, o primeiro projeto do mundo concebido para produzir combustível sustentável de aviação a partir de etanol.

Uma das possíveis localizações da fábrica é Paulínia, no estado de São Paulo, embora a decisão final sobre o local ainda não tenha sido tomada, afirmou Moore.

Na semana passada, Bruce Rastetter, fundador e presidente executivo do conselho da Summit Agricultural Group, disse que a fábrica seria construída na cidade, segundo reportagem do jornal Valor Econômico.

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