Irmãos Batista buscam lucrar com retomada do petróleo na Venezuela, dizem fontes

Segundo fontes que falaram à Bloomberg News, bilionários brasileiros se posicionam para um dos projetos de exploração no país agora alinhado aos EUA: holding J&F disse que não tem ativos na Venezuela mas que monitora a evolução do país para investir

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Bloomberg — Os bilionários irmãos Batista estão de olho em um projeto de petróleo venezuelano de um bilhão de barris que pode se beneficiar da revitalização do setor de energia do país sul-americano planejada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Os Batista, que controlam a JBS, maior frigorífico do mundo, estão discretamente posicionados nos arredores do setor petrolífero da Venezuela por meio da participação de um de seus sócios no projeto Petrolera Roraima, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação ouvidas pela Bloomberg News.

Antes da destituição do presidente Nicolás Maduro no início deste mês, um representante comercial dos Batista obteve uma participação em um conjunto de campos petrolíferos anteriormente operados pela ConocoPhillips.

A Fluxus, uma empresa petrolífera de propriedade dos Batista, poderia se juntar a esse ou a outros desenvolvimentos petrolíferos no país assim que as perspectivas de negócios se tornassem mais claras, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas por se tratar de informações não públicas.

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A J&F, holding dos irmãos brasileiros, disse em resposta a perguntas que não possui ativos na Venezuela e que está monitorando de perto os acontecimentos.

“Assim que um cenário de estabilidade institucional e segurança jurídica for estabelecido, estaremos prontos para avaliar investimentos”, disse a J&F em um e-mail.

Os Batista têm adotado uma abordagem cautelosa em relação à Venezuela desde que os EUA impuseram sanções, devido aos amplos investimentos americanos que incluem a processadora de frangos Pilgrim’s Pride.

Embora Trump tenha dito que o governo venezuelano “roubou” as riquezas petrolíferas reivindicadas por empresas americanas, como a ConocoPhillips, durante uma campanha de nacionalização há quase 20 anos, ele também não demonstrou nenhum desejo de reverter essas apreensões de ativos.

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Isso indica que os Batista estão em posição privilegiada para ajudar a expandir a produção de petróleo do país, enquanto as empresas de perfuração americanas e europeias aguardam garantias financeiras e de segurança mais sólidas.

Desde a queda de Maduro, Joesley Batista surgiu como uma figura-chave na transição pós-Maduro. Na semana passada, ele voou de Washington para Caracas para uma reunião com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Ele retornou com um relato otimista para as autoridades americanas de que ela estava aberta a investimentos estrangeiros, especialmente no setor de petróleo e gás natural, disse uma pessoa familiarizada com o assunto que pediu para não ser identificada.

Os Batista construíram habilmente laços com líderes de todo o espectro político.

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A Pilgrim’s Pride fez a maior doação individual para o comitê inaugural de Trump em 2025. No ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou Joesley Batista para negociar com Trump a redução de tarifas.

Joesley Batista, 53 anos, também está aproveitando os relacionamentos cultivados na Venezuela nos últimos anos para posicionar a família como pioneira no que já foi o maior exportador de petróleo da América Latina.

Em dezembro, ele viajou ao país para pedir a Maduro que renunciasse em uma transição pacífica.

Os laços dos irmãos com a Venezuela remontam a mais de uma década. A joia da coroa da fortuna da família, a JBS, fechou um contrato de US$ 2,1 bilhões com o governo de Maduro anos atrás para fornecer carne e frango em uma época em que o país estava passando por uma grave escassez de alimentos e hiperinflação.

Esse contrato foi facilitado pelo socialista linha-dura Diosdado Cabello, que agora é o ministro do Interior da Venezuela.

Em 2024, o Ministério do Petróleo da Venezuela concedeu os direitos de exploração e produção por 25 anos no antigo projeto da ConocoPhillips, Petrolera Roraima, à A&B Investments, que é liderada por Jorge Silva Cardona, um parceiro de negócios dos Batista.

Depois que a A&B entrou no projeto, a produção diária cresceu para 32.000 barris entre junho e outubro, mas desde então despencou quando o governo Trump começou a bloquear as exportações de petróleo do país, disse uma das pessoas ouvidas.

O projeto era uma maravilha da engenharia moderna quando entrou em operação no início dos anos 2000. As refinarias conhecidas como upgraders converteram o óleo em cerca de 90.000 barris por dia de um tipo de petróleo bruto “sintético” mais leve e mais valioso.

A empresa estatal de petróleo PDVSA detém uma participação majoritária de 51% no empreendimento, enquanto a A&B tem 49%.

Os Batista também estão explorando oportunidades no setor de mineração e na infraestrutura elétrica da Venezuela na era pós-Maduro, disse uma das pessoas.

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