Bloomberg Línea — A Hapvida (HAPV3) é o nome mais vulnerável ao teto de reajuste fixado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) para planos individuais, enquanto Rede D’Or (RDOR3) praticamente não sente o impacto.
A assimetria entre as operadoras listadas é o centro da análise publicada pelo J.P. Morgan pelo analista Joseph Giordano na sexta-feira (29), mesmo dia em que a agência reguladora divulgou o índice de 5,11% para contratos firmados após janeiro de 1999.
Cerca de 18% do portfólio da Hapvida está alocado nessa modalidade, a maior fatia entre as empresas listadas cobertas pelo banco.
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O J.P. Morgan mantém recomendação neutra para HAPV3, cotada a R$ 12,48, e reconhece dois atenuantes: a alta rotatividade nesses contratos e o reprecificamento de novas vendas devem suavizar o efeito nos resultados.
As ações da Hapvida acumulam desvalorização de 17% no ano e de 71% em 12 meses.
Para Rede D’Or e SulAmérica, a exposição combinada fica entre 2% e 5% do portfólio total, com provisionamento já constituído nas carteiras antigas.
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“O efeito direto deve ser negligenciável”, registra o banco em referência às duas operadoras, que mantém overweight (equivalente à compra) para RDOR3 com preço-alvo de R$ 48, contra cotação de R$ 34,47. As ações da Rede D’Or acumulam queda de 17% no ano e de 10% em 12 meses.
A Bradsaúde (SAUD3), do Bradesco, está na mesma categoria de exposição residual, sem recomendação formal do banco. As ações da holding de saúde valorizaram 19% no ano e 22,5% em 12 meses.
Menor sinistralidade explica menor índice
O reajuste de 5,11% ficou abaixo dos 7,2% projetados pelo J.P. Morgan e é o menor desde o ano 2000, quando o teto foi de 5,42%, excluído 2021, quando a pandemia reduziu o uso de serviços de saúde e a ANS autorizou redução de 8,19% nas mensalidades.
O resultado reflete um ambiente em que as operadoras gastam menos com consultas, exames e internações do que arrecadam em mensalidades, a chamada sinistralidade, em níveis historicamente baixos, o que comprimiu o reajuste deste ano, avalia o banco.
A notícia é negativa para a indústria, mas a extensão do dano depende de quanto cada operadora mantém exposição a uma modalidade cujos portfólios seguem em declínio, segundo a análise.
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Prestadores hospitalares ficam fora do raio de impacto. As negociações de preços entre operadoras e hospitais seguem dinâmica própria de repasse inflacionário, sem ancoragem no teto regulatório, aponta o J.P. Morgan.
Há ainda uma defasagem de calendário que dilui o efeito no curto prazo. O reajuste só pode ser aplicado no mês de aniversário de cada contrato.
Para planos com aniversário em maio ou junho, a cobrança começa em julho ou agosto, com retroatividade ao mês de início. O impacto financeiro deve aparecer de forma mais nítida nos balanços do segundo semestre, segundo o banco.
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