Bloomberg Línea — A continuidade da guerra no Irã e seus efeitos para o preço do petróleo e a circulação na região acendem um alerta para a Vale (VALE3). Segundo executivos, a companhia está atenta para conseguir atingir as metas para este ano.
“Vamos observar a estabilidade da região do ponto de vista geopolítico, a disponibilidade e precificação do gás natural, que é um insumo importante, e a nossa capacidade logística de chegar aos clientes, o que neste momento é um gargalo na região”, disse o CFO da Vale, Marcelo Bacci, a jornalistas nesta quarta-feira (29).
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Em meio aos desafios de circulação na região, com as restrições no Estreito de Ormuz, no início do mês a mineradora decidiu antecipar a parada para manutenção da planta de beneficiamento de pelotas em Omã.
O diretor de relações com investidores da companhia, Thiago Lofiego, afirmou que a decisão não afeta os planos de produção para o ano, uma vez que a parada já estava programada.
Ele acrescentou que, mesmo diante de um cenário de prolongamento do conflito, a companhia ainda possui capacidade ociosa de pelotas no Brasil, o que deve suprir eventuais demandas necessárias.
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“A parada para manutenção anual normalmente dura 45 dias. Nós vamos avaliar à medida que a situação se desenvolver. Não conseguimos determinar quanto tempo deve ficar parada”, ponderou Lofiego.
A Vale mantém o guidance para produção de pelotas em 2026 em um intervalo entre 30 milhões a 34 milhões de toneladas.
Bacci esclareceu que a Vale está trabalhando com o preço futuro do petróleo como referência para suas projeções. Segundo o executivo, atualmente nas bolsas de futuro a cotação do barril (daqui até o final do ano) está em cerca de US$ 90. No mercado spot (à vista), está um pouco acima de US$ 100.
“Se o mercado permanecer como está hoje, vamos entregar nosso custo no topo do guidance, mas ao menos dentro dele."
Ele acrescentou que a oscilação do barril afeta o preço do frete marítimo, principal razão pela qual o custo “all-in” (de entrega no cliente) subiu neste ano.
O aumento do petróleo também impacta o diesel, o que consequentemente eleva o “custo c1″ (da mina até o porto). “Se a alta do petróleo persistir, vamos continuar vendo esses efeitos tanto no all-in quanto no c1."
Bacci avalia que o cenário de frete marítimo mais caro afeta toda a indústria global, mas ainda mais profundamente os produtores de alto custo.
A companhia estima que, no momento, essas empresas têm enfrentado um aumento de custo da ordem de US$ 10 por tonelada de minério de ferro, enquanto que, para produtores competitivos, o que inclui a Vale, a alta é de US$ 5 por tonelada.
Neste contexto, 50 milhões de toneladas de oferta de minério de ferro operariam no prejuízo e poderiam sair do mercado.
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